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Austrália: Destino de Estudo

Minha vida de estudante em Sydney

Luciana, 40, mora em Sydney desde 2015; ela escreve sobre a sua experiência de mudança, escolha de curso e procura por emprego na Austrália

Minha vida de estudante em Sydney
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Luciana Rodrigues tem 40 anos e é de Pelotas, no Rio Grande do Sul. É brasileira com cidadania italiana e desde 2015 mora em Sydney, na Austrália. Publicitária de formação, atualmente é agente de intercâmbio. É apaixonada pela praia e acha que é impossível não ser feliz com vista para o mar. 

 

No post a seguir, ela relata sua experiência com a mudança de país, as regras do visto e de imigração australianas e também a importância da escolha do curso certo para evitar decepções.

 

Se você ainda estiver incerto sobre qual curso estudar no exterior, nós podemos ajudá-lo com este artigo aqui!

 

Leia o depoimento de Luciana:

 

Minha vida de estudante em Sydney

 

Meu nome é Luciana, tenho 40 anos, nasci em Pelotas, no Rio Grande do Sul e me formei em publicidade e propaganda há bastante tempo. Há exatos 2 anos e 6 meses desembarquei em Sydney, na Austrália, pra recomeçar a vida do zero com um visto de estudante.

 

Eu decidi mudar pra Sydney depois de ter vindo passar 30 dias de férias aqui, no começo de 2014. Meu irmão e minha cunhada ja moram na cidade há 10 anos então eu ja tinha uma boa base familiar. Recomeçar nessa situação seria mais fácil do chegar aqui sem conhecer nada nem ninguém. Além disso, pesou o fato de eu ter me encantado com Sydney no período em que passei de férias. O estilo de vida livre, leve e solto dos australianos combinado com a segurança, com as oportunidades de trabalho e com as praias maravilhosas foram o que me fizeram decidir deixar a vida confortável que eu tinha no Brasil pra vir pra cá.

 

Quando tomei a decisão de realmente me mudar sem intensão de voltar, em fevereiro de 2014, comecei a me preparar. Primeiro, literalmente coloquei no papel o plano todo e listei as razões que estavam me fazendo tomar tal decisão, as estratégias que eu iria usar pra juntar o dinheiro necessário e como eu iria fazer toda a mudança. Depois de tudo arquitetado, chegou o momento de colocar o plano em prática. Passei 1 ano no Brasil me preparando de diversas formas pra chegar na Austrália com um bom nível de inglês e com dinheiro suficiente pra não me desesperar caso não encontrasse emprego logo de saída.

 

Contratei uma excelente agência de intercâmbio, baseada em Sydney, pra me ajudar a escolher o curso e a escola. Como meu irmão ja tinha estudado aqui numa escola próxima ao lugar onde eu iria morar com eles, decidi que no início iria estudar lá também pra facilitar a minha vida. A Carol, dona da Education DownUnder, a agência que me trouxe pra cá, intermediou todo o processo burocrático da minha matrícula na Australian Pacific College (APC) de Manly onde eu iria cursar um Certificado II em Business. Era um curso de 3 meses apenas, mas me daria uma ideia geral.

 

Na época em que meu visto foi aplicado, no final de 2014, o processo todo era mais simples do que é atualmente. Eu tenho passaporte italiano além do brasileiro e as coisas eram mais fáceis para cidadãos europeus de determinados países. Meu visto foi concedido sem restrições poucos dias depois da aplicação.

 

Os primeiros dias

 

Cheguei em Sydney no dia 25 de abril de 2015, em pleno feriado de ANZAC Day, cheia de sonhos e planos. Confesso que mesmo estando em família, na casa do meu irmão e da minha cunhada, meus primeiros 30 dias aqui não foram nada fáceis. Sempre fui acostumada a trabalhar, a ter uma rotina estruturada e previsível e uma vida ativa. Aqui, logo no início, minha vida era o extremo oposto.

 

Eu não tinha emprego, não tinha rotina e via todos à minha volta trabalhando e produzindo, vivendo suas vidas em dias úteis e horário comercial enquanto eu me arrastava em casa de pijama. Fiquei bem deprê e ansiosa no começo porque queria logo que minha vida voltasse a ser estruturada e ocupada como a vida de qualquer ser humano comum.

 

Trabalhos

 

Eu tinha muitos amigos e conhecidos que também haviam saído do Brasil pra vir pra cá e foi uma ex-colega de trabalho que me indicou pro meu primeiro emprego: ser arrumadeira numa pousada em Manly aos finais de semana. O trabalho consistia em limpar os quartos dos hóspedes que haviam feito checkout e deixá-los prontos para os que iriam fazer checkin. Era bem pesado e precisava ser feito de maneira rápida e muito eficiente, sem deixar nenhum fio de cabelo pra trás. Trabalhava em média 6 horas aos sábados e domingos e de vez em quando a dona da pousada me chamava pra fazer uns extras durante a semana. Além disso, tinha começado o curso na APC e tinha aula duas vezes por semana de manhã até o começo da tarde.

 

Logo em seguida pintou uma outra oportunidade de trabalho, dessa vez a encontrei no grupo Papo Calcinha em Sydney, no Facebook. Uma pizzaria bem tradicional e movimentada no bairro de Brookvale estava precisando de garçonete, me candidatei, fiz um teste (também conhecido como trial) e fui chamada pra substituir uma outra menina que em 1 mês estaria voltando pro Brasil. Trabalhava praticamente todas as noites no restaurante e foi lá que fiz as poucas amigas que tenho aqui em Sydney. O time de garçonetes era todo formado por brasileiras e a gente conseguia se divertir enquanto dava a volta ao mundo no salão normalmente lotado atendendo aos clientes famintos.

 

Renovação do visto

 

Em agosto de 2015 decidi renovar meu visto de estudante e novamente a Carol, minha agente de intercâmbio, me ajudou muito. Como eu queria continuar estudando algo ligado à marketing e negócios, minha área de atuação no Brasil, ela me levou pra conhecer uma escola relativamente nova em Sydney e que tinha uma proposta de ensino diferente das concorrentes. Eles ofereciam um curso técnico de empreendedorismo com foco em marketing e gerenciamento, divido em dois diplomas. Era possível fazer um só ou os dois e optei pelo combo.

 

Visitei a escola com minha agente, gostei do que vi e decidi que era lá que eu iria estudar pelos próximos 2 anos. Aplicamos a renovação do meu visto que foi concedido poucos dias depois e em setembro de 2015 comecei novamente a estudar duas vezes por semana, dessa vez no centro de Sydney. Meu novo visto de estudante foi concedido até 15 de novembro de 2017 e possivelmente quando esse texto for postado, ele já terá expirado.

 

 

Planos de carreira

 

Em novembro de 2015, numa noite de trabalho na pizzaria, conheci um australiano que uns meses depois virou meu namorado e depois meu “marido”. Coloco a palavra marido entre aspas porque assinamos nossa união estável no cartório mas não casamos e, honestamente, não sei como me referir a ele.  Mas voltarei à essa história logo à seguir.

 

Trabalhar no que se convencionou chamar de subemprego no Brasil dá dinheiro e dignidade aqui na Austrália. Apesar disso, eu já estava cansada de passar horas à fio de pé caminhando de um lado pro outro na pizzaria. Meu plano inicial sempre foi conseguir um emprego na minha área de atuação que me desse um visto de trabalho (sponsorship ou 457) pra que depois eu pudesse virar residente permanente e, no futuro, aplicar pra tão sonhada cidadania australiana. Ser garçonete jamais me levaria à isso.

 

Em fevereiro de 2016 apareceu uma oportunidade pra ser estagiária numa agência de intercâmbio e não pensei duas vezes: apliquei e consegui a vaga. Trabalhava duas vezes por semana e ganhava apenas ajuda de custo, mas aprendi muito sobre intercâmbio e consegui colocar os pés no mercado um pouco mais qualificado do que o da hospitalidade.

 

Passados 3 meses de contrato de estágio, a Carol, dona da Education DownUnder e agente que me trouxe pra Sydney, me convidou pra trabalhar com ela. Como esse era um sonho que nós duas alimentávamos, aceitei na hora e comecei em junho de 2016 como student support e coordenadora de marketing.

 

O plano era que a agência me desse o visto de trabalho tão logo os resultados começassem a aparecer e eu estava muito entusiasmada e adorando meu novo ofício. Continava indo pra escola 2 vezes por semana e larguei a função de garçonete no final do ano. A rotina nessa época era muito puxada e extenuante.

 

“Qual é o seu visto?”

 

Uma das coisas que sempre me incomodou foi a questão do visto. Aqui na Austrália quando você conhece alguém, além de perguntar seu nome, seu modo de ganhar a vida e de qual país você vem, a pessoa vai perguntar qual visto você tem. Fato.

 

A Austrália é formada essencialmente por imigrantes, então o assunto é falado abertamente. Só que quando você entra num relacionamento com um australiano ou com alguém que tenha a cidadania, começa a pisar em ovos. A linha que separa o seu interesse genuíno pela pessoa do interesse apenas no passaporte dela é muito tênue e todo o cuidado é pouco.

 

Por isso, desde o dia em que saí pela primeira vez com meu “marido” deixei muito claro que não tinha qualquer intenção de tirar proveito dele pra ganhar o passaporte ou algo do tipo e fui pouco a pouco demonstrando com atitudes o que eu havia dito e conquistando a confiança dele, que viu o quanto eu trabalhava e estava lutando pra conseguir o visto de trabalho com meu próprio suor. Mas uma vez ele me disse que se caso tudo desse errado, eu poderia contar com ele, afinal de contas, estávamos juntos.

 

Mudanças nas regras do visto

 

Em abril de 2017 o governo australiano mudou as regras pra obtenção do visto de sponsor e meu sonho foi literalmente por água abaixo. Eu não poderia mais ser sponsorada pra ter o visto de trabalho. Pra poder continuar morando na Austrália teria que renovar de novo o visto de estudante, algo que não me levaria à lugar algum.

 

Como eu e o Jeremy já estávamos juntos há um certo tempo e tínhamos recém alugado um apartamento pra morar, decidimos então registrar nossa união estável pra que eu pudesse aplicar o visto de partner, que é concedido pra quem tem uma relação comprovada ou é casada (o) com australiano (a).

 

Acabei meus estudos em setembro e me graduei no curso técnico, obtendo um diploma de marketing e outro de gerenciamento que, honestamente, não vão agregar nenhum valor ao meu currículo ou à minha carreira. Cursos técnicos nessas áreas aqui na Austrália não têm quase reconhecimento do mercado de trabalho e normalmente servem apenas pra propósitos de visto de estudante mesmo. Custam relativamente barato e são flexíveis, pois não exigem que o aluno vá à aula todos os dias como nos cursos de inglês, por exemplo. A escola, que começou com uma proposta legal e diferenciada, se perdeu no meio do caminho e minha experiência foi um pouco decepcionante.

 

Planos para o futuro

 

Quando meu visto de estudante acabar, no dia 15 de novembro, entro num bridging visa do visto de partner e devo ficar nele até dezembro de 2018 ou mais. Mesmo estando nessa condição, já tenho acesso ao Medicare, que é o sistema público de saúde australiano, e posso trabalhar 40 horas por semana. No visto de estudante a limitação é de 20 horas por semana apenas, o que dificulta muito na hora de encontrar um emprego mais qualificado.

 

Meus planos são de continuar trabalhando na Education DownUnder pra poder ajudar outras pessoas a viver essa experiência transformadora que é o intercâmbio na Austrália.

 

Eu amo a Austrália, amo Sydney e todos os dias agradeço por poder viver aqui ao lado do homem que eu amo e que me ajuda a ser feliz. Sou fascinada pela cultura australiana e procuro me integrar sempre mais, pois um dia, se Deus quiser, serei cidadã desse país que escolhi pra viver.

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SOBRE O AUTOR

Minha vida de estudante em Sydney

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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