Essenciais
Estude no exterior : Últimas notícias

Síndrome do Regresso

As dificuldades que o intercambista tem ao voltar do exterior. Como se acostumar de novo com o Brasil. Como lidar com a síndrome do regresso.

Depressão pós intercâmbio: a tristeza ao voltar para o Brasil
75974
Já ouviu falar da depressão pós intercâmbio? Ela é real e eu senti na pele. Afinal, foi mais de um ano no exterior. E é difícil entendê-la. Você está voltando pra casa, pra sua família, pro seu país. Como é possível isto ser motivo de uma depressão? 
 
Foi por esta incredibilidade que fiquei tão aliviada ao descobrir que esta tristeza após o término de intercâmbio é até objeto de estudo. Trata-se da síndrome do regresso. Como publicado na matéria da Folha de São Paulo, o termo foi criado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa. Na ida, sofremos o que chamam em inglês de homesickness, algo como “saudade de casa”. E na volta, portanto, é a síndrome do regresso. No entanto, o surpreendente é o tempo de duração dos dois. O período de adaptação do intercambista no país novo é de até seis meses; já a readaptação ao país de origem leva até dois anos!
 
A verdade é que é muito mais fácil se acostumar a um local onde tudo é novo e a rotina é agitada. Onde há lugares e pessoas para conhecer todos os dias, comidas para experimentar. Onde a rotina dos estudos o mantém ocupado. Onde as coisas funcionam de forma diferente (e, quase sempre, de forma melhor) que no Brasil. Enquanto tudo isso acontece com você no exterior, o que você deixou no país ao partir continua o mesmo. Enquanto você cria uma grande bagagem cultural e coleciona experiências, sua família e amigos, mesmo que muito felizes por você, continuam na rotina de sempre.   
 
E é muito difícil para os familiares compreenderem a sua infelicidade porque estão felizes com o seu regresso. Por isso, é muito importante que intercambistas tenham consciência da existência dos estudos sobre a síndrome do regresso, para não se sentirem culpados, e entenderem que o descontentamento que possam vir a sentir é completamente normal. E passa! Comigo, bastou manter-me ocupada, conquistando um novo emprego, saindo com os amigos, estudando.
 
Mas é preciso que haja paciência dos dois lados. De quem está voltando, para dar-se o tempo de readaptação, encontrando uma maneira de sentir-se em casa de novo. E dos familiares e amigos, para escutar sobre todas as suas experiências, histórias, comparações sem fim entre os países; para reinseri-lo na rotina, na vida da casa, nos passeios; e para, acima de tudo, entender que isso passa e que a sua tristeza não é culpa deles. Meus pais chegaram a acreditar que eu não seria mais feliz no Brasil. Pra dizer a verdade, até eu cheguei a acreditar nisso. Mas depois de ler sobre a síndrome do regresso, nós – meus pais e eu - nos aquietamos e entendemos que era uma fase. E a fase, como todas as outras, passou. Amo os Estados Unidos como minha segunda casa. Mas, como já dizia Dorothy de “O Mágico de Oz”, there’s no place like home.
 
Leia mais...

Pesquise por cursos

Selecione país
Graduação
SOBRE O AUTOR

Depressão pós intercâmbio: a tristeza ao voltar para o Brasil

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

Dê uma olhada...