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Estude no exterior : Financiamento Estudantil

Pagar ou não pagar: as taxas de ensino nas universidades da Europa

Na Europa, alguns países não cobram taxas de ensino de estudantes internacionais. Sabe por quê? Aqui, nós explicamos os prós e contras do ensino superior europeu.

Pagar ou não pagar: as taxas de ensino nas universidades da Europa
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Você já deve ter escutado falar (inclusive aqui mesmo no Hotcourses Brasil) que as graduações na Alemanha são gratuitas até para estudantes internacionais vindos de fora da Europa. Isso também era comum na Finlândia até pouco tempo; e, na República Tcheca, se você conseguir falar o idioma nacional, também não precisa pagar pelos estudos.

 

Estudar na Europa

 

Afinal, cobra-se ou não taxas de ensino pelas universidades da Europa? Você deve escolher um destino onde a graduação é gratuita mesmo para brasileiros? Exploraremos este assunto a seguir!

 

O caso da Finlândia

 

Desde 2016, a Finlândia mudou as suas leis de ensino superior em instituições públicas e passou a cobrar no mínimo € 1.500 por ano de estudantes não europeus de graduações e mestrados no país. Apesar de não ser mais gratuito, o valor ainda é mais barato do que em vários outros países europeus.

 

No entanto, antes disso, alguns programas de pós-graduação finlandeses lecionados em inglês já cobravam uma média de € 8.000 de estrangeiros em um programa piloto conduzido de 2010 a 2014, mas a ideia não foi implementada definitivamente. Segundo o site The Pie News, o argumento por trás do projeto foi que os estudantes internacionais se graduam e param de pagar os impostos do país.

 

O idealizador da proposta, o político finlandês Arto Satonen, salientou que os estrangeiros que se formam em universidades finlandesas normalmente vão trabalhar no Reino Unido, Estados Unidos e Austrália. Ou seja, o dinheiro dos impostos do país estava, na verdade, sendo investido na formação de trabalhadores para economias anglo-saxãs.

 

Estudar na Finlândia

Helsinque, capital da Finlândia.

 

Entretanto, como aponta o The Pie News, a declaração de Satonen é contradita por uma pesquisa do Centro para Mobilidade Internacional que provou que 44% dos estudantes internacionais graduados em 2009 ainda estavam empregados na Finlândia cinco anos depois da formação. E há também outro estudo que também comprova o contrário no ensino superior da Dinamarca: a empresa DEA mostra que os estrangeiros que concluíram os estudos entre 1996 e 2008 contribuíram com US$ 28,8 milhões durante o período e 40% ainda estavam no país um ano após a graduação.

 

Mesmo assim, a percepção de que estrangeiros drenam o dinheiro público foi lentamente se difundindo pela Europa – vide o Brexit.

 

Outros casos pela Europa

 

Na Islândia, os estrangeiros não pagam taxas de ensino independentemente de sua nacionalidade, só uma taxa de matrícula de € 100 a € 250. Segundo o reitor da Universidade da Islândia, é papel das universidades divulgar os benefícios de receber estudantes internacionais e de fortalecer colaborações pelo mundo, inclusive oportunidades de intercâmbios de estudantes, para que os islandeses também estudem no exterior.

 

Na Alemanha, as graduações são gratuitas para todas as nacionalidades, cobrando-se apenas uma pequena taxa de matrícula como na Islândia. Isso se deve, principalmente, pelo envelhecimento da população alemã. Para manter a sua potência econômica, o país precisará de talentos estrangeiros.

 

Mas, segundo o The Pie News, os argumentos para o ensino superior gratuito não são apenas econômicos. Na Noruega, acredita-se que não cobrar pela educação é uma parte fundamental de uma democracia. “E os estudantes internacionais são essenciais [para isso] porque trazem diferentes perspectivas ao campus e aos outros alunos”, explica o reitor da Universidade de Oslo, Ole Petter Ottersen. “Os noruegueses não acreditam que a educação é um privilégio acessível apenas para os abastados... Independente do seu passaporte”, completa a diretora executiva da Universidade de Stavanger, Kathrine Pekot.

 

Estudar na Europa - Universidade de Oslo, Noruega

Domus Media, o prédio mais antigo da Universidade de Oslo, na Noruega. (Imagem: iStock/TomasSereda)

 

Há, inclusive, o receio de que começar a cobrar taxas de ensino de estrangeiros seja o primeiro passo para cobrar também de nativos, mas quase nunca este é o caso. Prova disso é que os estudantes nativos e europeus ainda têm mais regalias pelo continente do que aqueles vindos de fora dele – inclusive cursos gratuitos ou taxas de ensino significativamente mais baratas.

 

Na Áustria, por exemplo, estudantes europeus não pagam pelo ensino superior e os não europeus, sim – em média € 726,72 euros por semestre. O mesmo acontece na Escócia, onde os estudantes de fora da Europa pagam tanto para graduações quanto pós-graduações e o valor depende da instituição.

 

Cobrar ou não cobrar taxas de ensino de estudantes internacionais?

 

A decisão de cobrar por taxas de ensino é cheia de prós e contras, como qualquer resolução importante. Alguns países temem perder estudantes internacionais em potencial caso passem a ter taxas de ensino, outros argumentam que isso pode fortalecer a imagem da educação do país internacionalmente.

 

É inevitável, no entanto, aceitar que a mobilidade entre estudantes do mundo inteiro está cada vez maior, motivada pela conscientização das oportunidades de estudar no exterior, e que a internacionalização já é uma parte crucial das universidades.

 

Se o dinheiro arrecadado for direto para as instituições de ensino, ela pode investir em marketing, novos materiais e bolsas de estudo. No entanto, este não é sempre o caso. Na Alemanha, o estado de Bade-Vurtemberga passará a cobrar taxas de € 1.500 por semestre dos estudantes internacionais, mas a maior parte deste dinheiro irá para o governo estadual a fim de preencher uma lacuna de € 48 milhões.

 

O principal desafio é fazer com que os estudantes internacionais entendam que pagar por taxas de ensino em uma cidade pequena da Europa ainda é mais barato do que estudar em uma universidade pública gratuita em grandes cidades com custo de vida caro. Na Noruega, por exemplo, os estudantes internacionais não têm acesso às assistências financeiras do governo e precisam comprovar fundos suficientes para a admissão no país no valor de cerca de € 12.000.

 

Isto leva a outro argumento de quem é a favor de cobrar pelo ensino superior público: ao precisar pagar, as taxas de ensino ajudam a “filtrar” os candidatos internacionais sérios dos despreparados. “Muitos estudantes cancelam suas matrículas depois que a realidade dos custos de vida os atinge”, disse Kathrine Pekot, a diretora executiva da Universidade de Stavanger, ao The Pie News.

 

É por estas e outras que, ao se decidir por estudar no exterior, uma pesquisa completa e aprofundada é fundamental, incluindo estudar o seu orçamento disponível para a experiência e estipular um cálculo de gastos, tanto com taxas de ensino quanto com custo de vida e outras despesas.

 

De maneira geral, independente de cobrar taxas ou não, o objetivo principal das universidades do mundo inteiro é atrair os melhores estudantes possíveis.

 

Países que cobram taxas de ensino de universidades internacionais

 

taxas de ensino na Europa

As taxas de ensino pela Europa variam de acordo com o país, instituições particulares e privadas, e também da área de estudo.

 

A grande maioria dos principais destinos de estudo na Europa cobra taxas de ensino dos estudantes não europeus, mesmo em instituições públicas. Veja alguns exemplos:

 

  • França: As universidades públicas cobram de € 200 a € 650 por ano para bacharelados e mestrados, dependendo da área de estudo. As universidades particulares, por outro lado, podem cobrar de € 1.500 a € 6.000 anuais.
  • Itália: As taxas de ensino dos estudantes nativos e dos europeus depende da renda familiar de cada candidato. As instituições públicas cobram de € 850 a € 1.000 ou mais. As privadas têm taxas de até € 16.000.
  • Holanda: Os bacharelados para estudantes internacionais custam entre € 6.000 a € 12.000; já os mestrados, de € 8.000 a € 20.000.
  • Espanha: As universidades públicas espanholas cobram de € 680 a € 1.400 por ano para bacharelados e de € 1.350 a € 1.500 por ano para mestrados e doutorados.
  • Suécia: Os estudantes internacionais pagam uma taxa de matrícula de aproximadamente € 100 em universidades suecas. Apesar de os valores dependerem de cada instituição, eles variam de € 9.000 a € 15.800 por ano para bacharelados e mestrados. Os doutorados são gratuitos.
  • Suíça: Quase sempre, os estudantes internacionais pagam os mesmos valores que os suíços e europeus em universidades públicas – aproximadamente € 550 por semestre em bacharelados e mestrados e € 200 para doutorados. No entanto, algumas universidades cobram taxas extras dos estrangeiros.
  • Reino Unido: A cobrança de taxas de ensino varia entre a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Na Inglaterra, os estudantes internacionais pagam entre € 4.300 e € 27.700 por ano.

 

Fonte: The Pie News.

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.