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Psicóloga explica como se preparar emocionalmente para experiência intercultural

Experiência internacional e intercultural são a mesma coisa? Como aproveitar de fato a experiência? Quais são os benefícios profissionais de um contato intercultural? Você aprende aqui.

Psicóloga explica como se preparar emocionalmente para experiência intercultural
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Estar preparado para um intercâmbio não significa apenas contratar os serviços da melhor agência, ter o orçamento adequado ou escolher o melhor destino e a melhor universidade. De fato, o sucesso de uma experiência intercultural está intrinsecamente relacionado ao preparo emocional e intelectual do intercambista.

 

Viver uma experiência intercultural exige predisposição e, quando bem-sucedida, os benefícios vão muito além do aprendizado de um novo idioma e um novo carimbo no seu passaporte.

 

O Hotcourses Brasil entrevistou a psicóloga Karen Góes, especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, com experiência internacional de estudo e trabalho em quatro países. Karen é fundadora da empresa Bloom Desenvolvimento Intercultural e coordenadora de treinamentos interculturais pela SIETAR Brasil.

 

Ela explica como estar preparado emocionalmente para o seu intercâmbio e como aproveitar de fato a experiência.

 

O que significa ter uma experiência intercultural?


Por vezes tomamos a experiência internacional e intercultural como sinônimos, mas é preciso entender que  estar em um ambiente cultural diferente não significa  vivenciar uma experiência intercultural.


Mais do que somente aprender um novo idioma, viajar ou conhecer pessoas, a experiência intercultural vai além da internacional e envolve trocas, reconhecimento de diferenças, respeito, aprendizagem, crescimento e desenvolvimento pessoal.
 

O que intercambista precisa fazer para ter uma experiência intercultural mais completa e significativa?


Esta experiência está diretamente relacionada com a personalidade, atitudes comportamentais e bagagem que cada um carrega, mas não se restringe a isso. Um primeiro passo é compreender a nossa própria cultura, pois somos fortemente influenciados por ela. A cultura afeta a maneira como percebemos as situações, como nos comportamos e pensamos e, quando mudamos de país, todos esses elementos são desafiados.


Saber lidar com diferentes formas de pensar, agir e se relacionar será necessário e requer novas habilidades para ter sucesso no intercâmbio. Dessa forma, é necessário que o intercambista tenha uma disposição genuína e verdadeira para mudança - mudança de casa, de idioma, de país, de cultura e principalmente, mudança de si mesmo.

 

Quais os benefícios do desenvolvimento intercultural para a vida pessoal e profissional de uma pessoa?

 

Como resultado do processo de adaptação a uma nova cultura, o estudante é desafiado a sair da sua zona de conforto, desenvolver habilidades de competência intercultural para conquistar independência, maturidade e protagonismo na sua vida. Esse desenvolvimento reflete também em sua vida profissional, tornando-se um profissional mais aberto/flexível a mudanças no ambiente organizacional e facilitando o trabalho em equipes com grande diversidade (de cultura, de gerações e de funções).

 

Segundo uma pesquisa Future Work Skills 2020 do Institute for The Future, localizado em Palo Alto (EUA), realizada para a Universidade de Phoenix, a competência intercultural está entre as dez competências chaves para os profissionais de sucesso até o ano de 2020 e isto não engloba apenas profissionais que terão de trabalhar em cenários internacionais, mas todos os trabalhadores no mundo corporativo.


Assim, participar de um programa de intercâmbio e ter uma vivência intercultural é uma grande oportunidade de autoconhecimento para transformar desafios em aprendizados e capacitar o estudante para um mercado de trabalho com novas demandas.

 

Como o estudante pode se preparar para um intercâmbio a fim de amenizar o choque cultural e agilizar a adaptação em outro país?


Pesquisar sobre o país (história, religião, economia, costumes) e também conversar com pessoas que já viajaram são ações que auxiliam o estudante. Além disso, consideramos fundamental preparar-se internamente – o emocional e o intelectual.  Visando facilitar o processo de adaptação e ter êxito no intercâmbio, sugerimos um treinamento intercultural realizado antes do embarque.


O treinamento intercultural contribui com a preparação do estudante, pois através dele é possível compreender o ciclo de adaptação, o stress cultural, a comunicação intercultural, os sentimentos envolvidos, dentre outros elementos que tornarão a adaptação mais rápida e amenizarão as dificuldades do estudante.


Um equívoco frequente que percebemos são os intercambistas se preocuparem em excesso com agentes externos tais como a escolha da melhor agência, instituição de ensino onde irão estudar, o destino ideal e o processo de visto acreditando que isso será garantia de sucesso. Tais elementos são importantes, entretanto, em meio a tantos agentes externos, se esquecem de preparar o mais importante - a si mesmos. 


É preciso ter a consciência que a experiência trata-se mais de si do que do outro, do comportamento que o próprio estudante terá frente as situações que irão surgir diante de uma nova cultura e este é um dos enfoques dessa modalidade de treinamento.

 

(Karen Góes durante sua apresentação no III Fórum Brasil de Educação Internacional 2017.)
 

E de que forma as universidades brasileiras podem ajudar nesta preparação dos estudantes internacionais?


As universidades têm um papel muito importante na mobilidade acadêmica e no auxílio de questões administrativas que facilitarão o acesso do estudante ao curso desejado. Além dessas questões práticas, as universidades devem apoiar a educação internacional, ou seja, devem fornecer suporte ao desenvolvimento acadêmico e intercultural do estudante.

 

Tal como muitas universidades estrangeiras, que já investem na formação intercultural dos estudantes pra que estes tenham êxito em sua missão internacional, as universidades no Brasil devem fomentar e incentivar treinamentos interculturais, de forma a reconhecer e valorizar a experiência intercultural. Assim os estudantes estarão mais capacitados não apenas para uma vivência acadêmica, mas para se tornarem cidadãos globais que pratiquem atitudes como: flexibilidade, respeito, proatividade, observação, curiosidade e protagonismo.

 

Além da adaptação ao novo país, o intercambista também passa pela fase de readaptação quando ele retorna para o Brasil. Como ele também pode se preparar para o retorno, considerando todas as habilidades e conhecimentos adquiridos com a experiência intercultural?

 

Devemos ter em mente que o retorno é também uma nova migração. A ida e o retorno fazem parte da mesma experiência e envolvem sentimentos diversos, um novo processo de adaptação e aprendizagem.


Por vezes existe a ilusão de que basta descer do avião para sentir-se em casa. A volta para o país de origem após um período fora pode ser tão custosa quando a ida, pois trata-se de uma (re)adaptação: de um novo cidadão, com novos olhares, perspectivas, horizontes e a uma realidade deixada que pouco (ou em nada) se alterou.


É importante que o intercambista reúna na sua bagagem todas as conquistas, experiências, vivências e habilidades: são todas dele, não ficaram no país onde viveu, ele pode carregá-las onde quer que vá.  O convite é para que o intercambista se aproprie de todos esses elementos e permita-se seguir vivendo novas experiências no Brasil também, colocando em prática suas novas habilidades, desafiando a sua zona de conforto, revendo conceitos e vivendo novas descobertas - sonhos, planos e projetos.
 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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