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Mochileira e blogueira do Virando Gringa dá dicas de viagens e bolsas de estudo

Juliana, do Virando Gringa, já ganhou 3 bolsas de estudo, morou em 5 países e viajou por 20. Na entrevista, ela dá muitas dicas sobre diversos temas com base em sua experiência pessoal.

Mochileira e blogueira do Virando Gringa dá dicas de viagens e bolsas de estudo
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Se tem alguém que poderíamos chamar de “mochileira profissional”, esta pessoa é a Juliana Arthuso. A engenheira, aos 26 anos, não só é perita em viagens no estilo mochilão – já passou por 20 países! – como também já conseguiu três bolsas de estudo para estudar em três países diferentes, Alemanha, China e, o seu preferido, Holanda.

 

Com uma bagagem dessas, ela, com certeza, tem muito a compartilhar! Por isso, Juliana, resolveu criar o blog Virando Gringa, espaço na web onde escreve sobre diversos aspectos de suas experiências interculturais, do mochilão aos estudos no exterior. Além do blog, a Juliana realiza eventos frequentemente para falar de diversos temas, por exemplo, como viajar gastando pouco e como encontrar bolsas de estudo no exterior.

 

Na entrevista para o Hotcourses Brasil, Juliana explica como conseguiu virar esta cidadã do mundo e dá dicas para fazer o seu orçamento a fim de estudar e viajar no exterior. A blogueira ensina muito sobre como viver com menos significa, muitas vezes, poder viajar mais. Tudo depende do seu esforço e de suas prioridades.

 

Confira a seguir!

 

Primeiramente, qual é sua formação?

 

Eu sou Engenheira Florestal. Atualmente trabalho como tradutora técnica num escritório da área de Patentes. Sou de Piracicaba (SP), mas quando eu tinha três anos meus pais se mudaram para o Tocantins, e morei lá toda a minha infância, até voltar para Piracicaba na adolescência. Fiz faculdade na USP de Piracicaba, também conhecida como ESALQ.

 

Quando começou o seu interesse por intercâmbio e viagens? Qual foi a sua primeira experiência do tipo?

 

Foi na faculdade. Na ESALQ, haviam muitas oportunidades, e quando vi amigos indo embora eu pensei: porque não eu? Minha primeira experiência pra fora do Brasil foi um Work and Travel na Holanda, através de uma agência holandesa, com a qual entrei em contato porque um professor da minha universidade é holandês. Foi uma série de coincidências que me levaram ao meu país preferido, depois do Brasil, claro (quem lê o blog sabe que chamo carinhosamente de Holandinha).

 

Para fechar o contrato do Work and Travel foram pagas taxas à agência holandesa (chamada Stichting Uitwisseling), além do visto que permitia trabalhar e a passagem aérea. Tudo isso foi pago pelos meus pais, e na época custou por volta de 5 mil reais. Para conseguir fazer esse intercâmbio eu não fiz a formatura, como muitos companheiros da Engenharia fazem, pois custava o mesmo preço da viagem. A viagem vale muito mais né? (Risos)

 

Meus pais vinham guardando esse dinheiro há muito tempo para investir em mim, sou eternamente grata.

 

Em quais países você já estudou? Quais eram as instituições, escolas e cursos?

 

Já estudei na Holanda, na Alemanha e na China. Na verdade, fui pra Holanda duas vezes. A primeira foi para trabalhar, como expliquei acima, numa empresa de produção de mudas florestais e ornamentais. Recebia um salário bem básico, mas conseguia viajar e me manter.

 

Na segunda vez que fui pra Holanda, foi depois de passar apenas três meses no Brasil, depois que acabou o período de trabalho. Não aguentava ficar parada num país só depois da intensa rotina que foi o primeiro intercâmbio. Então me candidatei para o Ciência sem Fronteiras, para tentar voltar à Holanda por meio dos estudos. E consegui.

 

Foi a primeira bolsa que consegui aprovar, e fiquei muito orgulhosa por isso. Foi um ano muito produtivo, e foi quando descobri minha paixão por Paisagismo e Urbanismo. Apesar de ter estudado Engenharia Florestal, na Holanda tive oportunidade de estudar mais a fundo esta outra área, e aí percebi que quero misturar áreas de estudo, por que não?

 

Além de ter sido um ano produtivo, foi o ano em que mais fiz amigos na vida (por enquanto), e foi com esses contatos que consegui passar um tempo também morando na França e na Áustria, na casa da família de amigas. É uma experiência extra que consegui fazer, para conhecer mais culturas além da holandesa, pela qual sou apaixonada!

 

 

Foto dos Alpes da França, de Juliana Arthuso.

 

A segunda bolsa que consegui foi uma bolsa interna da USP, que levava alunos para uma Competição de Plano de Negócios na Universidade de Bayreuth - Alemanha. Para conseguir essa bolsa eu viajava semanalmente de Piracicaba até a capital de São Paulo, para assistir a apenas uma aula, às 8h da manhã. As aulas eram muito dinâmicas, o que facilitou pra ficar acordada. (Risos) Fazíamos muitas atividades em grupo, e dei sorte de formar grupo com pessoas ótimas. Dois de nós conseguimos ser aprovados para a bolsa.

 

A experiência na Alemanha foi sensacional, aprendemos muito sobre planejamento de negócios, e simulamos a criação de uma empresa. Conhecemos o interior da região da Bavaria (Baviera), no sul da Alemanha, que conta com cidades muito aconchegantes como Bamberg e Pottenstein. Além disso, fiz um curto estágio na Universidade de Bayreuth depois da competição, formulando um relatório sobre Mercado de Carbono, o que foi condizente com a minha área de estudo, Engenharia Florestal.

 

A terceira bolsa que consegui foi a TOP China da Santander Universidades. Essa bolsa é bastante variada no que diz respeito à escolha dos alunos.  Muita gente diz que só as Ciências Exatas conseguem bolsa, pois muitos alunos de Engenharias e Ciências da Terra (desde agronômica, florestal, química, civil, mecatrônica, entre outros) conseguem intercâmbio.

 

Muitos cursos que tem “facilidade” de conseguir bolsa conseguem isso porque são altamente ligados à pesquisa e desenvolvimento, e governos tendem a investir mais nisso. Claro que essa é uma visão generalizada e resumida do assunto. Mas essa entrevista não é sobre isso, né? (Risos)

 

Disse tudo isso porque, justamente, a bolsa TOP China é diferente no que diz respeito à escolha dos alunos, pois junto comigo havia estudantes de diversos cursos de Humanas, como Direito, Relações Internacionais, Jornalismo, entre outros. É uma ótima oportunidade! Essa bolsa tem as variações, TOP UK e TOP Espanha.

 

Qual foi sua experiência preferida até agora? Por quê?

 

Minha experiência preferida, como já deve ter ficado claro, foi a Holanda! O país é simplesmente encantador, organizado, e tem ciclovias em 100% da sua extensão, o que permitiu que eu mudasse completamente meu estilo de vida. Fiquei dois anos sem precisar entrar num carro, tem noção do que é isso? (Risos)

 

Juliana em Amsterdam (Acervo pessoal).

 

Usava ônibus, tram (bonde), trem e bicicleta, e tudo funcionava muito bem, por um preço acessível, mesmo para quem era bolsista como eu. Essa mudança drástica de vida me fez abrir a mente de um modo que eu jamais poderia imaginar.

 

Quais bolsas de estudo você já conseguiu?

 

Ciência sem Fronteiras, Bolsa USP Empreendedorismo, Bolsa TOP China Santander Universidades.

 

Além disso, realizei outros tipos de atividades remuneradas intercaladas com viagens, como Work and Travel na Holanda e WWOOFing (World Wide Opportunities in Organic Farms - em que é possível trabalhar em fazendas orgânicas em diversos países, economizando na viagem) também na Holanda.

 

As bolsas de estudo podem ser parciais a praticamente integrais. O que estava incluso nas bolsas que você já ganhou e como você lidava com os gastos que não estavam inclusos?

 

Todas as bolsas que consegui eram integrais, porque nunca tive condições de arcar com o restante dos cursos das parciais (ainda mais sendo em dólar ou euro!) e sempre procurei incessantemente, diariamente, por bolsas integrais. Demorou mas eu consegui.

 

Isso significa que as bolsas pagaram passagem aérea, custos de vida (living costs) e taxas escolares (tuition fee). Isso é chamado de “Full-Scholarship”.

 

O que eu aconselho pra quem vai pegar uma bolsa parcial é não se endividar, mas sim guardar ou “gerar” dinheiro antes de ir.  Como? Todo dia vemos histórias de pessoas que, por exemplo, vendem brigadeiro, coxinha, ovos de páscoa para pagar viagem. Tem gente que vende o carro pra ir pra fora. Tem gente que os pais economizam desde que o filho é criança para isso. Tem gente que dá aula de inglês. Tem gente que, primeiro vai de au pair e guarda uma grana, depois usa a grana pra pagar os estudos. Tem de tudo, muita gente consegue ir.

 

Para mim, meus pais são os maiores exemplos! Eles sempre trabalharam muito para conseguir acumular dinheiro e foram eles que pagaram as despesas de transporte e documentos do meu primeiro intercâmbio (depois eu tive um salário, mas o investimento inicial foi deles). Eu já fiz muita faxina e já trabalhei numa empresa de organização de casamentos (como garçonete e ajudante de cozinha) quando estava na Holanda para pagar viagem, não é vergonha alguma trabalhar por aquilo que você quer!

 

Pela sua experiência, quais dicas você daria sobre como fazer um orçamento para este tipo de experiência de estudos no exterior?

 

Considero que orçamento é uma palavra bem ampla. Podemos separar orçamento em pré-viagem, durante a viagem, e até pós-viagem. No pré-viagem temos que prestar atenção em: passaporte, visto, tradução de documentos, malas (isso não parece que importa tanto, mas come uma parte do orçamento, sim!) e passagens.

 

O passaporte está custando R$ 257,25 com validade de 10 anos, depois do muito tempo que se manteve custando aproximadamente R$ 157 com validade de 5 anos. Infelizmente esse é um preço que não podemos evitar, então deve entrar no orçamento. No caso do visto de intercambista, pode não ter custo algum dependendo do país, é preciso pesquisar isso caso a caso.

 

A tradução de documentos pega muitos estudantes despreparados, pois algumas universidades pedem tradução juramentada de documentos, para evitar risco de fraudes. Este é um serviço muito caro e que pouca gente planeja pagar quando pensa em intercâmbio.

 

Quando se faz um intercâmbio sem agência, todo tipo de detalhe técnico tem que ser levado em consideração, e aí é que entram os blogs e consultores (como a Juliana! eba!) que fornecem o serviço de “guiar” o estudante no processo, mas sem fazer o serviço por ele.

 

Os custos durante a viagem são muitos, alguns deles estão listados abaixo:

 

  • “Living Costs”: Aluguel, transporte, alimentação, viagens e cerveja (sim!). Muita gente não conta com os gastos de “diversão” durante um intercâmbio. Pensam nas taxas escolares, nas passagens, em tudo, mas no fim do mês faltam dólares ou euros na carteira. Temos que pensar que também temos direito a nos divertir quando conseguimos um intercâmbio, e esse gasto deve ser contabilizado, sim!

 

Para economizar no aluguel, a melhor coisa é dividir casa. Existem pessoas que detestam dividir seu espaço de vivência diária, mas nesses casos é um “mal” necessário. Eu particularmente adoro dividir espaços, pois podemos conviver com pessoas de muitos países e aprender seu idioma e costumes. Tendo um quarto para se isolar de vez em quando, mesmo que pequeno, e ter seu momento a sós consigo mesmo, está ótimo.

 

  • “Tuition Fee”: as taxas escolares das universidades estrangeiras. São muito variadas, mas podem chegar a 10 mil reais por exemplo. Como evitar de pagar isso? Pedindo bolsa! Como conseguiu uma bolsa? Confira no Virando Gringa!

 

Como dicas de economia após a viagem ou durante passeios, geralmente minhas sugestões não agradam muito as pessoas! Digo isso porque muitas vezes para conseguir viajar, precisamos cortar certos “luxos”!

 

Por exemplo, sou ruiva (artificial) e ao invés de pintar o cabelo no salão, eu aprendi a fazer em casa. Faço a unha em casa. Faço tudo que é possível de bike porque combustível é caro. Tento primeiro consertar minhas coisas (mesmo que fique gambiarra!) antes de comprar e substituir por um produto novo. Compro muito menos roupa do que comprava há seis anos. Consideravelmente menos. Limpo meu armário a cada estação e ainda acho que tenho muita roupa. Porém hoje em dia, 90% do que compro é usado, seja roupa, calçado, ou outros itens, tento primeiro reciclar, faço de tudo para não comprar novo.

 

Todo esse modo de viver reflete nos gastos. Isso tudo reflete muito mais do que eu poderia imaginar antes de começar a mudar minha vida.

 

Porém, como eu falei, é uma mudança que não agrada a todos, e muita gente se ofende quando eu proponho uma “flexibilizada” no seu padrão de vida.

 

Essa é minha receita para viajar mais, cada um tem a sua.

 

Por quantos países você já passou? O que te atrai mais no estilo de viagem de mochilão?

 

Não dá pra escolher uma coisa só que me atraia no estilo mochilão, é o conjunto da obra!

 

Passei por 20 países. Não é muito, na verdade conheço blogs em que as pessoas já viajaram por mais de 40 países, 80 países...  Porém eu fico muito feliz com meus singelos 20 (risos), pois mesmo sendo menos que outros blogs, é mais do que muita gente já fez na vida! Pretendo que o número aumente cada vez mais.

 

O estilo mochilão pra mim é o melhor de todos, pois permite maior desprendimento das amarras sociais, e mais liberdade. Quanto menos temos para carregar, mais longe vamos.

 

Digo isso porque comecei a viajar com duas malas de 32 kg, há seis anos. Na minha primeira viagem ao exterior levei coisas que não tirei da mala durante um ano inteiro! Imagina isso! Depois de ter que carregar duas malas enormes no limite máximo de bagagem por estações de trem e ônibus por aí, eu comecei a criar consciência do que é realmente necessário levar numa viagem, o que preciso de fato quando estou fora de casa.

 

Depois de um tempo o estilo de vida mochileiro começou a se estender para minha vida, e hoje em dia busco viver com menos, não só viajar com menos.

 

O fato de viver com menos proporciona mais liberdade, pois comprando menos e consumindo menos itens desnecessários, eu passo a ter mais dinheiro para poupar e investir, e consequentemente mais dinheiro para viajar. Não vou dizer que sou perfeita e que nunca gasto além da conta, é claro que gasto! Quando passo na frente de uma queima de estoque é uma tentação (risos), mas eu luto para mudar minha mente, muito além do estilo de viagem.

 

Toda essa mudança de vida veio a partir de uma única viagem, em 2012. E nunca mais parou.

 

Visite o blog Virando Gringa de Juliana Arthuso.

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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