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República da Irlanda: Antes de partir

Dos vários empregos às acomodações, brasileiro dá dicas sobre os estudos em Dublin

Hugo teve uma dezena de trabalhos em Dublin e acabou estendendo a sua estadia por mais de dois anos. Na entrevista, ele dá dicas de como encontrar emprego e aproveitar os estudos na Irlanda.

Dos vários empregos às acomodações, brasileiro dá dicas sobre os estudos em Dublin

Hugo Salgado tem 29 anos e formação em Design de Moda e Artes Visuais. Em 2014, ele resolveu colocar em prática a sua vontade de morar em outro país e escolheu a Irlanda como destino de estudo para um curso de inglês. O período inicial de um ano acabou se estendendo e o fluminense ficou em Dublin até o início de 2017.

 

Estudar na Irlanda

 

A experiência do Hugo é mais um caso bem-sucedido de estudos na Irlanda com muitas histórias para contar, passando por diferentes tipos de acomodações e uma dezena de trabalhos durante a sua estadia.

 

Como surgiu a ideia de fazer um intercâmbio e por que escolheu especificamente Dublin, na Irlanda?

 

Sempre quis sair do país então, enquanto estava estudando na pós, guardei dinheiro do trabalho e assim que terminei o curso, parti. Escolhi a Irlanda pelo preço e por ser na Europa, o que me daria mais possibilidade de viajar. Pensei que se fosse para o Canadá ou Austrália acabaria ficando só lá provavelmente. 

 

Quais critérios você usou para escolher a sua escola e o seu curso na Irlanda? Você fez todo o processo sozinho ou com agência?

 

Eu fiz com agência, eles me apresentaram várias opções de escola e escolhi uma que fosse boa mas dentro do orçamento, ou seja, que não fosse a mais cara. Fiquei feliz com a escolha, tive ótimos professores e a estrutura também era bem boa. 

 

Como foi a sua adaptação ao país e à cultura irlandesa? Foi tranquila ou causou algum estranhamento?

 

Eu achei bem tranquilo na verdade. Acho que para quem sente falta do nosso arroz e feijão todo dia vai estranhar mais (apesar de não ser difícil encontrar restaurante brasileiro por lá). Talvez o maior estranhamento pra mim foi o frio, obviamente, e os dias curtos no inverno e super longos no verão. Mas eu acabei gostando dessa variedade no fim das contas. 

 

Onde você morava no país e como encontrou a acomodação?

 

No primeiro mês fiquei na casa de uma família irlandesa e foi bem tranquilo. O casal era um amor e tinham mais três alunos morando lá, outro brasileiro, um italiano e uma russa. Tive mais contato com a russa, saíamos juntos com a senhorinha, foi super divertido.

 

Depois me mudei para um apartamento pequeno dividindo com um sueco com quem fiz muita amizade e me ajudou demais no inglês. Ele mudou do país, então fui morar com duas brasileiras amigas minhas e um mexicano, aí foi tenso. O apartamento era péssimo, o aquecedor não funcionava e morar na Irlanda sem aquecedor é quase como morar no Rio sem janelas. Mas foi uma experiência bem positiva no geral. 

 

Como foi a sua busca por empregos no país? Quais trabalhos você exerceu em Dublin? O que achou das experiências? Tem dicas para encontrar vagas na cidade?

 

Eu trabalhei em várias coisas, fui caixa de mercado, barista e garçom em um café, fui babá de uma menininha de um aninho, cuidei de cachorros, conheci um pessoal local das artes com quem pude fazer uns trabalhos freelance costurando, fiz direção de arte de uma parte de um filme independente, coloração de uma revista em quadrinhos, fui door de um show. Enfim, sambei nos trabalhos lá. (Risos)

 

Quanto melhor o seu inglês mais fácil de conseguir trabalho e melhor a vaga. Tem muita gente procurando, então você normalmente tenta muito até conseguir. É sempre bom sair de casa com currículos na bolsa e ficar de olho por onde passar porque eles colocam anúncios de vagas nas vitrines e nas portas da lojas, cafés, etc. É sempre bom estar preparado.

 

Por quanto tempo você morou em Dublin? Este era o seu plano inicial ou acabou estendendo a sua estadia? Você conseguiu estudar algo além do curso de inglês?

 

Entrevista Hugo - Estudar na Irlanda

 

Fiquei na Irlanda por dois anos e meio, fui para ficar um (já com a ideia de talvez ficar mais) e acabei estendendo. Além de inglês, eu fiz um curso de barista, o que me ajudou muito a conseguir trabalho em café, uma vez que nunca tinha tido experiência como garçom e normalmente é um ponto bem positivo, para não dizer necessário, na maioria dos lugares. 
 

Muito se fala da quantia de brasileiros que moram e estudam em Dublin. Isto realmente influencia a experiência de intercâmbio e, principalmente, os estudos?

 

Tem sim muito brasileiro lá, mas tem também muito coreano, indiano, italiano... Eu achei um lugar com bastante diversidade cultural. Estudei com vários brasileiros, mas também com várias pessoas de vários outros lugares e, como morei a maior parte do tempo com pessoas de outros países, não me atrapalhou no aprendizado.

 

Eu tive um relacionamento com um local também, o que acabou facilitando a conhecer pessoas locais e a praticar mais a língua, então uma dica que eu dou: usem o Tinder! (Risos) 

 

Como foi o seu retorno ao Brasil? De quais maneiras a sua experiência de intercâmbio influenciou a sua vida após o seu retorno?

 

Meu retorno foi triste, queria ficar lá para sempre. Eu costumo falar aquela coisa clichê de ser um Hugo pré Irlanda e um outro Hugo pós. A experiência de estar em um lugar completamente novo, com uma língua nova, pessoas de outros lugares que tiveram uma vida completamente diferente da sua, faz rolar uma troca muito enriquecedora. Você não aprende só uma língua lá, acaba aprendendo sobre várias outras culturas e essa memória de mundo, digamos assim, ninguém te tira e não é lendo na internet que você adquire. 

 

Além do mais me ajudou muito falar inglês fluentemente, meu trabalho atual é em parte de traduções e sem essa experiência eu não teria conseguido.

 

Você recomendaria Dublin como destino de estudo para outros brasileiros que estão interessados em um intercâmbio como o seu? Por quê?

 

Eu super indico Dublin para todo mundo. Além de toda essa diversidade cultural que já falei, Dublin é uma cidade não muito grande, fácil de fazer várias coisas a pé, tranquila mas cheia de acontecimentos, cheia de bons pubs, bons museus e galerias, bons restaurantes, bons parques, tem mar, bom transporte público.

 

Sempre me senti seguro lá, as pessoas são na maioria educadas, você consegue viajar barato pra outros países com as empresas de avião locais. Enfim, sou apaixonado por aquela ilha e morro de saudades!

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.