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Estude no exterior : Antes de partir

Um gringo no Brasil: lições do exterior

Evan é um intercambista americano na PUC-SP; “criar uma rotina é profundamente importante para todo estudante estrangeiro”, compartilha sobre a sua experiência no Brasil

Um gringo no Brasil: lições do exterior
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Evan Sawyer*, G.A.T.E Team

 

Sou estudante de graduação na Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, e estudo Relações Internacionais, Administração no Terceiro Setor e Espanhol. Este semestre, o sexto de oito anos, eu optei viajar 10 mil quilômetros para fazer um intercâmbio de seis meses na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Também sou atualmente estagiário no departamento de University Counseling do Student Travel Bureau (STB). Desde esse momento estranho no aeroporto eu venho aprendendo muito neste país.

 

O primeiro passo – e um dos mais difíceis – de se estar em um país estrangeiro como estudante é, obviamente, aprender e se sentir confortável com a língua. Isso tudo começou com meu primeiro grande triunfo no avião, quando pedi um "suco de laranja" à aeromoça. Eu sabia que teria de ter uma política de "vergonha zero" em termos de praticar o idioma. Não sabia como iria me virar na minha vida diária, principalmente em como iria entender aulas e palestras de nível universitário, mas usei a minha ansiedade para motivar a falar português tão bem quanto possível.

 

Cheguei em São Paulo cerca de um mês antes do meu semestre na PUC começar, e pelo que calculei, eu teria um mês de aulas de português e me adaptaria ao ambiente dentro de um tempo adequado. Este período foi cheio de situações desconfortáveis, incertezas culturais e pequenos erros. E, embora eu tivesse que entender e me dar o tempo necessário para me adaptar, eu não estava feliz com qualquer um desses erros ou situações, que eram experiências importantes de aprendizagem que começaram a formar minha ideia do que seria a vida no Brasil.

 

Nos Estados Unidos, estou acostumado com o modo e o ritmo de vida. Como qualquer pessoa em seu país de origem, quando sou confrontado com novos desafios, eu simplesmente os incorporo ao que tenho de conhecimento e uso as habilidades que já tenho. No Brasil, no entanto, tudo era novo. Pedir um café, matricular-se nas aulas, tomar o metrô, ou simplesmente se vestir de manhã, tudo tinha gosto de novidade e de incerteza. As pessoas costumam dizer que você aprende algo todos os dias. No primeiro mês no Brasil eu me senti como estivesse aprendendo alguma coisa a cada minuto.

 

A hora de cair na real

 

Depois deste período de "lua de mel", eu finalmente estava caindo na real. Sabia como pedir um café, como chegar e voltar de todos os lugares mais importantes em São Paulo e como falar portunhol o suficiente para, pelo menos, comunicar pensamentos e ideias importantes. Eu estava finalmente começando a me sentir menos como um turista e mais como um estudante.

 

Foi nessa época que comecei o semestre na PUC-SP. Quando você vai estudar em outro país a adaptação não se refere apenas a um novo ambiente acadêmico. É um novo ambiente de forma completa. Mas a maioria das coisas, bem, elas são basicamente as mesmas. Pessoas são pessoas; elas são todos diferentes, mas todas querem se divertir, ter sucesso para ser reconhecida e feliz. Com as leis acontece geralmente o mesmo em qualquer parte do mundo: não matar, não roubar, respeitar o outro e não ser estúpido. A escola também. Ouça seus professores, estude para o teste, assista às aulas e tente aprender alguma coisa. São as pequenas coisas que mudam. É o estilo de meias que usa, o seu conceito de “tarde” ou “cedo”, e a maneira como cumprimenta as pessoas. Mas são essas coisinhas infinitas que fazem você se sentir desconfortável – ou tão estrangeiro.

 

Em fevereiro, eu já tinha me acostumado a várias delas. E trabalhei ativamente para isso, mas sem um pingo de pressa. No entanto, a PUC-SP é muito diferente da University of Southern California. Em termos acadêmicos é muito menos exigente. Mas os desafios são diferentes. Por exemplo, quando se tem aula em uma terceira língua, você deve ser um ouvinte ativo. Por isso, não terá tempo de ficar checando seu e-mail no celular, desenhar em seu livro ou pensar sobre seus planos para o fim de semana. Você só entenderá o que o professor está dizendo se se concentrar totalmente.

 

Na PUC, fazer várias coisas enquanto você apenas ouve o professor significa não aprender. Com isso, passei a ter mais respeito pelos estudantes de intercâmbio em minha própria universidade nos Estados Unidos, compreendendo que eles devam sempre ser agentes de sua educação. Como um participante ativo, eu tive que começar a avaliar o ambiente de sala de aula. Quanto é importante participar? Quando um professor pede um relatório, o que exatamente é que ele espera? Mais uma vez, os detalhes são cruciais.

 

Rotina paulistana

 

Minha chegada mudou muito pouco a vida dos brasileiros com quem eu tive algum tipo de interação, e isso é outra lição importante para um aluno estrangeiro. Ao aterrissar em um novo país, pode ser fácil esquecer que o mundo não começou no momento em que chegamos lá. Você de repente está inserido em um complexo ecossistema, sendo apenas uma peça de um grande quebra-cabeça que foi criado muito antes da sua chegada. Mas isso não significa que você não possa ser uma pecinha importante!

 

Em meados de março, após o caos do Carnaval, comecei a entrar numa rotina mais definida na PUC. Um meio confortável de rotina, que lhe permite viver sua vida com um nível de calma e controle. Eu realmente comecei a me sentir mais tranquilo no Brasil, tinha garantido um estágio no STB e estava dando aulas de inglês semanais. Mas o conforto também veio de poder sair para tomar uma cerveja com os meus amigos nas segundas, ir para baladas nas quintas e conhecer a rota de ônibus para levar à lanchonete com o melhor pão de queijo de São Paulo.

 

Criar uma rotina é profundamente importante para todo estudante estrangeiro. Você precisa encontrar terreno firme para se firmar e seguir em frente. No entanto, ao mesmo tempo, tenho percebido que muita rotina também não faz bem. Eu ainda estou procurando por essa linha tênue entre o conforto e crescimento. Há lugares e pessoas aqui no Brasil que eu conheço muito bem agora, mas dentro de uma organização da vida na qual deve haver espaço para o crescimento e para ampliar seus limites, como aconteceu comigo quando pisei aqui pela primeira vez, nervoso e com os olhos arregalados.

 

Seis meses não é muito tempo em um lugar novo, então você tem que continuar a tocar a vida. Ontem é sempre um modelo para hoje, mas você não pode permitir que ele seja uma armadilha que limita o amanhã. Ainda tenho mais de um mês no Brasil e, depois de ter atingido um certo nível de conforto, estou tentando agora a começar a mudar essa rotina. Penso eu que essa é a melhor lição que aprendi sobre como estudar em um país estrangeiro.

 

*Estudante da University of Southern California, Evan estuda três áreas diferentes: Relações Internacionais, Administração no Terceiro Setor e Espanhol. Realiza intercâmbio acadêmico com a PUC-SP e, ao mesmo tempo, estagia no STB University Counseling. 

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SOBRE O AUTOR

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G.A.T.E. – Global Access Through Education é uma plataforma criada pelo STB – Student Travel Bureau com o objetivo de reunir educadores, pais, alunos e profissionais em um fórum, oferecendo conteúdo inovador sobre educação, cultura e desenvolvimento profissional e pessoal. G.A.T.E acontece durante todo o ano online, por meio do site e de palestras baseadas em conteúdos específicos em escolas, universidades e nos escritórios do STB.

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