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Como driblar a variação de câmbio, segundo especialista em educação internacional

Em entrevista, Marcelo Melo, especialista em educação e carreira internacional e sócio da IE Intercâmbio, explica flutuação cambial e os diferentes intercâmbios de experiência de trabalho

Como driblar a variação de câmbio, segundo especialista em educação internacional
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Nos últimos anos, mesmo com as constantes variações cambiais, o número de brasileiros interessados em um curso no exterior e também o valor investido em uma educação internacional cresceram de modo considerável. Em momentos de crise, recorre-se a novas formas de se manter relevante no mercado e uma delas são os estudos no exterior, como explica a seguir Marcelo Melo, especialista em carreira e educação internacional.

 

intercâmbio de experiência de trabalho - work experience

 

A última edição da Pesquisa Selo Belta apontou o aumento entre 2017 e 2018 de 302 mil para 365 mil brasileiros no exterior com o propósito de estudar. O valor investido no setor de educação internacional e intercâmbio também cresceu de US$ 2,2 para US$ 2,7 milhões no mesmo período.

 

Os brasileiros estão driblando o alto valor das moedas estrangeiras ou preferindo investir suas economias em uma capacitação internacional independente do custo? A resposta pode ser uma combinação dos dois casos e também do aumento na oferta de opções para estudantes do Brasil no exterior, como, inclusive, os intercâmbios de experiência de trabalho.

 

Na entrevista, Melo, que também é diretor da Belta e sócio da IE Intercâmbio, explica como entender as variações cambiais e colocar o seu projeto de formação internacional em prática, mesmo em época de crise.

 

Na sua opinião, como se explica o crescimento do interesse e do investimento em uma experiência internacional entre os estudantes brasileiros mesmo com o câmbio tão desfavorável?

 

Para viagens com foco em intercâmbio no exterior, a motivação dos brasileiros está atrelada ao desenvolvimento profissional e as oportunidades na carreira que surgem após a experiência internacional. Então acaba sendo mais importante que o câmbio, a análise dos benefícios adquiridos versus o custo final do investimento na viagem.

 

Por que é importante entender sobre flutuação cambial antes de investir em um curso no exterior em uma moeda estrangeira?

 

Uma variação muito elevada do câmbio pode gerar consequências no projeto de intercâmbio, fazendo com que o aluno tenha que cancelar a viagem ou mudar de destino. Portanto o ideal para evitar surpresas com a flutuação cambial é não ter dívidas em moeda estrangeira. Uma ótima saída é pagar o intercâmbio parcelado em reais no ato da matrícula, e com isso não contar a "sorte" na flutuação futura.

 

Quais dicas de câmbio e economia você daria para quem está interessado em um curso de longa duração no exterior, como uma graduação e pós-graduação, que requer um investimento significativamente maior?

 

O primeiro passo é sempre definir muito bem qual o objetivo da viagem de intercâmbio e ter um orçamento em moeda estrangeira, que deverá ser convertido para reais. Se o valor total em reais puder ser pago pelo aluno (à vista ou parcelado em reais) a recomendação é não esperar que a moeda tenha uma redução, pois pode ocorrer o contrário e o plano de viagem ser encerrado ou alterado.

 

Caso o aluno não tenha o valor total disponível no curto prazo, a recomendação é observar a variação cambial no meses seguintes, entendendo que até 10% de variação não é tão relevante no custo final. Pois nesse caso estamos considerando o investimento total versus os benefícios que a viagem tem para o aluno.

 

O custo-benefício de um curso no exterior para uma carreira internacional é maior ou mais vantajoso do que estudar no Brasil? Compensa na prática? 

 

Como driblar a variação de câmbio para estudar no exterior

 

Na maioria dos casos, estudar no exterior gera mais vantagens para o desenvolvimento acadêmico ou profissional. Isso porque o aluno adquire conhecimento de qualidade superior e tem uma vivência cultural que o enriquece de conhecimentos.

 

A compensação precisa levar em consideração o tipo de educação e estilo de vida que o aluno leva no Brasil. Por exemplo: um aluno que usa carro para se locomover no Brasil e vai para exterior, terá uma redução de custo utilizando transporte público de qualidade. Já no quesito estudo de idioma, a conta fecha se o comparativo for com a carga horária de estudos no Brasil x no exterior. Enquanto um aluno estuda inglês em média 2 horas por semana no Brasil, no exterior ele tem em média 20 horas de aulas por semana, ou seja, um aprendizado em sala de aula 10x mais intenso. Sem contar o aprendizado no dia a dia em um país onde a língua nativa é inglês.

 

Você recomendaria a busca por países com câmbios mais favoráveis e custo de vida mais acessível em comparação aos Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo?

 

O Canadá é um ótimo exemplo de redução de custo, se comparado aos Estados Unidos. A moeda canadense é menor que a americana, e nos últimos anos teve uma variação menor, fazendo com que programas de estudos no Canadá sejam em média 30% mais em conta que os Estados Unidos. Mas é importante destacar que o objetivo, perfil e preferências do aluno devem ser sempre levados em consideração antes de definir o destino.

 

Sobre o Reino Unido, a falta de definição do Brexit elevou a variação da libra nos últimos meses, tornando o destino um pouco arriscado em termos de moeda. Por outro lado, cidades como Londres, compensam o valor elevado da moeda com muitas opções de lazer gratuitas ou de baixo custo, tornando o custo final da viagem viável.

 

Como funcionam os intercâmbios de experiência de trabalho?

 

Há diferentes tipos de experiência de trabalho, que variam por país e normalmente estão vinculadas ao estudo.

 

Se for para estudar inglês, a Austrália, Nova Zelândia e Irlanda são as opções mais comuns e exigem que os alunos façam cursos com duração superior a 4-6 meses para obter a permissão de trabalho. Também é possível fazer esse tipo de programa em Malta e Emirados Árabes. Para fazer esse tipo de programa o aluno pode ter desde o nível básico em inglês, e o próprio aluno é responsável em buscar uma oferta de trabalho. As opções de trabalho temporário são normalmente em locais ligados à turismo e os alunos podem trabalhar 20 horas por semana durante o período de estudos, e durante as férias é possível trabalhar até 40 horas por semana.

 

Quando se trata de estudo nível superior ou técnico, o destaque vai para o Canadá, que oferece opções de estudo técnico e trabalho, desde o nível intermediário. Nesse caso o aluno faz cursos em áreas específicas e também pode trabalhar 20 horas por semana. O Canadá vem chamando a atenção dos alunos que tem um planejamento de maior duração, ou seja, com a intenção de conquistar uma residência permanente. Essa possibilidade ocorre após o aluno estudar por 2 a 3 anos e adquirir experiência de trabalho no mercado canadense.

 

Os Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda também oferecem oportunidades para nível superior ou técnico, porém com características diferentes.

 

E nos Estados Unidos há dois programas de trabalho bem conhecidos: Work Experience nos EUA (programa de férias com 3-4 meses de duração, voltado para estudantes universitários com idade entre 18 e 28 anos) e Au Pair (exclusivo para meninas com idade 18 e 26 anos, e com a duração de 1 a 2 anos).

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.