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Pesquisa da Belta aponta perfil dos intercambistas brasileiros

Canadá e EUA são os destinos mais procurados por brasileiros; cursos de idioma e pós-graduações são os tipos de intercâmbio mais populares

Pesquisa da Belta aponta perfil dos intercambistas brasileiros
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A “Pesquisa Selo Belta” do mercado de educação internacional e intercâmbio do Brasil foi divulgada ontem no Fórum Educação Internacional em Números na Câmara de Comércio Brasil-Canadá. Encomendada pela Belta – Associação de Agências de Intercâmbio (Brazilian Educational & Language Travel Asscoiation) e realizada pelo grupo de pesquisa Mobilidade Acadêmica, liderado pela professora Manolita Correia Lima, a pesquisa tem como intuito conhecer o mercado, compreender a demanda dos clientes e ajudar no fornecimento dos serviços de agências de intercâmbio do Brasil.

 

No total, foram 135 respondentes na categoria gestores, incluindo redes de agência de intercâmbio, franqueadores, supervisores, donos ou representantes de marcas de intercâmbio; e 1.915 respondentes na categoria estudantes, dos quais 42% já estudaram fora e os 58% restantes ainda estão planejando o intercâmbio. Os respondentes foram reunidos por listagem da Belta e de embaixadas, consulados e órgãos de educação internacional e as respostas foram coletadas entre janeiro e março de 2016.

 

“Este cruzamento de dados [entre agências de intercâmbio e estudantes] é inédito nas pesquisas encomendadas pela Belta”, conta Maura Leão, presidente da Associação.

 

Principais dados nos resultados da pesquisa

 

Os brasileiros ainda se interessam mais por cursos de idioma no exterior: 30,5% responderam que desejam um curso de inglês com trabalho temporário e 20,1% querem um intercâmbio apenas para estudar o idioma. Estes são os programas mais procurados pelos brasileiros participantes da pesquisa e também é o produto mais vendido pelas agências entrevistadas. Depois do curso de inglês, os tipos de intercâmbio mais desejados são os de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), pós-graduação (MBA e Master) e graduação. A duração média de intercâmbio desejada pelos estudantes é de um mês (50,9%) ou de dois a três meses (17.5%).

 

As principais fontes financiadoras do intercâmbio, segundo a pesquisa, são poupança própria (49,4%) e familiares (16,1%), e o investimento médio realizado pelos clientes das agências, em dólares, é de $ 4.890. Há uma discrepância entre a faixa etária que mais se mostra interessada em intercâmbios de acordo com as respostas das agências e dos estudantes. Os gestores indicaram que o público entre 22 e 25 anos é o que mais procura por seus serviços; enquanto entre os intercambistas, 23,8% têm entre 30 e 39 anos e 21,5% têm entre 25 e 29 anos. Mesmo com a discrepância, os resultados de faixa etária condizem com os motivos principais a optar por um intercâmbio: o interesse em investir em uma formação internacional, segundo os estudantes, e aprender outro idioma e diferenciar o currículo, segundo as agências.

 

“A crise tem impacto na decisão e nos investimentos que isso implica. No entanto, em crise, os brasileiros procuram investir no currículo e, neste momento, estudar fora é uma grande oportunidade”, diz Manolita Correia Lima, responsável pela pesquisa, durante a apresentação do Fórum.

 

Principais destinos de estudo entre brasileiros

 

Os destinos de estudo mais procurados pelos brasileiros mudaram entre 2013 e 2016. Apesar de Canadá (26,6%) e Estados Unidos (23,1%) continuarem na dianteira absoluta, a Austrália (9,3%) subiu do quinto para o terceiro lugar. O Reino Unido (3,8%) caiu para quinto colocado, dando lugar à Irlanda (7,6%), em quarto. E em sexto lugar, está a Nova Zelândia (3,8%). Depois, com porcentagens bem menores, aparecem Espanha, África do Sul, Holanda e Portugal nas repostas dos estudantes.

 

“Realmente, o Canadá é um país seguro e é altamente estável econômica e politicamente”, aponta Anouk Bergeron-Laliberté, cônsul comercial no Consulado Geral do Canadá em São Paulo, como razões pelas quais o Canadá é um destino de estudo tão popular entre os brasileiros. “E outro ponto que ajuda na qualidade de vida dos alunos que vão para lá estudar é que os canadenses são muito acolhedores na recepção do estrangeiro, e também na recepção de todos os imigrantes que chegam ao Canadá. Ele é um país que foi povoado por imigrantes, então temos este vínculo muito próximo às pessoas de outras culturas, e acho que isso é um ponto bem caracterizado da personalidade dos canadenses.”

 

Outro destaque é o crescimento da Austrália que, segundo Manolita, conseguiu construir uma imagem genial de país jovem, esportivo, com diversidade de ecossistema, bastante sol (o que desfavorece o Canadá, por exemplo, por ter um inverno rigoroso) e atividades ao ar livre.

 

A crise econômica enfrentada no Brasil é também um impulsionador da popularidade de países como Canadá e Austrália, porque um dos aspectos que mais influenciam na escolha pelos países é o câmbio favorável e um dos fatores que mais desfavoreceram a venda de produtos e serviços das agências em 2015 foi a desvalorização do real. (Leia mais sobre isso aqui.) Além disso, o Canadá e a Austrália, assim como Irlanda, Estados Unidos, Nova Zelândia e Reino Unido, têm legislação que permite que o estudante trabalhe 20 horas semanais com um visto de estudante.

 

Imagem no início da matéria (da esquerda à direita): Manolita Correia Lima, uma das responsáveis pela Pesquisa Selo Belta; Maura Leão, presidente da Belta; Anouk Bergeron-Laliberté, cônsul comercial no Consulado Geral do Canadá em São Paulo; Mayra Camargo, profissional da área de eventos que está se preparando para um intercâmbio de Pós-Graduação em Langara College, no Canadá; Bruno A. Vasconcelos, advogado com experiência em cursos de inglês geral e inglês para negócios no exterior.

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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