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Finlândia: Destino de Estudo

Por que a Finlândia é a maior referência mundial em educação?

Quais razões fazem com que a Finlândia seja a maior referência mundial quando o assunto é educação

Por que a Finlândia é a maior referência mundial em educação?

O sistema de educação da Finlândia é considerado um dos melhores do mundo, se não o melhor de todos. Vários países já estão conseguindo aplicar alguns dos seus aspectos mais bem-sucedidos e, assim, obter melhorias no salário dos professores, período de recesso e menos ênfase nas tarefas de casa e testes.

 

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O ensino superior finlandês também é um exemplo a ser seguido, por ser um dos únicos países do mundo no qual os nativos conseguem estudar totalmente de graça. E, apesar de estrangeiros pagarem as taxas de ensino, elas são bem mais baratas do que no restante do mundo.

 

Leia também: Pagar ou não pagar: as taxas de ensino nas universidades da Europa

 

Como a Finlândia conseguiu atingir esse papel de referência mundial quando o assunto é educação? A resposta tem vários aspectos.

 

A cultura finlandesa valoriza a educação

 

Crianças brincando em Helsinque, na Finlândia

Crianças brincando em Helsinque, na Finlândia. (Foto: iStockPhoto/fightbegin)

 

A educação é uma parte essencial da cultura desde a pré-escola até a fase adulta.  As crianças na Finlândia só começam os estudos formais quando fazem sete anos de idade, mas é comum que os pais os matriculam bem antes em algum tipo de escolinha. Inclusive, uma opção cada vez mais popular para crianças menores de sete anos é o que os finlandeses chamam de “forest schools”. Os alunos passam 95% do tempo ao ar livre, na natureza, explorando, brincando e aprendendo sobre o mundo ao seu redor.

 

O ensino fundamental e médio não são tão rígidos na Finlândia como na grande maioria dos países, mas começar a ter contato com o ensino desde cedo é um passo importante para eles.

 

Na outra ponta, muitos adultos continuam a aprender durante a vida inteira, mesmo após a conclusão dos anos obrigatórios, em cursos noturnos ou aos finais de semana. Há apenas nove anos de escolaridade obrigatória na Finlândia. Depois do nono ano ou os 16 anos de idade, os estudos são opcionais.

 

De um ponto de vista psicológico, isso já é um ideal bastante libertador. Muitos estudantes sentem-se presos quando são forçados a estudar contra a vontade. A Finlândia alivia esse fator e opta por preparar os seus jovens para o mundo real.

 

Acesso a bibliotecas

 

Além disso, é comum ver as bibliotecas públicas sempre cheias, sendo muito bem aproveitadas pelos finlandeses que gostam de aprender por conta própria. De fato, a Finlândia tem a maior média de uso de bibliotecas do mundo!

 

O acesso gratuito aos recursos bibliotecários é tão importante no país quanto desenvolver o conhecimento por meio da educação gratuita.

 

Bibliotecas da Finlândia

 

Ensino superior para todo mundo

 

O classicismo é bem menos proeminente na Finlândia e isso se estende à educação. Por muitos séculos, a agricultura era a atividade principal do país, portanto, aprender não era prioridade para quem trabalhava nas zonas rurais e comunidades mais remotas. Universidade era coisa das altas classes sociais ou de intelectuais.

 

Atualmente, da mesma forma que pessoas de quaisquer históricos, formação, classe social e nível de renda têm acesso a bibliotecas, elas conseguem cursar uma universidade na Finlândia.

 

Isso remove uma barreira que diversos países ainda enfrentam, onde cidadãos da classe trabalhadora crescem sem poder frequentar o ensino superior (isso quando conseguem concluir o ensino médio) ou construir uma carreira bem remunerada que exige formação acadêmica. Consequentemente, o classicismo na educação ocasiona sérios problemas como níveis mais altos de criminalidade, abuso de substâncias, evasão escolar, depressão e divisões raciais.

 

O ensino superior gratuito é especialmente essencial na Finlândia pois há mais áreas que exigem um mestrado para exercer a profissão, como ensino e jornalismo, em comparação a apenas um diploma de bacharelado ou licenciatura em outros países.

 

O amor pelo saber

 

O acesso gratuito à educação também significa que os estudantes da Finlândia cursam universidades não apenas para progredir na carreira escolhida por eles, mas porque há instituições acessíveis e, essencialmente, porque gostam de aprender.

 

Ao adquirir habilidades importantes para a vida, os alunos também são capazes de ler sobre uma variedade de assuntos na biblioteca da universidade ou fazer aulas eletivas, de política à cultura pop, a fim de obter uma compreensão mais aprofundada do mundo.

 

Eles podem estudar o que amam sem ter medo de contrair uma dívida que durará a vida inteira – algo que acontece frequentemente entre estudantes nos Estados Unidos, onde até mesmo as universidades públicas são pagas.

 

Liberdade de expressão e informação

 

A Finlândia alcançou uma nota 100 perfeita no Índice Agregado de Liberdade Mundial, assim como suas vizinhas Suécia e Noruega. Grande parte da atitude finlandesa atual em relação à liberdade de expressão decorre da sua longa história de submissão e censura externa – primeiro da Suécia na Idade Média, depois da Rússia em 1809. A Finlândia só se tornou um país independente em 1917, mas continuou a sofrer pressão da Rússia mesmo após a independência.

 

No início do século 20, quando o movimento nacionalista finlandês estava crescendo e exigindo independência, a Rússia respondeu com tentativas de controlar o país. O russo foi instituído como o idioma oficial da administração e ensino, a imprensa sucumbiu à censura e publicações em finlandês foram proibidas. No entanto, as medidas tiveram o efeito inverso ao desejado: o número de greves e petições cresceu e levou à independência da Finlândia.

 

A Suécia introduziu o seu primeiro ato de liberdade de informação em 1776, abolindo a censura e disponibilizando arquivos e documentos do governo a todos os seus cidadãos. Mesmo ao deixar de fazer parte da Suécia, a Finlândia continuou a usar método semelhante para a elaboração da sua própria constituição.

 

Após décadas de censura, a liberdade de expressão e de imprensa se tornaram elementos vitais da nova constituição finlandesa e permanecem assim até hoje. Os registros governamentais são públicos para quem quiser ver (você pode até descobrir qual é o salário do seu vizinho!).

 

Além de tudo isso, a Finlândia também é mundialmente reconhecida por ser o único país onde o acesso à internet é um direito legal.

 

Fim dos testes padronizados

 

Escola em Imatra, na Finlândia - Estudar na Europa

The Finnish-Russian School of Eastern Finland, em Imatra, na Finlândia. (Foto: iStockPhoto/Ojimerona)

 

Aprender de verdade ou decorar o conteúdo para passar nos exames como o Vestibular brasileiro e o SAT americano? Os estudantes finlandeses não têm essa preocupação.  Não há testes padronizados no país. A única exceção é o chamado Exame Nacional de Matrícula, uma prova voluntária para os alunos que estiverem concluindo o ensino médio.

 

Na Finlândia, os estudantes são avaliados individualmente e a partir de um sistema de classificação definido pelo próprio professor. O acompanhamento geral do progresso é feito pelo Ministério da Educação que avalia grupos em diferentes faixas escolares.

 

Na maioria dos países, em especial nos Estados Unidos, a educação é uma grande competição darwinista – e a disputa nem sempre é justa. Os finlandeses enxergam o ensino de outra forma: a educação nacional não se prende a sistemas artificiais ou arbitrários baseados em mérito.

 

Não há listas das melhores escolas ou professores e ambiente de disputa entre universitários. Ao invés disso, a norma é a cooperação.

 

Os professores na Finlândia

 

A Finlândia é muito exigente em relação à formação de seus professores. Todos devem ter um mestrado antes de poder começar a lecionar e os cursos de treinamento para docentes são alguns dos mais rigorosos e seletivos do país. Se o professor não estiver tendo o desempenho desejado, cabe ao diretor da instituição tomar as medidas necessárias.

 

O conceito da dinâmica entre professor e alunos valoriza a atenção personalizada, onde cada um é tratado como indivíduo (não parte de um grupo), e todos se conhecem pelo nome.

 

Uma vida saudável e balanceada

 

É bastante comum ver na imprensa histórias de pessoas que se mataram de estudar, sem vida social por um ano ou mais, para passar nos tão sonhados primeiros lugares do Vestibular. As escolas estão tão preocupadas em melhorar os resultados em testes padronizados do governo que tendem a esquecer o que constitui um ambiente harmonioso de aprendizado.

 

Na Finlândia, o sistema também foi assim até perceberem que precisavam de uma reforma drástica. O novo programa retomou princípios básicos. Não se tratava apenas de passar de ano com notas excelentes ou melhorar o resultado geral da escola. Ao invés disso, eles procuraram transformar o ambiente escolar em um lugar mais justo.

 

Desde a década de 80, os educadores finlandeses devem priorizar algumas noções básicas:

 

  • A educação deve ser um instrumento para equilibrar a desigualdade social;
  • Refeições escolares gratuitas;
  • Facilidade de acesso aos cuidados da saúde;
  • Aconselhamento psicológico;
  • Orientação individual.

 

Opções acadêmicas menos tradicionais

 

O caminho educacional tradicional de vários países, inclusive no Brasil, é imutável e estático. Os jovens passam pelos anos obrigatórios até a conclusão do colegial. Cada ano é uma preparação para o próximo. Tudo culmina com uma prova, como o Vestibular, ou outra seleção universitária.

 

A graduação, por sua vez, os prepara para obter um diploma e, consequentemente uma carreira. Os estudantes precisam tomar uma das decisões mais importantes da vida recém saídos da adolescência e isso diversas vezes leva a uma série de frustrações e dúvidas.

 

A Finlândia resolveu esse aspecto também, oferecendo opções igualmente vantajosas para continuar a formação educacional. Consequentemente, ela diminuiu a dicotomia entre a classe trabalhadora, classe profissional e classe com formação superior.

 

No país, existe a Escola Secundária Superior, um programa de três anos de duração que prepara os estudantes para o Exame Nacional de Matrícula e determina a admissão em uma universidade. Normalmente, isso baseia-se nos conhecimentos adquiridos durante o ensino médio.

 

A segunda opção é o ensino profissional, um programa de três anos que treina os estudantes em diversas carreiras. Eles também têm a opção de prestar o Exame Nacional, caso queiram cursar uma universidade. Se não, já estão prontos para o mercado de trabalho.

 

Leia também:

O ensino superior da Finlândia

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Finlândia realiza megarreunião de país e professores para discutir o futuro da educação do país

 

Fonte: Culture Trip e We Forum.

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