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China: Financiamento Estudantil

Entrevista: Bolsista em mestrado de Relações Internacionais na China

Gustavo conquistou uma bolsa de estudo integral para cursar o Mestrado de Relações Internacionais da Jilian University, ministrado em inglês

Entrevista: Bolsista em mestrado de Relações Internacionais na China
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Gustavo Schmidt tem 29 anos e é de Piracicaba, São Paulo. Formado em Relações Internacionais e especializado em Língua Inglesa e Tradução, o brasileiro conquistou uma bolsa de estudo para cursar o Mestrado de Relações Internacionais da Jilin University, na China. Gustavo acaba de defender a sua dissertação. Ele conversou com o Hotcourses Brasil sobre o processo de seleção na universidade chinesa e a cultura acadêmica asiática.

 

Como você soube sobre a bolsa de estudo e como foi o processo seletivo para consegui-la?

 

Soube sobre a bolsa de estudo por meio de um colega que estava na China. O processo seletivo foi muito rigoroso, onde concorri com estudantes do mundo todo. O órgão responsável pela seleção foi o China Scholarship Council, subordinado diretamente ao governo chinês.

 

O que você precisou providenciar para o processo seletivo da bolsa de estudo e também para o visto de estudante?

 

Para o processo seletivo da bolsa de estudo, precisei providenciar os seguintes itens: exames médicos, tradução oficial do meu histórico acadêmico da graduação, cartas de recomendação, proposta de dissertação de mestrado e uma carta de motivação. Não foi necessária a tradução do meu histórico acadêmico para a língua chinesa. Os documentos foram traduzidos para a língua inglesa. Além disso, não me foi pedido nenhum teste de proficiência em inglês, muito embora o curso de mestrado tenha sido ministrado nesta língua.

 

Em relação ao visto de estudante, o processo foi relativamente simples. Ao receber a carta de admissão da Universidade de Jilin, juntamente com outros documentos, me dirigi ao consulado da República Popular da China em São Paulo, onde dei entrada no visto de estudante. Basicamente, o processo foi o de preencher um formulário disponível no próprio consulado, no qual você especifica a razão pela qual você deseja ir para a China, bem como o tipo de visto compatível para isso. Em seguida, entreguei o formulário com os outros documentos vindos da universidade. O processo de emissão do visto levou um dia.

 

A bolsa de estudo é integral? Ela inclui despesas adicionais? Ela valia para toda a duração do seu curso ou era renovável?

 

A bolsa de estudo era integral. Recebíamos a bolsa todo dia 12 durante quatro semestres (dois anos).

 

Como foi a sua adaptação ao país, à cultura chinesa e ao sistema de ensino local?

 

Minha adaptação foi tranquila. Convivi com estudantes de todo o mundo, então a adaptação ao país e ao sistema de ensino foi bastante suave.  Os costumes e a culinária local  são diferentes dos nossos. A presença de restaurantes estrangeiros e supermercados como Wallmart amenizaram o processo de adaptação. 

 

O que você achou do curso? O que foi mais desafiador? Ele é lecionado em inglês?

 

O curso foi lecionado em inglês. O ponto mais desafiador foi o de me adaptar ao estilo de ensino de outros professores estrangeiros, o que difere do que temos no Brasil. O curso foi muito instigante, empolgante, pois me proporcionou uma visão de mundo que eu provavelmente jamais teria acesso se tivesse permanecido no Brasil.

 

Quais são as principais diferenças que você notou entre o estilo de ensino dos professores universitários brasileiros e dos estrangeiros com quem teve aula na Jilin? E quais as nacionalidades dos professores do seu mestrado?

 

Tive professores da Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Alemanha e China. Os professores asiáticos buscam a memorização, pelos alunos, de informações e conceitos importantes durante as aulas. Os demais buscam a compreensão desses conceitos e a aplicação prática dos mesmos, incentivando o surgimento de perguntas e reflexões acerca dos mesmos. A diferença que eu senti no estilo de ensino foi a de que, no Brasil, existe um modelo tradicional de ensino que limita o potencial dos alunos. Temos um modelo de ensino primordialmente baseado na relação lousa-aluno, na qual os alunos passam a maior parte do tempo copiando o conteúdo e ouvindo a explicação do professor. Precisamos transformar os alunos em protagonistas, onde eles poderão questionar a realidade e, quem sabe, encontrar uma passagem para outro mundo.

 

 

Sobre o que se trata a sua dissertação?

 

Minha dissertação de mestrado foi sobre a guerra das Malvinas de 1982. Analisei o motivo pelo qual o Reino Unido optou em reagir ao ataque argentino e retomar o controle sob as ilhas. A justificativa mais aceita entre pesquisadores e acadêmicos seria o de que Londres buscava melhorar a imagem do governo Thatcher com a intervenção militar, unindo o povo em torno de uma causa comum. Ao levantar provas, pude contestar esta interpretação e propor uma nova abordagem, na qual o Reino lutou contra a Argentina por dois motivos: o primeiro deles seria a descoberta, na década de 1970, de jazidas de petróleo e gás natural ao redor das Malvinas. Isto estava sob ameaça, uma vez que existiam ameaças de invasão por parte da Argentina. O segundo motivo foi o de que Argentina e Reino Unido tinham, e ainda tem, disputas territoriais na Antártica. A perda de território por parte dos Britânicos enfraqueceria essa reivindicação sob uma área estratégica considerada a ultima fronteira terrestre em termos de recursos naturais, principalmente petróleo e gás natural. 

 

Quais foram as principais dificuldades da sua experiência na China?  E o quais forem as melhores surpresas e descobertas?

 

As principais dificuldades foram a língua chinesa e a mentalidade local. As melhores surpresas e descobertas foram as barreiras pessoais, acadêmicas e humanas que eu consegui expandir.

 

O que exatamente na mentalidade local?

 

O pragmatismo.

 

Você conseguiu aprender o mandarim durante a estadia? O que acha do idioma?

 

Não consegui. O aprendizado de um idioma leva muito tempo. No caso do chinês mais ainda. A estrutura gramatical da língua não se mostra difícil. Há quatro tons em chinês. Se você usa um tom diferente em uma palavra, ela tem um significado diferente daquilo que você quer dizer.

 

Você conseguiu viajar pelo país durante a estadia? Se sim, para quais lugares e como foram as viagens?

 

Viajei para Pequim, Harbin, Xangai e Suzhou. Com exceção de Pequim, as demais viagens foram patrocinadas pelo China Scholarship Council. Os estudantes internacionais têm direito de escolher dois destinos e eles oferecem comida, hotel e passeios.  O propósito dessas viagens consiste no enriquecimento cultural dos alunos em termos de China.

 

Onde você mora na China? Como conseguiu encontrar a moradia?

 

Morei em Changchun, província de Jilin, que faz fronteira com a Coreia do Norte. Consegui moradia porque a universidade possui um hotel para os estudantes internacionais.

 

Você estuda com pessoas de outras nacionalidades? Quais são os benefícios de estudar em um ambiente multicultural?

 

Sim, estudei e convivi com pessoas de todo o mundo, inclusive de países como Iraque, Síria e Coreia do Norte. O principal benefício de se estudar em um ambiente multicultural consiste em olhar para o mundo pelo ponto de vista do outro e comparar as dificuldades que eles enfrentam com os nossos problemas. Consiste, também, em fazer um balanço de como encaramos a vida em comparação a outros povos.

 

Você já teve outras experiências de estudos no exterior? Onde e como foram?

 

Morei um ano na Rússia e fui intercambista pelo Rotary International. Cursei a última série do ensino médio de lá. Era um requerimento do programa, e não um curso formal per se, tal como o mestrado que eu fiz na China.

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SOBRE O AUTOR

Entrevista: Bolsista em mestrado de Relações Internacionais na China

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.