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Como encontrei o meu MBA e me mudei para a Espanha

Denise Neves, 31, compartilha em depoimento dicas importantes para encontrar o seu curso na Espanha, os trâmites para a imigração e as fases da adaptação

Como encontrei o meu MBA e me mudei para a Espanha
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Quem nunca pensou em fazer um curso no exterior (de idiomas ou especializações) que atire a primeira pedra! No meu caso foi um pouquinho diferente, mas o desfecho foi o mesmo: concluí há pouco mais de um ano meu MBA no exterior. Bom, comecemos do começo: meu nome é Denise, tenho 31 anos, sou de São Paulo (SP), e hoje vou contar como vim estudar em Madri, na Espanha.

 

Como comentei, meu caso foi um pouquinho diferente: eu não estava buscando cursos no exterior, na verdade não tinha a ideia de estudar fora naquele momento. Entretanto, meu hoje marido recebeu uma proposta de trabalho em Madri, e pensando nas possibilidades que teria na Espanha com ou sem um curso, optei por me matricular em um MBA.

 

 

A busca

 

Comecei buscando os rankings de MBAs mais reconhecidos pelo mercado, e obviamente saltaram as escolas mais conhecidas do mundo. O problema? Eu não tinha como pagar o que cobravam pelos cursos, e não queria ter uma dívida em euros quando nem emprego eu tinha na Espanha. Comecei então a buscar por MBAs que tivessem uma boa nota e boa avaliação dos alunos, e encontrei a EAE Business School.

 

Conversei com o departamento de recrutamento e seleção da escola, e resolvi me candidatar ao International MBA, que teria aulas em inglêse ce alunos de todo o mundo. Me enviaram provas escritas em inglês para testar o meu nível, pediram meu currículo e fiz uma entrevista em inglês. Só. Em 3 semanas saiu o resultado e paguei o sinal pela matrícula.

 

O processo

 

Depois de pagar o sinal para garantir a minha vaga, começou a saga da documentação: pedir o comprovante de matérias cursadas com as minhas notas, diploma, certificado de conclusão de curso, e mandar traduzir tudo juramentado. Antes de explicar como fiz com os documentos, vou contar uma coisa importante: verifiquem se no documento de conclusão de curso está escrito literalmente que você está apto para cursar um MBA ou o curso que seja. Conto isso porque no momento de me formar, me disseram que meu atestado de conclusão não era válido porque não estava por escrito que eu poderia cursar um MBA. Enfim, fica a dica para você não ficar desesperado como eu fiquei!

 

Bom, depois que você tiver todos os documentos no Brasil, é hora de legalizá-los. Você deverá comparecer ao ERESP, em São Paulo (ou enviar por correio postal, conforme instruções no site), e solicitar o carimbo de legalização pelo Ministério de Relações Exteriores. Que eu me lembre eu não paguei nada e nem agendei horário, mas é bom confirmar para ver se mudou o procedimento. O único problema é que como abre as 10hs, sugiro que chegue bem antes, porque já terá gente na fila (no meu caso abria às 7hs da manhã e eu cheguei às 6hs. Esperei, e como não tinha ninguém, fui ao bar ao lado tomar um café. Quando voltei já era a 10ª da fila).

 

Depois que você tiver os carimbos do ERESP, você deverá ir ao Consulado Espanhol para que eles validem o documento legalizado. (Dica importante aqui: procure verificar os dias em que o Consulado espanhol faz entrega de passaportes, e não vá nessa data: a fila é única para retirada de senha e demora bastante!) Aqui sim você terá que pagar, e em 2015 não aceitavam cartão, apenas dinheiro. Informe-se no site do Consulado para preços e tarifas atuais.

 

Com todos os carimbos, você deverá buscar um tradutor juramentado. Aparentemente deveria ser um preço parecido de tradutor a tradutor, mas é sempre bom fazer orçamento com mais de um. Eu não tinha tempo de fazer no Brasil, então fiz aqui na Espanha mesmo. Os preços não são abusivos por aqui e o Consulado te dá uma lista dos tradutores juramentados.

 

Depois de tudo traduzido por um tradutor juramentado, é hora de enviar os documentos à escola onde estudará.

 

 

Visto

 

Eu não precisei de visto para estudar, pois como me casei, tive o documento de estrangeiros emitido. Entretanto, para quem for tirar visto para estudar na Espanha, deverá seguir os passos indicados pelo Consulado neste link.

 

Uma coisa que na época comecei a pesquisar, antes de saber que casando não precisava do visto, foram empresas de seguro saúde no exterior. A que me apresentou a melhor opção, na época, foi a Incoming Students. Não posso dizer que recomendo porque não cheguei a fechar com eles, mas foram super amáveis enquanto estava negociando.

 

Adaptação

 

Quando conversei com a pessoa de recrutamento da escola, ela me disse que eu não teria nenhum problema de adaptação, e acreditei. Foi assim e não foi. O clima é parecido com o nosso, as pessoas em geral são alegres, e a comida é uma delícia. Mas as pessoas não são tão abertas assim, não são tão amáveis no momento zero. Enfim, se você quiser fazer parte de um grupo de espanhóis, terá que “rebolar”, como diz a música. São bem fechados e não fazem muita questão de enturmar os estrangeiros (se quiser, pode ler meu texto sobre a minha chegada à Espanha aqui). Mas no geral não é tão difícil assim de se adaptar; temos que pensar que nem tudo são flores e não desistir nas primeiras dificuldades!

 

Uma coisa que me ajudou a adaptar foi ter feito um curso intensivo de espanhol; foram 4 semanas convivendo com gente do mundo todo, saindo para praticar o idioma e aprendendo sobre cultura (super recomendo a Cronopios, escola onde estudei). Sem dúvida foi o que me ajudou a quebrar o gelo.

 

Rotina e Trabalho

 

Eu pude aproveitar o curso para estudar, apenas, e posso dizer que foi uma experiência super bacana. No Brasil, eu fiz faculdade à noite enquanto trabalhava o dia todo, e senti que muita coisa eu não aproveitava o suficiente. Em Madri, eu tive a oportunidade de apenas estudar e pude conciliar bem com a minha vida pessoal. Na própria escola do MBA eu pude me registrar para encontrar trabalho, e eu confesso que eu esperava mais da escola no sentido de indicar os alunos para as grandes empresas.

 

Eu apliquei para inúmeras vagas, e consegui um estágio somente no final do curso. Se quiser mais dicas de como fiz para encontrar um emprego na Espanha, dê uma olhadinha neste post.

 

Comecei o estágio logo depois de terminar o curso, e era período integral. O ambiente de trabalho é bem diferente do que eu estava acostumada no Brasil, e isso me fez demorar um pouco para me adaptar. Não vou dizer que não me senti mal no começo, mas foi um exercício diário de entender que é outra cultura e que eu teria que ter mais paciência e analisar mais o meu entorno para poder me adaptar melhor.

 

 

Cultura acadêmica do país e o pós-MBA

 

Aqui o que eu senti é que as pessoas vão para o mercado de trabalho muito mais tarde do que no Brasil; as pessoas estudam apenas, não estudam e trabalham ao mesmo tempo, então é normal (1) que eles se choquem quando você comenta que fez faculdade ao mesmo tempo que trabalho e (2) sejam estagiários com 25 anos, quando no Brasil a maioria já começa com a faculdade. Outra coisa que me chamou a atenção é que aqui é muito comum aparecerem vagas de estágio não remuneradas, e não é ofensivo dizer que a vaga te paga “a experiência”.

 

No meu caso particular, sigo trabalhando aqui na Espanha (estou no meu primeiro emprego com “contrato por tempo indefinido”), e gostando muito da experiência. O fato de ter um MBA cursado aqui me abriu portas com certeza, mas não foi imprescindível para realizar as funções que realizo hoje na empresa onde trabalho. Também tenho consciência de que por muitos anos serei a imigrante, então terei que batalhar muito mais que um espanhol para ganhar meu espaço, mas com um sorriso no rosto a gente vai à luta, porque isso nós brasileiros nascemos sabendo, e não tem MBA em nenhum lugar do mundo que possa ensinar!

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Denise Neves é paulistana, ex-consultora tributária formada em Administração de Empresas pela Fecap, em São Paulo. Deixou sua carreira no Brasil em 2015 para vir à Espanha com seu marido, e aproveitou para fazer um MBA em Negócios Internacionais em Madri e dar um restart generalizado em sua vida. Completou recentemente dois anos de Espanha, e descobriu neste período que é apaixonada por viajar pelo país, conhecendo também seus lugares não-turísticos, e ama provar comidas típicas e conhecer os costumes das cidades por onde viaja. Com a qualidade de vida que essa mudança lhe permite, pode dedicar-se aos seus outros dois hobbies preferidos além de viajar e comer: cozinhar e receber livros para resenhar e publicar em seu blog pessoal, My Paper Trips.

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SOBRE O AUTOR

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Bachelor of Communications

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