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Austrália: Destino de Estudo

Engenheira ambiental conta sobre sua rotina profissional na Austrália

Entrevista com engenheira ambiental brasileira em Melbourne, na Austrália. Camila também já morou quatro anos em Dublin, na Irlanda.

Entrevista com engenheira brasileira na Austrália
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Camila Carnielli Trindade, 31 anos, é formada em Tecnologia de Saneamento Ambiental pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo e mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo. A espírito-santense mora no exterior desde 2009. Ela já estudou inglês e foi babá em Dublin e há dois anos trabalha como Analista de Dados da Qualidade do Ar, em Melbourne, na Austrália. Confira a nossa entrevista com a Camila!

 

Quando você se mudou para a Austrália? O que e onde estudou (ou estuda) no país?

 

Eu me mudei para Austrália em novembro de 2013 e a princípio vim trabalhar como voluntária em um instituto de pesquisa envolvendo qualidade do ar (minha área de formação). Depois de alguns meses nesse instituto, consegui meu atual emprego que me proporcionou o visto de trabalho aqui na Austrália.

 

Como surgiu a decisão de se mudar para a Austrália?

 

A Australia sempre foi minha primeira opção quando pensei em morar fora, devido principalmente ao clima e condições de emprego, no entanto, o processo de visto era um pouco mais demorado e caro, então decide ir à Irlanda primeiro. Depois de alguma temporada na terrinha verde, percebi que já tinha passado bastante tempo e eu deveria retornar à minha área de formação, então resolvi olhar o processo de visto australiano novamente.

 

Comprei a passagem com uns oito meses de antecedência (essa era uma forma de garantia para mim mesma que eu deixaria a Irlanda, pois acabei me acomodando um pouco por lá), em meio tempo enviei e-mails para as agências de proteção ambiental australianas solicitando uma possível vaga para trabalho voluntário. Com isso, consegui o contato do instituto de pesquisa e consegui uma vaga temporária com eles.

 

E em Dublin, quando se mudou para a Irlanda? O que e onde estudou lá?

 

Morei na Irlanda de junho de 2009 a outubro de 2013, primeiramente em Drogheda, uma cidadezinha no interior do país, e os três últimos anos em Dublin (uma cidade pela qual tenho um carinho muito especial, no qual sempre gosto de usar a frase de James Joyce: “Quando morrer Dublin estará escrito no meu coração”). Para aprimorar o idioma, estudei inglês nos dois primeiros anos de Irlanda.

 

Não consegui emprego na minha área de formação na Irlanda, por isso trabalhei como nanny durante minha temporada no país. O que foi uma excelente experiência para mim e que recomendo a quem quiser se aventurar por esse mundo a fora.

 

 

Como foi estudar e trabalhar na Irlanda? Você recomenda a experiência?

 

A Irlanda foi a minha primeira experiência de morar fora do Brasil, um lugar bem especial onde que eu aprendi o inglês (mas ainda continuo apreendendo). No primeiro ano, morei no interior do país e quase não tive contato com brasileiros, o que me ajudou bastante a aprender a língua, mas para ser honesta não foi uma experiência muito boa para o psicológico. É complicado se comunicar com outras pessoas em inglês quando você ainda não domina o idioma. Mas tenho que falar que as famílias irlandeses para as quais eu trabalhei como nanny/au pair foram super pacientes e sempre preocupadas com meu bem-estar.

 

O trabalho como nanny favoreceu o uso do idioma no dia a dia, as crianças (na maioria das vezes) adoram te ensinar novas palavras e te corrigir, o que foi bem gratificante para mim. Outro fato que pondero no meu tempo de estudo na Irlanda foi procurar me informar sobre escolas com boa qualidade de ensino e preferir pagar mais, se fosse o caso, por um aprendizado melhor.

 

Recomendo a Irlanda para quem quer estudar, é um país exorbitante e com muita história. Os irlandeses são brincalhões, te recebem super bem e adoram conversar (e adoram mesmo). O único detalhe da Irlanda é se você também precisa trabalhar, emprego tem, mas por conta da crise econômica que o país ainda passa, pode ser que demore um pouco até você conseguir algo que dê para pagar as contas.

 

Onde você trabalha em Melbourne? Há quanto tempo trabalha nesta função?

 

Trabalho para uma empresa que monitora a qualidade do ar em diversas partes da Austrália e no exterior. Estou no cargo como Analista de Dados da Qualidade do Ar há um ano e quatro meses e está sendo uma experiência gratificante para mim. Adoro meu emprego aqui, e me sinto orgulhosa quando olho para trás e me lembro de todo o caminho  que percorri até chegar onde estou hoje.

 

Como conseguiu o emprego em Melbourne?

 

A forma com que eu conseguir meu emprego foi até um pouco de sorte. Estava fazendo uma busca na internet por empresas que eu poderia enviar meu curriculum e quando estava olhando o site da minha atual companhia, fui na parte de vagas disponíveis e tinha um recado de “não vagas no momento, mas se quiser você pode enviar seu curriculum para o e-mail abaixo”. Enviei meu currículo e uma hora depois o departamento de recursos humanos da companhia me ligou para marcar uma entrevista. Eles estavam precisando de alguém, porém não tinham anunciado a vaga ainda. (Às vezes vale a pena arriscar, a gente nunca sabe o que pode estar nos esperando.)

 

Quais dicas você daria para os brasileiros que estiverem procurando por uma vaga profissional no exterior? 

 

Acho que a principal é não ter medo de arriscar. E não colocar a língua inglesa como empecilho, dizer sempre que o inglês não está bom vai acabar te fazendo ficar estagnado (a) no mesmo lugar. Outro fator importante é escolher um país onde o setor econômico esteja favorável e que haja possibilidades de conseguir visto de trabalho, pois o tipo de visto pode ser um requisito fundamental na conquista da vaga. A maioria das empresas busca profissionais para trabalhar o dia inteiro e, por exemplo, um visto de estudante que permite somente 20 horas semanais de trabalho pode não ser um atrativo para eles. E é claro sempre demonstrar motivação e interesse ao trabalho.

 

Mas também é preciso ter paciência, às vezes você precisa dar um passo para trás para depois dar dois para frente. No meu caso, eu juntei dinheiro para trabalhar uns meses como voluntária para aí sim tentar um emprego, afinal eu estava há mais de quatro anos fora da minha área de trabalho.

 

Como é a sua rotina profissional na Austrália? Quais as suas funções em seu trabalho australiano?

 

Trabalho das 8 da manhã às 4 da tarde, com carga horária de 37,5 horas semanais, o que particularmente eu adoro, pois me sobra um pouco da tarde pra fazer outras atividades. No trabalho, sou responsável por algumas estações de monitoramento da qualidade do ar, no qual tenho que verificar através dos dados que recebemos se os instrumentos estão funcionando corretamente. Analiso todos os dados e elaboro relatórios para serem enviados às empresas para as quais prestamos serviços.

 

Como é a cultura australiana? E a recepção dos nativos em relação aos estrangeiros?

 

A cultura australiana é pouco mais parecida com a brasileira do que a irlandesa, a meu ver. Creio que um pouco se deve pelo clima quente e uma cultura de praia, com um jeito mais descolado, sabe? Sem tanta formalidade quanto os europeus. Os australianos estão acostumados a lidar com estrangeiros o tempo todo, seja em ambiente de trabalho, com turista ou mesmo vizinhos. Particularmente eu só tenho coisas boas a falar da recepção que tive por eles desde quando cheguei. E eles adoram o Brasil e adoram estar em companhia de brasileiros.

 

Melbourne é consistentemente considerada a melhor cidade do mundo para se viver pela Economic Intelligent Unit. O que você acha da cidade?Consegue notar todas as qualidades exaltadas pela EIU? O que mais gosta nela?

 

Melbourne é uma excelente cidade multicultural, com uma riqueza de eventos culturais acontecendo o tempo todo. Recebemos grandes eventos como tênis, futebol e F1.  A cidade está sempre cheia com eventos acontecendo. E sempre todos são muito bem organizados. Adoro Melbourne, mas não sei se eu colocaria como melhor cidade do mundo para viver. Sou da área ambiental e esses fatores pesam no meu ponto vista, por exemplo uma coisa que me decepcionou um pouco quando cheguei aqui foi o transporte público (o transporte publico é bom, mas poderia ser melhor). E o que você ouve de todo australiano é: você vai precisar de um carro (estou resistindo para não comprar um).

 

Em relação aos outros fatores exaltados pela EIU, creio que Melbourne é uma cidade segura, com boa infra-estrutura e com ótima qualidade de vida. Porém com um custo de vida muito caro. O que mais gosto na cidade, acho que é ver como é verde esse lugar, apesar de ser uma cidade com mais de quatro milhões de habitantes as características verdes das vegetações predominam na cidade.

 

Você recomendaria a Austrália como destino de estudo para os brasileiros que estiverem procurando por um lugar para estudar no exterior? Por quê?

 

Sim, recomendo sem pensar duas vezes. Os australianos são pacientes e amigáveis, dois fatores importantíssimos para quem está aprendendo uma nova língua ou se dedicando a formações acadêmicas. O clima também nos ajuda a uma adaptação mais fácil ao país. E, de extra, o país oferece oportunidades de visto pra pessoas qualificadas e com domínio a língua oficial daqui.

 

O único problema da Austrália é a distância. É longe de casa (Brasil) e longe de muitos outros países para visitar (quando comparado a qualquer país europeu). Mas a Austrália em si já é um país lindo para se visitar com vários lugares magníficos para conhecer.

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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