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Entrevista: Cursar um mestrado na Holanda

O paulistano Gabriel Maschião conversou com o Hotcourses sobre a sua experiência de trabalho em Londres e de estudos em um mestrado em Leiden, na Holanda.

Mestrado na Holanda
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Gabriel Maschião tem 28 anos e é de São Paulo. O paulistano já trabalhou em Londres, na famosa London School of Economics, e atualmente está prestes a concluir o seu Mestrado em Psicologia do Consumidor e Economia pela Universidade de Leiden, na Holanda. Gabriel conversou com o Hotcourses Brasil sobre a sua experiência de trabalho e de estudos nestes dois países incríveis. Inspire-se com a entrevista e encontre o seu curso no exterior! 

Quando você se mudou para a Inglaterra? O que e onde estudou lá?

Após me formar em Psicologia no final de 2010 pela PUC-SP e trabalhar por um ano em uma consultoria de Recursos Humanos no Brasil, decidi me mudar para a Inglaterra em abril de 2012. Minha ideia inicial era fazer um curso de inglês voltado para negócios (Business English) porque já tinha certo conhecimento do idioma, mas ainda necessitava melhorar a conversação e ampliar vocabulário. No entanto, ao fazer testes de conhecimento para ingresso nas escolas, me disseram que meu nível de inglês já era suficiente para ser desenvolvido com mais autonomia. Desse modo, decidi encontrar um emprego no qual pudesse praticar inglês e ao mesmo tempo financiar as despesas mensais.

 

Como conseguiu o emprego em Londres?

Meu primeiro emprego foi em uma loja de esportes em uma das principais ruas comerciais de Londres. Lá realizava desde o descarregamento da mercadoria até o atendimento a clientes no caixa. O que auxiliou essa primeira contratação foi ter demonstrado bastante disponibilidade, energia e o fato de ser flexível com relação à carga horária de trabalho.

Após seis meses no mesmo cargo, passei a aplicar para outras oportunidades, até que consegui uma vaga para trabalhar com pesquisa pela Faculdade de Economia de Londres (LSE). Nesse momento já possuía um bom nível de inglês, e minha formação como Psicólogo pela PUC e a minha experiência de trabalho (como recrutador) no Brasil fizeram grande diferença no processo seletivo.

 

Quando você se mudou para a Holanda? O que e onde estuda no país?

Após um ano trabalhando em projetos pela LSE, decidi investir em minha educação a partir de um curso que unisse minha formação em Psicologia com minha experiência de trabalho na Inglaterra. Por essa razão decidi fazer mestrado em Psicologia do Consumidor e Economia pela Universidade de Leiden, na Holanda em setembro de 2014.

O curso tem a duração de um ano e é muito intenso, exigindo dedicação integral. O primeiro semestre é mais voltado para estudo de artigos científicos, apresentações e embasamento teórico, enquanto que no segundo semestre há um foco maior na realização de estágio para aplicação do conhecimento obtido e formulação da tese de mestrado. Apesar da carga de aula ser relativamente baixa quando comparado a cursos no Brasil, é exigido do aluno um longo período para realização de tarefas fora do horário de aula, o que demanda um alto grau de organização e disciplina.

 

Pela sua experiência, quais são as principais diferenças entre o processo seletivo na Inglaterra e na Holanda? Ter um passaporte europeu facilitou o processo?

Não cheguei a participar de processo seletivo para ingresso em mestrado na Inglaterra, mas a partir da pesquisa que fiz para a escolha do curso pude notar uma série de semelhanças. Exigências tais como o envio de duas cartas de recomendação; avaliação de seu desempenho na graduação; e apresentação de teste (IELTS ou TOEFL) para comprovar domínio da língua inglesa estão presentes nos dois países. Tomei a decisão de cursar o mestrado na Holanda não somente pela especificidade da temática desse curso, mas também porque a mensalidade e o custo de vida na cidade são mais baixos que na Inglaterra.

O passaporte europeu não fez grande diferença no processo seletivo, mas foi de grande ajuda para a viabilização do mestrado, pois para estudantes pertencentes à União Europeia a mensalidade é muito menor.

 

Como é a sua rotina de estudos na Holanda? A cultura acadêmica é muito diferente da brasileira e inglesa?

Do que pude perceber, Inglaterra e Holanda guardam semelhanças grandes no que se refere à cultura acadêmica. Ambos focam o aprendizado na figura do aluno, sendo o professor um agente facilitador desse processo. Desse modo, é requisitado que o aluno tenha autonomia em suas ações e consiga gerenciar seu tempo de estudo de modo efetivo. Uma diferença que me chamou a atenção com a relação ao meu curso de graduação foi a disponibilidade de recursos tecnológicos em todo o campus da Universidade. A base de dados dos alunos é toda informatizada, todas as aulas que presenciei foram através de apresentações em retroprojetores e os professores parecem confortáveis com a utilização desses recursos.

Além disso, o curso de Psicologia aqui, tanto para o Bacharelado quanto para o Mestrado, tem um foco muito grande em somente uma das diversas abordagens possíveis na área de Psicologia, que é a Psicologia Cognitivo-Comportamental. Tal visão de Psicologia é a que mais aproxima o estudo da psique ao conhecimento das ciências naturais. De modo que o campo da experiência sensível é codificado em números adquirindo valor estatístico. Tal enfoque foi interessante, pois me permitiu compreender como funciona de fato a produção de conhecimento científico em escala mundial.

Por outro lado, os cursos de Psicologia no Brasil apresentam uma visão mais ampla, tratando com mais profundidade a diversidade de abordagens psicológicas, criando agenciamento não somente com as ciências naturais, mas também com as ciências humanas, arte e literatura.

A minha rotina de estudante foi sempre acordar muito cedo, realizar uma atividade física no início da manhã, depois ir pedalando até um dos prédios da Universidade, ora na biblioteca principal, ora assistindo aulas na Faculdade de Ciências do Comportamento. Chegando lá, inicia-se a rotina de estudos que vai até o final da tarde, contando com alguns intervalos para trocar conhecimento com outros alunos e tomar café. Já no final da tarde, início da noite, ou há confraternização com outros estudantes, ou um retorno para a casa para organizar o dia seguinte.

 

Você trabalha na Holanda?

O curso de mestrado exigiu dedicação integral nos estudos. Realizei aqui um estágio em pesquisa pela própria Universidade sob a supervisão do Coordenador do curso de Psicologia do Consumidor e Economia. O estágio foi obtido por conta do contato que tive ao longo das aulas e por apresentar bom desempenho acadêmico. Por vezes, tentei estágio em empresas, mas encontrei certa dificuldade, pois mesmo em multinacionais, dá-se privilégio para estudantes que dominem tanto o inglês quanto o holandês.

 

Como é a perspectiva internacional no seu curso na Holanda? Há muitos estudantes de diferentes nacionalidades na sua turma?

Em meu curso éramos aproximadamente 60 pessoas, sendo oito estrangeiros e em torno de 52 holandeses. As aulas eram todas ministradas em inglês. Foi mais natural estabelecer um contato maior com os estudantes também estrangeiros, uma vez que os estudantes holandeses, apesar de fazerem esforços contrários, acabavam se comunicando mais em sua língua materna. O benefício de ter uma quantidade pequena de estudantes estrangeiros é que forma-se um grupo mais coeso e próximo, no entanto, perde-se a experiência de troca com a cultura local. Tive sorte de ter um contato maior com holandeses por andar de skate e ter estabelecido laços de amizade com a comunidade local. Para futuros estudantes, recomendo ter algum tipo de atividade de lazer que se situe fora do ambiente acadêmico, justamente para ter um contato mais próximo com a cultura do país que for visitar.

Eu sou o primeiro brasileiro a obter o diploma nesse curso, no entanto, nas outras áreas da Faculdade como Psicologia Clínica ou o setor de Direito Internacional tem uma diversidade maior de estudantes de diferentes nacionalidades.

 

Como é a cultura holandesa? E a recepção dos locais em relação a estrangeiros?

Os holandeses são muito receptivos e possuem bom entendimento da língua inglesa. Com relação ao estudo, são bastante disciplinados e focados. Realizam um planejamento consistente de seu programa de estudos e reservam um período para lazer. A experiência na cidade foi algo muito impactante em minha experiência ao longo desse ano. O principal meio de transporte aqui é a bicicleta, gerando uma atmosfera leve e descontraída.

Um fator que incomoda é a condição climática, tendo diversos dias de cinza sobre cinza, garoa e ventos fortes. Essa condição faz com que todos valorizem cada raro dia de sol que se têm ao longo do ano.

Agora que está se formando, qual será o próximo passo? Pretende continuar no exterior?

Agora formado, pretendo permanecer em Londres nos próximos seis meses enquanto organizo o projeto para me candidatar a um programa de Doutorado. Ainda não vejo condições de retorno para o Brasil, mas em longo prazo retorno ao meu país de origem, que aprendo a valorizar cada dia mais.

 

Você recomendaria a Holanda como destino de estudo para os brasileiros que estiverem procurando por um lugar no exterior?

Recomendo a Holanda, mais especificamente Leiden, para aqueles que estão em busca de novos desafios que vão além de um mero aprimoramento acadêmico. Para aqueles que têm interesse em conhecer outra cultura, projeto de cidade e rotina de vida, Leiden é uma excelente opção!

 

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SOBRE O AUTOR

Mestrado na Holanda

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.