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Estudar na Inglaterra: o depoimento de uma estudante americana

Estudante americana conta as diferenças entre estudar nos Estados Unidos e na Inglaterra.

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Você se mudou para sua acomodação estudantil no exterior, já fez algumas novas amizades, e frequentou todas as atividades sociais de recepção realizadas pela instituição nos seus primeiros dias no país. Agora, chegou a hora de estudar. As aulas já devem ter começado, e você descobrirá que a cultura acadêmica neste país é diferente da brasileira. Além disso, há a preocupação de saber onde ficam suas salas de aulas e como encontrá-las sem se atrasar nos primeiros dias! É corrido e estressante e acontece com qualquer um; mas a grande maioria passa por essa experiência sem maiores problemas. É só o início de uma experiência incrível de aprendizados.

 

A nossa blogger americana do Hotcourses Abroad, Emilia, escreveu sobre a sua experiência como estudante da graduação de Italiano no sistema de educação superior britânico, e os diferentes desafios que precisou enfrentar. O relato da intercambista é uma prova de que, mesmo quem já tem o inglês como língua oficial, ainda há muito que aprender e se adaptar. Leia a tradução do post da americana a seguir!

 

"Quando eu comecei a universidade, eu estava tão preocupada com a ideia de ter que me adaptar a uma nova cultura (tanto a cultura inglesa quanto a cultura universitária geral) que eu acabei nem pensando muito em como seriam minhas aulas e seminários. Mesmo agora, escrever sobre minhas horas de contato em sala de aula me ainda parece estranho. Apesar de eu ter que pensar um pouco para me decidir se eu deveria pronunciar "REN-ai-ssance" ou "ren-AI-ssance" (a primeira pronúncia americana, e a segunda, britânica) antes de falar, eu ainda deixo escapar termos americanos (como lectures, seminars e tutorials) e a palavra school (escola) para me referir à universidade, confundindo as pessoas à minha volta. 

 

As aulas da minha universidade britânica são bem parecidas com as que eu tinha na minha "school" americana, então não vivenciei um choque cultural muito grande durante a transição. Nós tivemos algumas aulas bem cheias de alunos — apesar de que "aula cheia" em um departamento com 60 estudantes calouros é relativo –, mas a maioria das aulas era em salas e turmas pequenas. Eu dividi meu tempo entre cinco horas semanais de estudos da língua, duas para módulos de conteúdo, e uma para uma unidade extra. No total, eu passava nove horas semanais sentada em salas de aula; bem menos do que eu estava acostumada.

 

A minha maior dificuldade real foi me ajustar à estrutura da minha universidade britânica. Este foi outro aspecto bastante diferente entre as duas culturas universitárias. Após ter aulas extremamente participativas no colegial, as aulas na universidade britânica eram bem menos focadas na participação dos estudantes. Claro, a participação era esperada, mas as idéias e opiniões não eram compartilhadas o tempo todo e com o mesmo vigor do que nas minhas antigas aulas colegiais. Na Inglaterra, as lições de casa, a frequência e a participação em sala de aula não contribuíam com a nota final. No entanto, viver à "sombra" dos meus hábitos americanos fez com que eu ficasse presa à ideia de que eu deveria ir a todas as minhas aulas senão eu reprovaria.  Meus colegas de classe britânicos claramente não pensavam da mesma forma, e faltavam às aulas despreocupadamente. Mesmo com esta diferença entre as duas culturas universitárias, se há um conselho que eu daria aos estudantes que estão começando na universidade é: frequente todas as suas aulas. Não importa quão entediante ela seja, ou quão cedo ela comece. O simples fato de estar na mesma sala que o seu professore e (alguns dos) seus colegas de classe incitará a motivação necessária para manter o foco em seus estudos.

 

No começo, achar as suas salas de aula será um desafio, falar em frente a outros estudantes dará medo, e organizar o seu tempo além das salas de aulas será uma luta constante. Comprar livros para as minhas aulas ainda me irrita irracionalmente (eu preciso mesmo gastar tudo isso!?).

 

Quanto aos estudos acadêmicos propriamente ditos, o mais desafiador para mim é a estrutura de avaliação. Nos Estados Unidos, tudo conta – o que significa que inevitavelmente tudo influencia sua nota final. A avaliação não é feita anonimamente e as provas não são tão controladas. Apesar de apreciar estes aspectos das universidades britânicas, eu estou constantemente batalhando entre o que eu sou em sala de aula e o que eu sou durante as avaliações, o que nem sempre se combinam perfeitamente como eu gostaria. Durante as horas em sala, eu participo, contribuo com as questões, faço anotações, e minhas leituras são meticulosamente marcadas com grifa-texto; eu pareço uma estudante nota A. 

 

Meus trabalhos acadêmicos, entretanto, nem sempre estão de acordo. Mudar da forma livre à qual eu estava acostumada a fazer meus trabalhos nos EUA, nos quais eu podia escolher escrever sobre o que quisesse e argumentar como quisesse, para uma forma bem mais estruturada com instruções pré-selecionadas foi uma das maiores dificuldades acadêmicas que eu enfrentei durante os primeiros anos no sistema britânico. De certo modo, isto ainda é um desafio. Nos Estados Unidos, nós sonos usuários fiéis do estilo de escrita da MLA; esta é, inegavelmente, desde nossa primeira redação, a forma como devemos escrever nossos trabalhos. Na Inglaterra, existem vários estilos de escrita e eles vão depender de acordo com seu professor.

 

Todo estudante universitário tem que se acostumar com os trabalhos acadêmicos, mas estes desafios são específicos de quem vem de uma cultura diferente. Eles surgem de formas imprevisíveis. A única coisa que realmente é previsível no começo dos estudos é que todos terão de lutar para se adaptar à nova rotina. Não sei quanto a você, mas eu acho esta luta bastante renovadora."

 

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Traduzido e adaptado de Hotcourses Abroad

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SOBRE O AUTOR

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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