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Canadá: Quando chegar lá

Por que o Canadá é um excelente destino de estudo, de acordo com ex intercambista Juliana

Por que Juliana se apaixonou pelo Canadá e, depois de um curso curto de inglês, resolveu voltar para fazer faculdade no país. E por que você vai se apaixonar também!

Por que o Canadá é um excelente destino de estudo, de acordo com ex intercambista Juliana
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Natural de São Paulo, Juliana Castelhano dos Santos tem 29 anos e é formada em Administração de Empresas e Comércio Exterior no Brasil, na universidade Unip. Com o intercâmbio no Canadá, conseguiu se formar também em International Trade Business na instituição Canadian College.

 

Conhecemos a Juliana no Salão do Estudante em São Paulo, durante a sua participação no seminário “Tire suas dúvidas sobre intercâmbio no Canadá”, da SEDA Intercâmbios, onde a paulistana trabalha como consultora. Juliana topou conversar com o Hotcourses Brasil sobre a sua experiência incrível no Canadá e por que você também deve considerar o país como o seu destino de estudo!

 

 

Por que você escolheu a Canadá?

 

Na verdade eu nunca quis ir pro Canadá, e nem fazer um intercâmbio por lá, tinha uma ideia errônea de que no país só existia gelo, ursos polares e iglus. Meu sonho era estudar na Austrália, por um ano. Até que uma querida amiga (Thank you, Angel!) me chamou para passar nossas férias em Vancouver. Assim teria minha primeira experiência no exterior, faria um curso de inglês por um mês e conseguiria decidir se conseguiria passar tanto tempo longe de casa e investir minhas econômias no meu sonho australiano.

 

Quando cheguei, me encantei na hora, pela cidade, pelo estilo de vida, por tudo funcionar sem complicações. Me apaixonei pela cultura canadense, pelo respeito que existe ao próximo, pela igualdade entre homens e mulheres e principalmente pelo governo e como o país que com apenas 150 anos de história é considerado um dos melhores do mundo em questão de qualidade de vida.

 

Após 30 dias nem lembrei mais da Austrália, eu decidi que queria morar ali, e lá fiquei por 4 anos. Mas ainda tive que retornar ao Brasil, pois saí de casa dizendo em passar férias no exterior e tinha um emprego estável na época. Retornei, pedi demissão do meu trabalho, preparei a minha família e comecei um outro processo, pois dessa vez iria pra fazer um College. Em um mês e 27 dias lá eu estava de volta nas terras do maple sryup e muito feliz com a minha decisão.

 

 

Como encontrou a sua escola?

 

Todo o processo de intercâmbio foi feito por uma agência. Eu não tinha noção de como funcionava. Sobre a escola, me apresentaram várias opções, desde escolas maiores com estrutura de universidade, até escolas menores com foco na atenção em cada aluno. Com o curso de inlgês optei por uma escola que me desse mais assistência e que o professor me conhecesse e me chamesse pelo nome, assim eu poderia aprender melhorar o meu inglês, refinando o meu conhecimento pré existente. E sobre o college, optei pelo curso que mais me chamou atenção e que eu pudesse atrelar a minha formação inicial.

 

Como foram os preparativos para a viagem?

 

Das duas vezes que embarquei pro Canadá a ansiedade tomou conta de mim. A primeira foi uma sensação de aventura, pois iria descobrir outro país e aproveitar as minhas férias. A segunda foi uma mistura de medo e alegria, pois já sabia o que me esperava, mas passaria muito tempo fora.

 

Quanto aos preparativos, eu pensei em levar alguns medicamentos e ir ao dentista. Pois sabia que esse serviço era caro fora do Brasil. Comprei roupas quentinhas e foquei em fazer um bom seguro viagem, assim pude garantir que não teria complicações caso ficasse doente. Tratei de rever todos os meus amigos e fazer uma despedida. Tenho saudades dessa época, pois apesar de estar ansiosa eu adorei planejar as duas viagens!!!

 

 

Como foi a solicitação do visto

 

O visto foi bem tranquilo! Na primeira viagem, tirei o visto de turismo americano para poder viajar via terrestre entre os países, já que Vancouver faz fronteira com Seattle. Depois pedi o de estudante pra ir pro Canadá. Precisei comprovar renda e apresentar a carta de matrícula da escola, mais passagem de ida e volta, seguro viagem e passaporte.

 

No caso do americano precisei fazer uma entrevista, e apresentar meus documentos ao oficial. Eles me perguntaram o motivo da viagem e onde eu iria estudar. Respondi tudo e meu visto foi concedido. No caso do canadense apresentei a documentação certinha no Consulado e em menos de 45 dias, ele foi aprovado. Pra ficar mais de um ano por lá, precisei fazer exames médicos, em consultórios recomendados pelo Consuldado Canadense. Após o resultado o visto foi concedido.

 

Como foi a sua adaptação no país

 

A adaptção foi muito rápida! É fácil se acostumar numa cidade limpa, com vistas exuberantes, com pessoas solicitas e comidas do mundo todo.  Quando cheguei estranhei a multiculturalidade do lugar, pois o Canadá foi construído por imigrantes e fora os índios é muito fácil encontrar asáticos, indianos, europeus, australianos, filipinos e etc. O Canadá não é o esteriótipo de loiros com olhos azuis, e o mais bonito disso é orgulho que eles sentem em afirmar que o que os deixa forte são as diferenças culturais, isso me impressionou muito.

 

Na primeira semana senti falta da minha casa, da minha cama e da minha família, afinal você está imerso em um outra realidade. Demorei para me acostumar com o frio, pois usava as roupas erradas, saia cheia de casacos e nada me esquentava, depois comprei as roupas certas e vi que o frio não era algo ruim. Eu era louca por praia, mas com o tempo aprendi a amar as montanhas e tomar um chá com leite na rua, enquanto caminhava, para esquentar.

 

Em geral, acredito que no primeiro mês sofremos um impacto extraordinário, onde tudo é muito surreal e ficamos encantados, mas mesmo assim, sentimos falta do que já estávamos acostumados, e como eu fui sozinha, eu percebi que os amigos eram momentâneos e que muitas vezes o tchau significava um adeus, e você tem que aguentar a solidão, o que não deixa de ser uma coisa boa, pois você tem a chance de se descobrir e se conhecer.

 

Como era a sua rotina de estudos?

 

A rotina de estudos era cansativa no começo, pois o fuso me atrapalhou um pouco. Nas três primeiras semanas, eu estudava pela manhã e ia sonolenta pra escola. As aulas de inglês eram  divertidas, com alunos de várias nacionalidades e o tempo passava voando. Aprendi bastante, não só o idioma, mas também culturas novas de pessoas que nunca pensei conhecer. Já no College, percebi que o ensino é bem rigoroso e você realmente tem que se empenhar pra conseguir acompanhar as aulas. O ensino superior lá é de extrema qualidade e, no meu caso, totalmente voltado à economia norte-americana. Foi uma experiência incrível.

 

Como conseguiu o seu emprego no Canadá?

 

Quando você chega em um país estrangeiro, sozinho, sem contatos ou referências, o primeiro emprego normalmente é o serviço que aparecer. No meu caso eu fiz faxina por dois dias, uma amiga que já trabalhava com essa empresa me recomendou. Depois consegui uma vaga como caixa em uma quitanda, também com recomendação de amigos. Daí, em pouco tempo, consegui uma colocação de recepcionista em um restaurante. Desde então, minha vida mudou.

 

Uma grande amiga australiana, me convidou pra trabalhar com ela no resturante em um ponto turístico da cidade. Lá eu fiz amigos, ganhava gorjetas e ganhei conhecimento na área hoteleira. Fui garçonete, trabalhei em casamentos luxosos, conheci fábricas de cerveja e aprendi sobre vinho. Também fiz eventos para gandes empresas como a BMW e trabalhei como bartender em festas como a October Fest. Trabalhei como vendedora na Victoria´s Secrets e na joalheria Pandora, e de vez em quando ajudava meus amigos brasileiros à vender coxinhas feitas em casa.

 

De tudo que aprendi, eu penso que ninguém que realmente queira trabalhar fique sem emprego no intercâmbio, pois só depende do seu esforço conseguir uma colocação.

 

 

O que achou da cultura canadense?

 

Na minha opinião a cultura canadense é muito verdadeira. Eles realmente falam o que pensam e não se importam em dizer isso para os outros, também não são muito adeptos às demonstrações sentimentais em público, talvez por isso muitas pessoas pensem que eles são “frios”.

 

De maneira geral, acredito que eles se preocupam muito com a educação e conhecimento. Prestam muita atenção na alimentação e procuram fazer exercícios sempre. Se empenham em reciclar ao máximo e são defensores do meio ambiente. Apreciam um bom café e afins em dias frios e aproveitam ao máximo o verão, pois o sol só “dá as caras” por três meses no ano. Daí eles acampam, fazem churrascos (pão com hamburguer na grelha) na praia e nos parques e aproveitam o por do sol às 21h30 comendo marshmallows assados na fogueira. Eles são simpáticos, solicitos e apreciadores do novo, são receptivos às novas culturas e gostam muito de brasileiros, por sermos sorridentes e alegres.

 

Como foi a sua experiência de aprender inglês no Canadá?

 

Aprender inglês no Canadá é muito prazeroso. Na escola, os professores têm a pronuncia bem clara, falam pausadamente e se expressam muito bem usando linguagem corporal. Nas ruas, caso você fale algo errado, as pessoas nunca irão te corrigir de uma maneira direta, normalmente elas repetem o que você disse da maneira correta, assim você percebe que errou.

 

No transporte público, nos prestadores de serviço e nos locais de lazer as pessoas são simpáticas e estão acostumadas com diversos sotaques e culturas, graças à diversificação cultural do país. O aluno que considerar estudar no Canadá tem muito a ganhar, não somente nas escolas, mas também com a contribuição dos moradores locais.

 

Como foi o seu retorno ao Brasil?

 

O retorno foi o inverso da adaptação no Canadá, muito lento. Eu amo o Brasil e tinha muitas saudades do calor, da nossa comida, da minha família e amigos, das nossas praias e da nossa música. Mas eu me senti como se tivesse retrocedendo, pois voltei a ter tudo que tinha saudade, mas o problemas do país e a crise econômica fazem refletir: depois de tanto tempo realmente valeu a pena ter voltado?

 

Eu ainda sofro com a síndrome do regresso, mesmo estando em São Paulo há 11 meses. Ainda sinto que estou me adaptando, mas por sorte, hoje trabalho com intercâmbio, e ajudo outras pessoas que assim como eu sonharam em estudar fora, isso ajuda muito, voltar a trabalhar, ter rotina e ocupar a mente. Ainda mais que na SEDA Intercâmbios, estou rodeada de colegas intercâmbistas e ficamos planejando viagens o dia todo. É um prazer pra mim falar de Canadá, hoje além de consultora, também faço palestras e fóruns de intercâmbio, onde partilho a minha experiência e auxilío pessoas a traçar planos com destino no exterior.

 

De que forma o intercâmbio influenciou os seus planos para o futuro?

 

O intercâmbio mudou a minha vida completamente. Costumo dizer que a data do meu primeiro embarque para Vancouver foi um marco na minha vida e que ela se resume antes e depois do intercâmbio. Hoje eu sou uma pessoa mais humana, mas simples e que dá valor às coisas pequenas. Que pensa que um mundo melhor pode existir, pois já vivi esse tipo de realidade. Percebo a importância das pessoas que me rodeiam e vejo a vida com outros olhos, por outro prisma.

 

Como consequência, todos os meus planos futuros mudaram, pois uma vez intercâmbista, sempre intercâmbista! Talvez hoje eu não consiga pertencer 100% a um lugar, pois estando aqui eu quero voltar a viver no Canadá e vice-versa. Nunca estaremos completos novamente, mas pros corajosos que se atrevem a sair da zona de conforto, realmente a vida se torna mais divertida, pois o mundo é grande, mas você pode conhecê-lo por inteiro. Você dá preferência por trabalhar com o que gosta, começa selecionar melhor as pessoas com quem divide suas experiências. Hoje eu sinto a necessidade de viajar e conhecer, pelo menos uma vez no ano, um lugar diferente.

 

Faça um intercâmbio, pois o idioma inicialmente será o propósito, depois você descobrirá que ele é somente um coadjuvante nessa aventura, pois o aprendizado é sobre si mesmo!

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.