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Canadá: Destino de Estudo

Entrevista: processo de seleção e mudança para Toronto na pandemia

Viviam relata sua experiência com o Express Entry; a admissão na pós do Centennial College; e mudança para o Canadá com a família em meio à pandemia.

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Após alguns anos de planejamento, passando pelo processo de imigração Express Entry, a prova IELTS e a admissão em uma pós-graduação, Viviam Alcalde Santos, 34 anos, e o marido Murilo Bianchini se mudaram para Toronto, no Canadá, em janeiro de 2021, em meio à pandemia da Covid-19.

 

O casal precisou passar pelo protocolo de segurança para entrar no país, incluindo uma quarentena de 14 dias, e recebeu todo o suporte da Centennial College, a faculdade da Viviam no Canadá.

 

Em entrevista ao Hotcourses Brasil, ela explica toda a sua experiência desde a escolha do destino à adaptação à nova vida no Canadá.

 

Centennial College: estudar no Canadá

 

Como foi a decisão de se mudar para o Canadá e o que influenciou a escolha do destino?

 

A gente se viu querendo uma nova experiência, em outro país, em 2015. Os motivos foram vários, tanto relacionados com o Brasil como os que eram benéficos em outros países. A falta de segurança no Brasil foi um dos fatores que influenciaram. Como meu marido e eu tínhamos boa proficiência em inglês, pensamos em um país que tivesse esse idioma como nativo.

 

Foi quando pensamos no Canadá, já que tínhamos um casal de amigos morando no país na época e que inclusive já havia nos perguntado se também não queríamos ir pra lá. Começamos a pesquisar a realidade do país, como a cultura, lugares, leis etc, e nos apaixonamos!

 

Lugares lindos, considerado em diversos rankings de qualidade de vida como um dos melhores do mundo para se viver, educação básica e saúde públicas e de boa qualidade para todos, leis modernas e liberais, entre outras coisas. Tudo o que combina mais com o nosso modo de pensar e como gostaríamos de viver.

 

Brasileiros no Canadá: Viviam está fazendo uma pós-graduação em Toronto

Viviam e Murilo na The Beaches, em Toronto.

 

Qual era o plano inicial e de quais formas ele foi se modificando à medida que passavam pelo processo de imigração?

 

A história é longa e conto com mais detalhe no meu blog, mas basicamente a gente tentou a imigração federal de 2017 a 2019, sem sucesso. Em paralelo, o marido sempre enviou currículo para empresas canadenses, mas a história era sempre a mesma: precisaria estar com visto de trabalho no Canadá.

 

A imigração federal acontece por meio do sistema online que eles chamam de Express Entry, o qual abrange três tipos de programas. A gente se encaixaria em um deles, mas precisaria ter muitos pontos e nunca acabamos conseguindo. Para isso, fizemos diversos IELTS tentando a nota máxima, especialmente eu que somaria mais pontos por ter uma pós-graduação, o que também acrescenta na pontuação. Chegamos a ser convidados pela província de Ontário no início, que forneceria mais pontos para o nosso perfil no Express Entry, mas ignoramos por ter um custo extra e a pontuação do sistema federal estava baixa quando entramos no que eles chamam de "pool", a piscina de candidatos.

 

Então, com a esperança que fôssemos chamados pelo processo federal, ignoramos Ontário, e por fim a pontuação do Express Entry subiu bastante depois e nunca mais baixou naquele nível, ao mesmo tempo em que a possibilidade de usar o convite de Ontário havia acabado. No Express Entry, os candidatos também perdem pontos por idade a cada ano após os 30 anos, então perdemos já muitos pontos e teremos que tentar pela experiência de trabalho canadense e diploma canadense, que nos fariam alcançar a pontuação necessária após um ou mais anos por outro programa federal.

 

E é por isso que estamos aqui comigo estudando e o marido, com visto de trabalho, buscando um trabalho também por aqui. Hoje meu marido tem uma pós-graduação também é de uma área em alta demanda, em programação, então é melhor que ele seja o aplicante principal por haver algumas possibilidades de imigração para ele por Ontário.

 

Como foi a sua experiência com o Express Entry?

 

Considerando o que contei antes, minha experiência com o Express Entry foi, até então, frustrada! rs. Mas a gente ainda precisará desse processo por ser o caminho por processos diversos, inclusive os provinciais, como o de Ontário. Também é preciso muito planejamento e força de vontade para alcançar a pontuação necessária, especialmente quando se passa dos 30 anos de idade.

 

É um sistema bem claro de como o candidato pontua e no site do governo canadense há todos os detalhes sobre ele e até inclui uma ferramenta onde se calcula quantos pontos o candidato teria e se seria elegível, por isso recomendo essa pesquisa a quem se interessar.

 

Como surgiu a ideia de criar um blog e um Instagram sobre essa experiência que vocês estavam vivendo? Compartilhar conteúdo e conversar com pessoas que passaram pelo processo ajudou a atingir o objetivo?

 

Eu percebi que, apesar de no site do governos canadense já haver informações ótimas para os processos de imigração e de estudos, ainda faltava um conteúdo contando a experiência nisso tudo em português. Há algumas coisas nas entrelinhas da imigração e dos estudos, que muitas vezes não eram compartilhados pelo site oficial do Canadá ou por outros blogs e canais de YouTube. Também há o fator que cada experiência nesse caminho é única!

 

Achei bom compartilhar a nossa da forma mais real possível, mostrando também as dificuldades, para que as pessoas no mesmo processo vejam que essas dificuldades são normais se surgirem no caminho delas também. Eu seguia e sigo ainda hoje muitos outros conteudistas que com suas experiências, nos ajudaram muito desde a escolha do Canadá lá atrás, passando pelas dicas de imigração e de estudos, até hoje com dicas sobre o dia a dia no país ou lugares para visitar. Fiz algumas amizades também que somam muito na adaptação.

 

Brasileiros no Canadá: morar em Toronto

Viviam e Murilo no primeiro passeio pelo Centro, comendo BeaverTails, uma massa frita com cobertura doce. “Foi o dia em que mais passamos frio, pois comemos do lado de fora por causa da pandemia, perto do lago, e meu rosto quase congelou”, ela conta.

 

Quais cursos vocês escolheram no Canadá e como foi o processo de admissão? De quais maneiras a pandemia o afetou ou alterou em 2020?

 

Eu escolhi o curso de pós de 1 ano chamado “Interactive Media Management”, na Centennial College em Toronto. É um curso voltado à área de User Experience (UX) para mídias digitais. Eu tive a ajuda de uma consultoria educacional para aplicar, mas muita gente faz essa parte sozinho.

 

Antes de ser aceita, passei por uma entrevista com a coordenadora do curso em inglês, tive que enviar meu resume (currículo em inglês), uma carta explicando a escolha do curso e falando do meu passado profissional, e ainda tive que enviar um teste escrito em inglês sobre a área do curso, entre outros documentos comuns como diplomas e históricos escolares desde o ensino médio, IELTS Academic com notas iguais ou acima de 6.0, etc.

 

A exigência de documentos varia conforme o curso e a instituição de ensino. Apliquei para o curso em julho de 2019 e até agosto eu já havia sido aceita. Era para ele ter começado em setembro de 2020. Como o college só enviaria a carta de aceitação oficial em fevereiro em 2020, aplicamos assim que recebemos naquele mês. O processo começou a andar, mas a pandemia estourou no mundo e no Brasil a partir de março, no meio da análise do processo. Foi quando vários países começaram a restringir viagens, como o Canadá, e o nosso processo ficou completamente parado.

 

Resumindo, o processo que levaria em torno de um mês, levou 9 meses. Nesse meio tempo, eu adiei o curso para janeiro de 2021. Ou seja, foi no final de outubro que recebi o pedido do meu passaporte para o recebimento do visto, e o mesmo pedido ao marido algum tempo depois. Isso aconteceu após as instituições de ensino pressionarem o Canadá, quando o país decidiu que só entraria no país estudantes de instituições que tivessem o que eles definiram de “readiness plan”, um plano de ação para ser responsável por informar e oferecer meios aos estudantes internacionais de obedecerem as regras contra a Covid-19 e também ajudar os mesmos com seus “planos de quarentena”.

 

A Centennial College entrou nessa lista e por esse motivo conseguimos vir. Chegamos em 16 de janeiro e ficamos 14 dias de quarentena, isolados, em um apartamento que já alugamos do Brasil.

 

O que você achou das adaptações realizadas pela Centennial College para manter os estudos mesmo em meio à pandemia?

 

A Centennial foi uma das primeiras instituições a entrar para a lista e foi isso que me permitiu adiantar tudo para a viagem, para que fosse possível eu começar os estudos em janeiro já estando no Canadá. Apesar de ser online por enquanto, é uma forma de já nos adaptarmos no país e de termos essa experiência pela qual tanto ansiamos por vários anos.

 

Meu curso também tem um estágio no último termo dele, então já estarei inserida nesse contexto até lá. Gostei muito de a Centennial ter oferecido um modelo de plano de quarentena para mostrar ao oficial de imigração na borda do Canadá, pois é um dos documentos exigidos nessa época, de também ter providenciado à gente um transporte privado do aeroporto até o local de quarentena (que já foi nosso apartamento), e de ter oferecido também o teste de Covid-19 obrigatório pelo governo canadense antes do fim da quarentena, tanto para mim quanto para o meu marido.

 

Como foi a mudança e os primeiros dias no Canadá?

 

Brasileiros no Canadá: fazer pós-graduação no Canadá

“Buscando móveis na Ikea, a pé, o que mostra a realidade do novo residente no país. A entrega é cara e preferimos ir buscar.”

 

Entre a gente receber a aprovação dos nossos vistos e conseguirmos agendar o voo, buscar apartamento já do Brasil e a viagem, foram uns dois meses apenas, então a mudança em si foi bastante corrida. Um mês antes da viagem, em dezembro, já com apartamento alugado e passagens aéreas compradas, meu pai faleceu de repente. Então, essa época da mudança foi de felicidade e também as naturais incertezas, mas também de muita tristeza por esse motivo. Foi uma montanha-russa de emoções e uma correria intensa, pois já não podíamos nem queríamos voltar atrás, pois tudo já estava certo e a pandemia no Brasil só piorava. Eu sabia que o Canadá poderia restringir os voos novamente por tempo indeterminado. Então, prosseguimos com tudo apesar do luto.

 

A viagem em si foi bem cansativa especialmente devido à pandemia, pois tivemos que viajar de máscara e com o nosso cachorro despachado como bagagem. Quando chegamos ao Canadá, naquele mesmo dia o país havia decidido fazer uma triagem em todas as pessoas vindas de voos do Brasil devido ao início dos problemas com a variante brasileira do coronavírus, por isso ficamos mais de quatro horas numa fila para isso enquanto o nosso cachorro estava nos aguardando na seção de carga viva, e não podíamos buscá-lo sem ter passado nessa triagem.

 

Atestamos que não éramos um risco de saúde, que tínhamos o local certo de quarentena, que havia alimento já no nosso apartamento alugado, mostrado o teste negativo do Brasil, e deu tudo certo. As primeiras, horas, portanto, além de estarmos cansados da viagem ainda foi desgastante por isso. Porém, entendemos todo esse cuidado.

 

Os primeiros dias foram de arrumação já no nosso apartamento alugado, pois tivemos o privilégio de um amigo de Toronto ter recebido compras de mercado e alguns móveis essenciais antes da nossa chegada, por isso foi tranquila a transição e a quarentena. Em todos os 14 dias da quarentena, eu tinha que responder um rápido questionário do governo canadense por meio de um app, afirmando que eu e meu marido estávamos sem sintomas e isolados. Minhas aulas começaram já na segunda-feira seguinte, dois dias após a nossa chegada. Portanto, fiquei entretida com o college já desde o início.

 

Quais dicas principais você daria a outros brasileiros que estão considerando passar pela mesma experiência?

 

Morar no Canadá: entrevista com brasileira em Toronto

 

A palavra-chave de qualquer mudança na vida é planejamento. Com estudos ou imigração, planejamento nunca é demais e é preciso ter vários planos de ação para o objetivo e também muita economia de dinheiro, pois o nosso suado real será convertido para dólar canadense. Se vier fazer college, aí que tem que apertar na economia, mesmo, pois estudante internacional paga bem caro nos estudos no Canadá.

 

E para o planejamento, muita pesquisa! Opte sempre por ler e reler o site canadense sobre o processo que está pretendendo seguir, pois é bem rico de informações e a fonte mais confiável disso. Em paralelo, se você estiver perdido(a) ou não está confiante, recomendo que se consulte com uma consultoria de imigração regulamentada caso o plano seja imigrar, ou uma consultoria educacional caso precise de ajuda para vir estudar. A consultoria de imigração geralmente cobra por consulta ou por cuidar do processo todo, e a consultoria educacional pode até cobrar uma taxa, mas muitas não cobram nada por ganhar já do college uma comissão.

 

Enfim, muito planejamento, pesquisa, economia e ajuda profissional quando for preciso são as principais dicas que dou. Para complementar, vale a pena também entrar em grupos no Facebook e acompanhar contas no Instagram, YouTube e blogs que falem sobre o Canadá, para manter o estímulo, ir se preparando psicologicamente para a mudança e para se adaptar melhor depois no país, pois várias pessoas compartilham suas experiências e é super válido conferir diferentes pontos de vista e realidades.

 

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