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Entrevista: americano fala como é ser estudante de doutorado no Brasil

Tim tem mestrado da Azusa Pacific, na Califórnia, e mora no Brasil há quase quatro anos para concluir o seu doutorado em música na UFRGS

Entrevista: americano fala como é ser estudante de doutorado no Brasil
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Timothy David Jones tem 29 anos e é de Wichita, no Kansas, Estados Unidos. Ele é formado em Música pela Wichita State University e pós-graduado pela Azusa Pacific University, na Califórnia. Tim mora no Brasil há três anos e meio, para cursar um doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e sente uma conexão espiritual com o país. Conheça a história de Tim a seguir!

 

Quando e onde você se formou nos Estados Unidos?

 

Aos 17 anos de idade, ganhei uma posição como violinista na Orquestra Sinfônica da minha cidade natal, Wichita, Kansas. Por isso fiz a graduação na mesma cidade, na Wichita State University. Fiz dois bacharelados em Música simultaneamente, o primeiro em Práticas Interpretativas (Violino) e o segundo em Educação Musical, que se compara com a Licenciatura em Música no Brasil. Depois disso, em 2010, me mudei para o sul da Califórnia onde cursei Mestrado em Práticas Interpretativas (Violino) na Azusa Pacific University.

 

Como foi a sua experiência na Azusa Pacific University? Por que você escolheu esta universidade?

 

Como a cidade de Azusa faz parte da região metropolitana de Los Angeles, lá eu conheci pessoas de todas as partes do mundo. Eu fui estudar em Azusa por causa do professor de violino. Quando eu o conheci, ele me convidou a fazer o mestrado sob a orientação dele.

 

A Azusa Pacific é uma universidade pequena, com programas muito fortes em algumas áreas. O departamento de música é bem desenvolvido e a minha experiência como estudante lá foi ótima, me senti bem acolhido pela comunidade e eu tive a sensação de fazer parte de uma família, ainda mais pelo fato da universidade não ser tão grande.

 

Quais os benefícios de ter tido contato com tantos estudantes estrangeiros na universidade, durante o mestrado na Azusa?

 

Los Angeles é um grande centro de cultura mundial, é a segunda maior cidade dos EUA (de população), então sendo estudante na região eu tive acesso a inumeráveis tipos de arte, comidas, atividades, exposições, cursos, etc. Hoje em dia existem vários conglomerados deste tipo no mundo, mas saber disso e viver isso são experiências diferentes. O que eu mais colhi dos anos que eu convivi com pessoas do mundo inteiro foi aprendizado sobre as realidades e os estilos de vida em países diversos.

 

Ouvimos muita fala sobre as culturas que nós não conhecemos pessoalmente. Acabamos formando opiniões sobre lugares e povos desconhecidos… mas estas opiniões não têm muito valor, pois são repetições das ideias dos outros, não são pensamentos próprios. Basta dizer que, fora pisar em terra estrangeira, olhar no olho de um ser humano de outro lugar é a única maneira de começar a compreender uma outra realidade.

 

Quando e por que você decidiu vir estudar no Brasil?

 

Enquanto convivi com pessoas de todas as partes do mundo em Los Angeles, percebi que quase todas as minhas amizades mais fortes foram com brasileiros. Aluguei uma casa junto com dois gaúchos em 2011 e este ano que passamos juntos transformou a minha vida. Comecei a enxergar uma parte de mim que eu nunca tinha visto, reconheci algo cósmico na minha conexão com o Brasil e com a própria língua portuguesa. Em 2012 resolvi me mudar para o Brasil, logo mais ficou claro que cursar o doutorado seria o caminho que mais me faria crescer. Pela força da minha vontade e da minha conexão espiritual com o país, consegui aprender português até chegar em Porto Alegre em dezembro 2012.

 

Tim (à direita), em Canela, no Rio Grande do Sul

 

 Como foi o processo seletivo na UFRGS?

 

As provas de ingresso no doutorado foram bem intensas, ainda mais por eu ter chegado ao país há menos de uma semana. Foram cinco tarefas para eu poder entrar no curso e ganhar uma bolsa, que recebo pela CAPES.

 

1) Uma prova de execução musical com duração de uma hora, que constituiu em sete obras musicais que toquei para uma banca de professores doutores

2) Uma prova escrita de conhecimento musical com duração de quatro horas (sim, em português!)

3) Uma prova escrita de análise de uma partitura com duração de duas horas

4) Uma entrevista com a mesma banca de professores que adjudicou a prova de recital

5) Uma prova de proficiência de leitura em uma língua europeia

 

Como tem sido a sua experiência de estudos em uma universidade brasileira?

 

Ao falar da minha experiência como estudante de música na UFRGS, só posso agradecer porque estou aprendendo muito e aprofundando o meu conhecimento na minha área. Os professores de música na UFRGS são muito qualificados, a maioria se formou com mestrados e doutorados em países com longas tradições de música erudita e de ensino superior na área, e depois voltaram para o Brasil, assim fortalecendo os cursos superiores brasileiros e elevando o nível das apresentações nos palcos brasileiros.

 

O que tem para melhorar na UFRGS e em várias universidades públicas brasileiras é a infraestrutura. Em Porto Alegre, eu convivo com professores de altíssimo nível, com qualificações e capacidades musicais de patamar mundial. Porém, nós trabalhamos em um espaço que não reflete a qualidade do programa, este sendo um aspecto comum a muitas instituições públicas brasileiras, que apesar de serem de ótima qualidade, ou falta apoio financeiro ou falta acesso aos recursos necessários para construir ou manter espaços físicos adequados para os devidos fins.

 

Pela sua experiência própria, o que você acha da cultura brasileira? Foi difícil se adaptar? Por quê?

 

Eu vejo o futuro do mundo sendo guiado em grande parte pelo Brasil. Eu considero o povo brasileiro gentil, amoroso e psicologicamente forte… independente disso, o tamanho do país e o fato de que a infraestrutura dele ainda está em construção deixam claro para mim que o país é destinado a ter um papel significativo na história do mundo nos séculos XXI e XXII. Não posso dizer que foi difícil para eu me adaptar… sem nem focar na vida passada que eu sinto que tive aqui, eu me encaixei bem no Brasil pela minha visão clara da maneira em que o país se encaixa no mundo. A estrutura da civilização humana é para mudar nos próximos séculos. Não temos como sobreviver sem voltar a uma vida mais natural, sustentável e auto-suficiente, sem perder os frutos do progresso tecnológico e filosófico que veio desta civilização atual… esta mudança da estrutura da sociedade é algo que só o povo humano pode se manifestar, ou seja, é uma mudança que não haverá pelos atos de qualquer tipo de comissão política. Mesmo que muitos brasileiros não acreditem, eu vejo que o Brasil vai ser um dos faróis neste processo que define o futuro do planeta, o processo em que o povo humano se junta como um, assim restaurando a saúde da Terra e das nossas mentes.

 

O que você recomendaria aos brasileiros que estão considerando estudar nos Estados Unidos?

 

Se eu for falar para um estudante de música, eu diria que a coisa mais importante é de conhecer professores de vários lugares, pessoalmente se for possível, mas no mínimo por email. É assim que se formam vínculos com as pessoas e os lugares que se poderia estudar, compreendendo mais sobre o tipo de experiência que se teria em tal lugar.

 

Ao falar algo geral para todos os estudantes brasileiros pensando em fazer um curso de ensino superior nos Estados Unidos, eu digo o seguinte:

 

Vá, porque sem ir você não terá ido. Vá, porque sem pisar na terra lá, você não poderá falar de como é. Vá, porque o Brasil continuará no processo que está, e você sempre poderá voltar quando quiser.

 

Esteja preparado para aprender muito… na tua área sim, mas ainda mais, sobre você mesmo. Esqueça, o mais possível, de tudo que você acha que você sabe sobre o país onde você vai chegar… o menos que tu achas que sabes, o mais que aprendes e o mais que tu vês com claridade. Lembre-se da quantidade de tempo que ainda tens na tua vida, e também de todo o espaço desconhecido que tem no planeta que se chama de lar. Existem várias condições definidas pelo passado que acabam definindo a nossa perspectiva do mundo atual… mas o presente é sempre novo, então a coisa mais saudável e real é se estimular com coisas novas, sempre que for possível.

 

Se tiver interesse, vá logo estudar nos Estados Unidos! Vá que se cresce, que se vê, que se curte algo que antes foi só conjetura!

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SOBRE O AUTOR

Entrevista: americano fala como é ser estudante de doutorado no Brasil

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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