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ESTUDE NO EXTERIOR : Quando chegar lá - Leitura recomendada

As vantagens e desvantagens de ter amigos brasileiros no exterior

Brasileiras relatam as vantagens e desvantagens de ter amizade com outros brasileiros enquanto estudam no exterior.

As vantagens e desvantagens de ter amigos brasileiros no exterior
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Pode ter certeza que, quando você estiver prestes a se mudar de país para estudar no exterior, alguém vai lhe dar o seguinte conselho: não conviva com brasileiros, senão você passará toda a experiência falando em português e acabará deixando o inglês de lado. Este é um bom conselho? Você deve segui-lo à risca?

 

Ter amigos brasileiros enquanto estudo no exterior ou não? Não há ninguém melhor para responder esta pergunta do que alguém que realmente passou pela experiência. A seguir, reunimos o depoimento de três brasileiras que estudaram ou estudam em diferentes países. Elas discorrem sobre as vantagens e desvantagens em se manter amigos brasileiros no exterior.

 

 

Clareana Marrafon, 25, Iracemápolis (SP)

Intercâmbio em Dublin, na Irlanda

 

Eu acredito que é bom ter alguns amigos brasileiros no exterior porque, querendo ou não, é com eles que você vai conseguir se expressar melhor sua forma de pensar e agir. Mas depende muito do intercâmbio e qual é o seu objetivo. Eu vim para a Irlanda para aprender inglês. Sempre tive amigos brasileiros aqui. Cerca de 90% eram brasileiros e os outros 10% amigos da escola, mas que, mesmo assim, não eram tão próximos. Apesar de a porcentagem ser alta, ela não me atrapalhou. Desde que cheguei à Irlanda há dois anos, sempre morei com irlandeses, passei por duas host families e trabalhei como au pair em duas famílias irlandesas, ou seja, o meu contato com o idioma era quase 24 horas por dia.

 

Posso dizer que o que mais me atrapalha, e acho que isso serve para qualquer tipo de estudo, é o Facebook. Apesar de ter vários amigos brasileiros, sempre que estamos juntos conhecemos pessoas de outros países e praticamos o inglês, já no Facebook ou em outras redes sociais o português é predominante.

 

As baladas e os restaurantes brasileiros ajudam a matar a saudade, mas não recomendo ir sempre. Uma vez ao mês já é suficiente! Às vezes me pego indo a festas de músicas brasileiras como sertanejo, pagode e mpb mais do que eu iria no Brasil, por exemplo. É estranho, sinto falta de coisas que eu nem gostava muito, mas que por estar em outro país, me fazem falta.

 

No entanto, quanto menos português você falar, mais rápido você consegue fluência. Aqui na Irlanda, por exemplo, a única desvantagem que eu vejo é o atraso no idioma. É sempre bom ter amigos brasileiros, pois são eles que te indicam acomodação, trabalho e escolas para renovar o visto. Temos aqui o Classificados Dublin que atualmente está com mais de 30 mil membros e lá são postados vagas de acomodação, tours, venda de objetos usados, além de que você pode tirar dúvidas sobre escolas, vistos, dicas de viagens, etc. Tudo em português feito pelos brasileiros.

 

No geral, eu aconselharia a ter amigos brasileiros, mas não ficar preso nessas amizades. Se for para uma balada, procurar conversar com pessoas de outras nacionalidades, ou ter pelo menos um amigo de outro país no grupo de amigos. Procure acomodações com pessoas de mais de uma nacionalidade. Quanto menos português você falar, melhor.

 

A Clareana já conversou com o Hotcourses Brasil sobre a sua experiência em Dublin, leia as matérias dela:

Estudar e trabalhar na Irlanda 

Renovação de visto de estudante na Irlanda

 

 

Elaine Mercês, 28, Salvador (BA)

Intercâmbio em Nova York, nos Estados Unidos

 

Longe da família, amigos e cultura, é muito difícil não sofrer com a saudade. Como remédio nada melhor do que ter amigos que nos entendam em todas as formas. A cultura brasileira é muito acolhedora e não existe outro povo igual, podemos fazer amigos de todas as nacionalidades, mas os brasileiros entenderão nossas saudades, lembrarão das mesmas músicas, falarão as mesmas besteiras, etc… Esses amigos nunca substituirão as pessoas queridas que deixamos para trás, mas nos ajudarão a aliviar a saudade.

 

Eu particularmente sempre tive mais amigos brasileiros, por todas as razões que já citei acima, principalmente no início do intercâmbio, quando meu inglês era uma porcaria. Embora eu soubesse que era importante conhecer pessoas de outras nacionalidades para praticar o inglês, eu sempre tinha vergonha de arriscar, falar errado e ser julgada, o que eu acredito que aconteça com a maioria das pessoas. Contudo, não poderia esquecer o objetivo que me trouxe para cá; neste momento precisamos encontrar o equilíbrio. Por experiência, posso afirmar que não precisa evitar falar nossa língua nativa para aprender outra, é necessário haver equilíbrio.

 

Comecei a sair com amigos estrangeiros junto com os meus amigos brasileiros, o que forçava todo mundo a falar em inglês e, na hora do sufoco por não saber uma palavra ou outra, sempre tinha alguém que poderia ajudar. Essa mistura sempre ajuda na hora de equilibrar a situação. É claro que se nós não praticarmos o novo idioma, nunca aprenderemos e isso fica como uma questão pessoal. Eu tenho amigos brasileiros, mas eu leio livros em inglês, artigos em inglês, assisto filmes em inglês, eu tenho outros amigos estrangeiros, eu interajo com as pessoas do meu dia-a-dia, o que me faz aprender cada vez mais.

 

Por fim, eu acho que podemos ter amigos brasileiros e também amigos estrangeiros. Nós sabemos que os únicos que nos entenderão são aqueles que estão passando pela mesma situação e juntos um pode ajudar o outro.

 

 

Suzana Carrascosa Strolli, 25, Santa Bárbara d'Oeste (SP)

Intercâmbio na Argentina e no México

 

Na minha opinião, ter amigos brasileiros é essencial pelo menos no começo do intercâmbio. Principalmente se você for tímido e não consegue interagir facilmente com pessoas que não falam seu idioma. No meu primeiro intercâmbio de um mês para a Argentina, fui com alguns brasileiros e para mim foi ótimo porque você acaba se apegando a eles na sua rotina. E, para que isso não atrapalhe no aprendizado do idioma, você mesmo tem que se controlar e conseguir amigos de lá, sair alguns dias só com eles, e intercalar as amizades.

 

Ter amigos brasileiros ajuda muito a matar a saudade do Brasil. Você se sente confortável e parece que todo brasileiro que você conhece fora do Brasil é seu amigo de infância. Eles podem te ajudar a passar pelas dificuldades, vocês aprendem tudo juntos... Desde ir ao mercado, tirar dinheiro, conhecer os lugares, passar pelos problemas e dividir também as alegrias e conquistas.

 

Depois, quando fui para o intercâmbio de seis meses no México, eu estava muito depressiva no começo, insegura em estar tanto tempo longe da família e amigos, e também pelo país ser diferente em vários aspectos. Depois que encontrei alguns brasileiros, sentia-me mais confiante. Minha roommie brasileira (colega de quarto) e eu até nos policiávamos para conversar em espanhol, para que isso não atrapalhasse o aprendizado. Eu aconselho, sim, ter amigos brasileiros em qualquer lugar que você vá. É só tomar cuidado e colocar um limite para que todos se comuniquem no idioma do país que você está! E se isso não acontecer, procure sair mais vezes com os novos amigos estrangeiros para treinar o idioma, conhecer suas famílias e coisas parecidas.

 

Recentemente, fui para a Itália com a minha família para fazer um curso de italiano e também obter a dupla cidadania na cidade de Pescara. É um país culturalmente diferente do nosso, e além dos amigos italianos ajudarem na adaptação da minha família, pudemos conviver com brasileiros que mostraram suas visões experientes sobre a Europa. Compartilhamos momentos, dicas de lugares, cursos, trajetos, restaurantes. Essa mistura da cultura brasileira e italiana só acrescentou e elevou a experiência pessoal.

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SOBRE O AUTOR

As vantagens e desvantagens de ter amigos brasileiros no exterior

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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