Essenciais
Alemanha: Destino de Estudo

Entrevista: ser au pair na Alemanha

Conheça a história da brasileira Karina, que foi au pair e estudante de alemão em Hamburgo, Alemanha, por um ano

Entrevista: ser au pair e estudar alemão na Alemanha
1489

Karina Segantin, 29, é de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. Formada em Letras, com habilitação em alemão e português, ela resolveu aprimorar a fluência na língua alemã com um programa de au pair na Alemanha em 2011, em Hamburgo, onde morou por 11 meses. Conheça sua experiência a seguir!

 

Como e por que você se decidiu pelo programa de au pair na Alemanha?

 

Eu escolhi o programa de au pair por ter nele a oportunidade de viver com uma família alemã e aprender sobre a sua cultura, além de praticar o idioma diariamente.

 

Como foi o processo para encontrar uma host family? Você teve a ajuda de alguma agência?

 

Eu consegui uma host family (ou Gastfamilie, em alemão) através da agência APN, que é gerenciada por um alemão, o Oliver. Ele procurou a família e intermediou o contato e sempre foi muito prestativo durante todo o período do intercâmbio.

 

Como foi o processo para tirar o visto? Há diferença entre o visto de au pair e o de estudante?

 

Para obter o visto de au pair foi preciso apresentar alguns documentos ao consulado alemão: contrato assinado pela futura au pair e pela família alemã, carta convite assinada e preenchida pela família, passaporte, 2 fotos biométricas (3,5 x 4,5), certificado de proficiência em língua alemã (mesmo assim, eles fazem uma pequena entrevista em alemão para verificar seu conhecimento do idioma), requerimento de autorização de residência, comprovante do seguro de saúde, e o pagamento de uma taxa de € 60.

 

Já para obter o visto de estudante é preciso ter em mãos, além da admissão de estudo na Universidade desejada (Zulassungsbescheid der Hochschule), os seguintes comprovantes: seguro de saúde, financiamento de moradia, histórico escolar, proficiência em língua alemã. 

 

Como foi a sua adaptação ao país e à cultura alemã?

 

No começo foi um pouco estranho. É bem diferente estudar uma língua estrangeira de longe, com livros e áudios, e estudar no país falante daquela língua com todas as suas variações linguísticas. Você vive o idioma no dia a dia e aprende muito mais, principalmente com as crianças da família. Foi mais difícil me adaptar em relação à alimentação; a casa onde eu morava tinha pão com manteiga e geleia todo café da manhã e não tinha almoço nos fins de semana, se quisesse comer na rua tinha que pagar um restaurante mais caro ou tinha que comer fast-food. Nunca vi restaurante por quilo lá. Já quanto ao trânsito, os motoristas param para os pedestres passarem na faixa e já levei muita buzinada por parar antes de atravessar na faixa ao avistar um carro com medo de ser atropelada (no Brasil a chance de isso acontecer é bem grande). 

 

Acervo pessoal de Karina: Rathaus, a prefeitura de Hamburgo.

 

Quais as principais diferenças que você notou entre a cultura brasileira e a alemã?

 

Os alemães são bem diretos, eles falam o que deve ser dito claramente e sem meias palavras (até mesmo porque em alemão meia palavra já é bem grande :D). Para os brasileiros isso seria grosseria. Brasileiros gostam de indiretas e isso não funciona com os alemães, ou você fala o que realmente quer ou não será entendido. E apesar de o povo brasileiro ser considerado acolhedor e carismático, e o alemão ser visto como reservado, pude notar nesse tempo que vivi lá, que os alemães conseguem respeitar muito mais as outras pessoas e as leis pensando no bem coletivo, para que tudo funcione como deve (vide a situação da faixa de pedestre que eu contei na resposta anterior). E eles, também, valorizam muito os dias ensolarados. É bastante comum as pessoas se reunirem em parques para tomar sol e fazer piquenique/churrasco (ou uma farofada, como diríamos no Brasil) nos fins de semana.

 

Pela sua experiência, quais os prós e os contras da homestay?

 

As vantagens são as oportunidades de viver momentos bem bacanas com uma família que te acolhe bem, de conhecer pessoas interessantes e aprender coisas novas tanto no idioma quanto na vida. A desvantagem é a dificuldade de se estabelecer corretamente os dias/horários que você deve trabalhar na casa e os dias/horários que você está de folga, afinal você mora no seu trabalho.

 

Você estudou durante a sua estadia? O que e onde?

 

Sim, eu estudei língua alemã na Volkshochschule durante toda a minha estadia em Hamburgo, na Alemanha. A Volkshochschule (VHS) é uma instituição subsidiada pelo governo que oferece cursos de idiomas, profissionalizantes e culturais, principalmente para imigrantes. Quase todas as cidades da Alemanha têm uma VHS e o preço é bem camarada.

 

Você conseguiu viajar para outros lugares/países durante o intercâmbio? Para onde?

 

Felizmente consegui viajar bastante nesse quase um ano de intercâmbio porque há diversas formas de viajar gastando pouco na Europa. Promoções de companhias aéreas de baixo custo, carona através de um site confiável, promoções de trem, ônibus de excursão. Além de viajar para algumas cidades da Alemanha mesmo, como Berlim, Colônia, Dresden, Munique, pude conhecer um pouco de Barcelona, Paris, Roma, Salzburg, Praga, Londres, Zurique e Amsterdam.

 

Acervo pessoal de Karina: Castelo Neuschwanstein em Füssen, na Alemanha, que serviu de inspiração para Walt Disney.

 

Você recomendaria a Alemanha para quem estiver considerando o país como destino de estudo? Por quê?

 

Sem dúvidas. Recomendo para quem quer aprimorar o idioma, também para quem quer complementar os estudos de graduação e pós-graduação. A Alemanha é um país rico em cultura, em história, em arquitetura, em sustentabilidade. É um país que te agrega muito conhecimento e muitas experiências boas.

Pesquise por cursos

Alemanha
Graduação
SOBRE O AUTOR

Entrevista: ser au pair e estudar alemão na Alemanha

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

Leitura recomendada