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Estude no exterior : Destino de Estudo

Entrevista: experiência de estudo e trabalho em Londres, Lyon e Dublin

Entrevista: experiência de estudo e trabalho em Londres, Lyon e Dublin

Após se formar em Letras na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), no interior de São Paulo, Nara Marino estudou três meses em Londres, no Reino Unido; dois meses em Lyon, na França; e, por fim, morou por dois anos em Dublin, onde trabalhou e adquiriu fluência na língua inglesa.

 

Com dois anos e meio de experiência de vida na Europa e 15 países conhecidos nesse período, a professora compartilhou com o Hotcourses Brasil sobre a escolha dos seus destinos, a qualidade de seus cursos e como é viver em cada um desses países.

 

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Por quais razões você escolheu Londres como seu destino de estudo?

 

Ir para Londres sempre foi um sonho. Sempre achei a cidade bonita e sempre preferi o sotaque britânico. Além disso, eu já havia trabalhado como professora de Inglês e sentia que precisava dar evoluída maior no idioma.

 

Mas na verdade, meu objetivo principal não era exatamente estudar. Meu objetivo era ir: comprar uma passagem e ir pra algum lugar, então o curso foi como uma justificativa, um jeito de unir o útil ao agradável.

 

Entrevista: brasileira estudou em Londres, Dublin e Lyon

 

Como foi a busca e escolha pela sua escola/curso no Reino Unido?

 

Como eu estava terminando a faculdade, sabia que não teria muito tempo para pesquisar sozinha, então fui em algumas agências até me decidir pela C.I. (Central de Intercâmbio) de Piracicaba que me ofereceu preços melhores.

 

Em qual escola você estudou e por quanto tempo? Como era a sua rotina de aulas?

 

Eu estudei na St Giles que era uma escola acessível mas muito conceituada, e que tinha um público mais adulto, mais da minha idade. Estudei lá 3 meses. As aulas eram à tarde, o que possibilitou que eu tivesse uma rotina bem tranquila, mas acho que teria sido melhor estudar de manhã, pois acho que me daria mais tempo pra fazer outras coisas.

 

Como foi a experiência de viver em Londres? Você conseguiu aproveitar a cidade?

 

Foi incrível e até hoje penso que deveria ter ficado mais. No ano seguinte aliás, quando eu estava morando em Dublin, passei 1 semana em Londres para comemorar meu aniversário.

 

Cada bairro lá é único e como é uma cidade muito grande, sempre tem coisas novas pra conhecer. Cada final de semana eu escolhia algum destino e eu lembro que eu e uma amiga sempre preferíamos pegar o ônibus ao invés do metrô, porque assim veríamos a cidade.

 

No primeiro mês eu morei em Essex, numa casa de família, o que eu não gostei muito, e demorava 1h de metrô pra chegar na minha escola que ficava no centro. Depois me mudei para um bairro mais próximo do centro. Era em um bairro de judeus ortodoxos, o que foi muito interessante porque morando no interior de São Paulo não temos acesso a tantas culturas diferentes.

 

Por que decidiu-se pela França ao acabar o curso em Londres? Onde você morou? Estudou algo nesse período?

 

Eu tinha me programado para ficar 6 meses na Europa, mas eu não conseguiria passar meus 3 meses restantes viajando, tanto por questões financeiras quanto por ser muito cansativo.

 

Eu já havia estudado francês um tempo então achei um curso relativamente barato porque não era Paris, era em Lyon, e resolvi ir. Eu tinha o básico do Francês, e achei que dar uma impulsionada em um outro idioma seria bom.

 

Só que dois meses é muito pouco quando você só tem o básico, então não aprendi tanto. Mas de qualquer forma foi uma experiência muito gostosa. 

 

Como foi a sua mudança para Dublin? Onde e por quanto tempo morou na Irlanda?

 

Entrevista: brasileira estudou em Londres, Dublin e Londres

 

Como eu disse, eu tinha me programado para ficar 6 meses na Europa, mas no fim desse período eu ainda não queria voltar pra casa. Eu tinha visitado um amigo que mora em Dublin e gostei muito da cidade, e a Irlanda tem um programa de intercâmbio bem interessante para o brasileiro, porque estudando Inglês você tem permissão para trabalhar. Em outros países, o mais comum é o de Au Pair, onde você mora na casa de uma família e trabalha de babá, mas esse não é o meu perfil.

 

Em Dublin funcionava assim: você comprava o programa de 1 ano, estudava 6 meses e podia trabalhar por 20hrs semanais. Os outros 6 meses eram “vacations” e você podia trabalhar 40hrs. Hoje não é mais assim. Eu fui embora no final de 2016, no momento que mudou para 8 meses e limitaram o trabalho para 20hrs. Agora não sei como está.

 

Eu morava no melhor bairro da cidade, Temple Bar, que fica bem no centro, é um bairro turístico com muitos bares. Por sorte, o prédio ficava numa viela (lane), então não ouvíamos o barulho dos bares nem a música. Em compensação, ouvíamos pessoas na rua e algumas brigas…

 

Morei lá por 2 anos. Eu ainda poderia ter renovado o visto por mais uma vez, mas como haviam mudado as regras, agora o visto valeria por apenas 8 meses. Como eu já era fluente, eu não aguentaria passar mais 6 meses em uma escola de Inglês; além disso, esses 8 meses seriam o inverno e a primavera, e eu teria de ir embora antes do verão chegar. O inverno na Europa pode ser bem deprimente, então resolvi voltar.

 

Como foi o período em que viveu em Dublin? O que estudou/com que trabalhou por lá? 

 

Eu nem lembro como eu escolhi a escolha, mas eu lembro que estava na França e fiz cotação em várias escolas pelo site. No primeiro ano, escolhi uma escola muito boa, mas que ainda era bem acessível, a Delphin. O preço mais caro não necessariamente indica que é a melhor, apenas que está mais “conhecida”. As mais baratas costumam ter professores sem muita experiência, então depende muito do professor que você tiver.

 

A melhor forma é por indicação, mas também há o problema de que muitas escolas tem muito brasileiro, o que dificulta o aprendizado. A Delphi na época não tinha tanto brasileiro, era bem misturado, e no geral os professores eram muito bons. Aprendi bastante, foi o momento que eu senti que realmente meu Inglês evoluiu e consegui tirar o certificado de Proficiência da Cambridge (CPE). No segundo ano, como muitos fazem, só estudei porque era necessário para renovar o visto, então escolhi a escola mais barata, que era bem ruinzinha.

 

A questão de trabalho muda muito conforme a sua área. Áreas como enfermagem, engenharia e principalmente T.I. são muito requisitadas lá. Como não era o meu caso, fui procurar trabalho em loja, café, etc. Meu salário principal vinha da faxina de residência, o que era no geral um trabalho pesado fisicamente, mas bem tranquilo e pagava bem, pois é por hora. Também trabalhei de barista num café numa fazenda na cidade por 1 mês, trabalho esse que eu detestei.

 

Também fui professora de Português para estrangeiros numa ONG sobre temas latino americanos, e tive 4 turmas ao longo de um ano e meio, o que foi um desafio muito enriquecedor. Além disso, tive oportunidade de trabalhar como voluntária num brechó para a Sociedade Irlandesa do Câncer. Foi uma experiência muito proveitosa.

 

Tendo vivido na Inglaterra, França e Irlanda, o que achou do estilo de vida europeu? De acordo com sua experiência, quais seriam os pontos positivos e negativos?

 

Entrevista: brasileira estudou em Londres, Dublin e Lyon

 

Minha experiência maior foi na Irlanda, não apenas pelo tempo mas porque eu trabalhava lá, então eu tive a oportunidade de ter uma vida “normal”. Os irlandeses tem algumas coisas bem parecidas com os brasileiros, são bastante simpáticos e amigáveis, e bem festeiros. A música é muito forte na cultura deles, a maioria das pessoas canta ou sabe tocar algum instrumento.

 

Existe lá uma cultura dos “pubs” também, mas não só pela bebida. Sim, eles bebem bastante, mas a questão é o costume de ir no pub antes de voltar para casa, de socializar lá, encontrar os amigos, e uma das coisas que mais nos surpreende de forma positiva é que não existe o preconceito de idade que existe aqui, o mesmo pub é frequentado por pessoas de todas – todas – as idades.

 

Um ponto negativo porém é que no geral, por mais que eles sejam amigáveis, eles dificilmente se tornam amigos, em especial a geração mais próxima da minha (33 anos) e mais velha. Os mais jovens já são mais acostumados à imigração então são mais abertos. É muito comum, quando a gente mora fora, vivermos numa “bolha” ou da nossa nacionalidade, ou uma bolha internacional, com pessoas de todos os lugares, menos nativos. Eu tinha amigos brasileiros, claros, e coreanos, venezuelanos, alemães, etc.

 

Londres é uma cidade incrível e eu adoraria morar lá, mas a realidade é que eu não senti como é mesmo ter uma rotina lá, de trabalho, etc. Um ponto que ora varia para positivo ou negativo é como lá cada um tem a sua individualidade e seu espaço pessoal respeitado, e ninguém repara se você está usando uma roupa muito diferente ou coisa assim. Muitas pessoas acham que São Paulo é assim, mas não é na verdade. Em Londres você realmente não fica reparando nos outros. Isso é bom, mas para nós, é um pouco exagerado e é fácil se sentir solitário.

 

Já Lyon, na França foi uma experiência incrível, onde conheci muitas pessoas interessantes, mas a França não é um país que eu moraria. Não saberia dizer porquê, simplesmente que não foi um lugar que fez meu coração saltar, sabe?

 

Mas de modo geral, o que eu mais sinto falta de lá é a ocupação do espaço público. Quando converso com outras pessoas que moram/moraram lá, elas também percebem a diferença. Aqui, dependendo de onde você mora, para você sair de casa você vai para um bar ou um restaurante. Na Europa é muito comum as pessoas ocuparem as praças, os parques, deitarem na grama. Claro que há várias questões envolvidas, como segurança, o clima, o quão bem cuidado são esses espaços públicos. Eu lembro um dia em Madrid, eu e uma pessoa da Austrália estranhamos que as pessoas simplesmente sentam nas gramas, sem olharem se tem formigueiros, aranhas, ou outros bichos! Rsrs

 

Mas uma diferença muito grande vem do fato de que onde eu moro não há uma mudança brusca de estações, e quando você mora em um lugar onde você não vê o sol por 3 meses, você faz questão de aproveitar o verão e os dias bonitos. Eu lembro uma terça-feira em Dublin, foi o primeiro dia bonito depois de meses, vários restaurantes e cafés estavam fechados para que todo mundo pudesse aproveitar. Aqui quase todo dia está bonito, então não é especial.

 

Tem um local preferido entre os que viveu? Por quê?

 

Londres! Como eu já disse, não tive uma rotina de trabalho lá, mas é um lugar adorável. Acho que o que mais me chama atenção em uma cidade é sua arquitetura. Londres correspondeu totalmente às minhas expectativas. As pessoas costumam falar do mal tempo de lá, mas o clima de Dublin e da Irlanda em geral é muito pior.

 

De qual maneira a sua experiência de estudos no exterior influenciou a sua vida após o retorno ao Brasil?

 

Qualquer experiência desse tipo muda a pessoa. A gente cresce e aprende mais sobre nós mesmos e sobre a nossa própria cultura. Há coisas que não são simplesmente “certas” ou “erradas”, pois muito das nossas opiniões e atitudes são construídas culturalmente. Nenhuma cultura é perfeita, e é enriquecedor quando percebemos coisas na nossa que não são muito legais, ou questionamos pensamentos e hábitos “naturais” e que agora percebemos melhor que podermos escolher algo diferente.

 

Você recomendaria a experiência para quem estiver considerando estudar na Europa? Por quê?

 

Com certeza! Eu gosto bastante de lá, é muito bonito, e é muito fácil viajar lá dentro. Um dos motivos que acho a Europa um dos melhores destinos é justamente a facilidade em cruzar as fronteiras e conhecer outro país.

 

Claro que da Irlanda não há muitas formas de viajar para outro país sem ser o avião, mas dentro do continente, há diversas maneiras. Viajar de trem é maravilhoso, e países como a França fazem bastante promoções, e às vezes você consegue uma passagem da primeira classe mais barata que da segunda. Mas não é muito barato, então para conhecer vários lugares acaba pesando no bolso.

 

Eu viajei bastante de ônibus, e você consegue algumas promoções muito boas. Eu não gosto de voar, então sempre que eu conseguia, eu preferia ir por terra, o único problema é que você precisa ter mais tempo. Eu lembro que para ir da Áustria para a Hungria, eu paguei cerca de 10 euros. Eu consegui também uma passagem de 1 euro de Stuttgart na Alemanha para Berlim. De Londres para a Escócia tem uma linha de ônibus barata bem famosa, que às vezes chega a custar 1 libra. Eu lembro que eu paguei 10.

 

É longe, e os ônibus são mais estreitos dos que os nossos, então não é confortável como o trem, mas para quem não liga, é uma boa.

 

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