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Brasileiro consegue emprego na Irlanda antes de se mudar para estudar inglês

Lucas decidiu que estudar inglês era o próximo passo para sua carreira; mas, antes de se mudar, ele se certificou de conseguir uma vaga profissional na sua área na Irlanda

Brasileiro consegue emprego na Irlanda antes de se mudar para estudar inglês
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Lucas Henrique Gonçalves da Silva tem 26 anos e é de Santa Barbara d'Oeste, interior de São Paulo. Formado em Engenharia de Controle e Automação, ele trabalha em Limerick, na Irlanda desde 2015. Impulsionado pelo desejo de adquirir fluência no inglês e conquistar experiência de trabalho no exterior, Lucas buscou uma oportunidade profissional no exterior pelo LinkedIn e conseguiu viajar para estudar inglês na Irlanda com um emprego garantido.

 

Aprenda com a experiência de Lucas pela entrevista a seguir!

 

Com qual intuito você se mudou para o país?

 

Eu estava trabalhando em uma empresa que oferece soluções para projetos de engenharia quando recebi algumas propostas de emprego. E uma delas seria para uma vaga de executivo da América Latina de um de nossos concorrentes e a minha qualificação técnica e experiência faziam com que essa empresa multinacional tivesse interesse em me contratar.

 

Porém, eu deveria ter o inglês fluente até mesmo para tratar de negócios com outros executivos, o que não tinha na época. Mesmo assim participei das entrevistas em inglês com os executivos da empresa em São Paulo. Como o apelo técnico era muito forte submeteram minha contratação a matriz nos EUA e França e tiveram como resposta da presidente francesa o questionamento do porque pagar tanto para uma pessoa muito jovem, sem inglês fluente e a sugestão de redução do salário.

 

E mesmo o salário sendo muito bom, a oportunidade profissional e pessoal incrível, me vi em um ponto de decisão na carreira, o fato de não estar preparado para maiores oportunidades e que o impedimento seria o inglês. Em paralelo, estávamos na crise do início de 2015, onde o mercado estava muito baixo e muito difícil conseguir novos negócios, principalmente em dólares. Sendo o único funcionário da empresa no sudeste, fui desligado em julho de 2015.

 

Como tinha o sonho de estudar fora do país ou fazer mochilão, estudava inglês sempre que podia, mas por conta dos empregos sempre fui muito difícil pensar em fazer intercâmbio. Em outro ponto de decisão, teria que aceitar a proposta inferior ou me aventurar no meu sonho. Então comecei as pesquisas sobre intercâmbio de inglês, com um foco muito específico: um lugar onde estaria procurando por pessoas da área de engenharia, no caso Austrália, Canadá, Noruega e Nova Zelândia. Como alternativas comecei a pesquisar Irlanda, Malta e EUA.

 

Quais razões te levaram optar pela Irlanda?

 

A Irlanda se destacou por três principais motivos. O custo, que era muito mais barato que todos os outros. Uma relação de um mês de curso em outros lugares era o mesmo valor de seis meses de curso na Irlanda. O fato de estar na Europa e me permitir conhecer muitos países. E o tempo e tipo de visto, porque na Irlanda, você comprando seis meses de curso, ganharia mais seis meses de férias, no total de visto de um ano com direito a trabalho part-time (meio período), o que os outros países não ofereciam.

 

A opção de trabalho era muito importante. Primeiro, para ajudar nos custos de moradia; e segundo, caso conseguisse emprego na área, conseguiria realizar dois sonhos. Portanto, com a cabeça quase decidida neguei a proposta de emprego e comecei uma nova etapa do processo, comprei a passagem para Irlanda sem curso de inglês nem local, e comecei a busca de emprego antes do embarque.

 

A estratégia era: achar um emprego na minha área, ver qual cidade era mais próxima do trabalho e comprar o curso. Tudo isso dentro de um mês.

 

O curso na cidade de Dublin era o mais barato, mas já tinha conhecimento do grande número de brasileiros na cidade, então decidi procurar em outros lugares para aproveitar melhor a cultura irlandesa. Como sempre usei o LinkedIn, comecei uma pesquisa de pessoas e não vagas em toda Irlanda; pessoas que tinha posições relacionadas a minha experiência.

 

Depois de selecionar todos os usuários, o que não foi pouco, em um trabalho de 20 dias, comecei a mandar e-mail e mensagem para todos eles. O objetivo do e-mail era bem claro, mostrar que estava indo para Irlanda, que tinha qualificação suficiente para trabalhar para/com eles imediatamente, que dessa forma estaria ajudando mais do que com os famosos subempregos e tudo isso de graça, que o foco não seria o dinheiro e sim a experiência.

 

Para minha surpresa, recebi respostas de três diferentes empresas de diferentes cidades (Dublin, Cork e Limerick). A última, de Limerick, é uma empresa de engenharia que faz projetos de automação. Como procurei por pessoas que faziam a mesma coisa ou parecidas, encontrei essa empresa que usava a mesma ferramenta para projeto, a que eu tinha trabalhado e teria me tornado consultor técnico e comercial na América Latina. E o principal: não existia nenhum representante técnico na Irlanda para essa ferramenta.

 

Eles me ofereceram o trabalho com salário, aceitei a proposta, comprei o curso de inglês em Limerick e embarquei em outubro de 2015.

 

 

Como foram os primeiros meses do seu intercâmbio na Irlanda? Você trabalhava durante o curso de inglês?

 

Os primeiros meses foram uma mistura de medo, aventura e novas experiências. Desde as mais básicas como ter que fazer sua própria comida e limpar seu banheiro, até como conhecer países diferentes. Era tudo muito novo, descobri que existia um terceiro inglês além de britânico e americano: o irlandês. O que ninguém fala é que você não vai entender nada do que eles falam (risos).

 

Cheguei à Irlanda no dia 29 de outubro e comecei a trabalhar no dia 9 de novembro. No início, o inglês atrapalhava um pouco no trabalho, o que era compensado com a experiência técnica.

Na primeira semana, optei por ficar em Dublin, me divertindo muito com festas, pubs, conhecendo gente de todo o mundo. Porque sabia que Limerick seria mais quieta.

 

Então comecei as aulas, sempre na parte da manhã. E como estava com o visto de estudante tinha que estudar e trabalhar na outra metade do dia. A empresa fica a 40 min de ônibus da minha casa e a passagem custava muito no início, 20 euros por dia, o que eu não conseguia pagar. Então acordamos que só iria para empresa uma vez na semana e faria o restante em home office. Trabalhei dessa forma por três meses.

 

Depois de alguns meses, já tinha conhecido muitas cidades como Berlin, Paris, Londres, Roma e Barcelona.

 

 

Quando começou a procurar uma vaga oficial na sua área?

 

Como eu tinha o visto de estudante, para continuar trabalhando, eu teria que renovar meu curso de inglês ou conseguir um visto de trabalho. Então sugeri à empresa a obtenção desse visto, informei todo o processo, ele gostaram da ideia e começamos os procedimentos.

 

Para conseguir um visto de trabalho, você precisa estar na lista de profissões elegíveis, a empresa deve anunciar sua vaga em jornais locais, nacionais e site do governo para garantir que não tenha alguém habilitado dentro da Irlanda ou na comunidade européia. Além disso, você deve atender os requisitos de documentações básicas, horas de trabalho, salário e o pagamento de uma taxa por parte da empresa.

 

Depois de quatro meses, consegui o visto de trabalho de dois anos com possibilidade de renovação por mais dois anos, elegibilidade para residência permanente para, depois de cinco anos no total, a aplicação para cidadania irlandesa.

 

Um acordo foi feito para que eu pudesse trabalhar o dia todo, eles pediram que eu comprasse um carro em troca de aumento salarial. O que parece uma coisa muito fácil já que os carros custam muito pouco aqui na Irlanda, em média de 500 a 900 euros por um bom carro. Se não fosse o seguro obrigatório que para um brasileiro pode custar ate 5.000 euros.

 

Então encontrei outra solução, o aluguel de carro, o que me custa de oito a 12 euros por dia dependendo do mês do ano.

 

Quais dicas você daria para brasileiros interessados em trabalhar na Irlanda?

 

Algumas coisas devem ser bem claras para quem estiver vindo, principalmente para aqueles que vêm para estudar. 

 

- O trabalho não deve ser a prioridade do estudante;

- Estar aberto a novas experiências (culturais e pessoais);

- Estar disposto a trabalhar em subempregos (o salário básico na Irlanda é de 9,15 euros por hora);

- Saber que para conseguir emprego o nível de inglês deve estar condizente com a vaga, não existe outro caminho;

- Procurar vagas onde você já tem experiência para comprovar;

- Usar os modelos de CV irlandês;

- Tentar individualizar sua candidatura, procure pessoas com que possam conversar sobre e mostrar o que conhece;

- Não se limitar a vagas na internet, tem que ir de porta em porta.

 

 

Como é o ambiente de trabalho e o convívio com colegas de trabalho no país?

 

Na minha experiência e de meus amigos, o resultado é sempre bom, existe uma diferença notável de como eles trabalham e como priorizam o trabalho na vida. São muito produtivos e organizados, tendem a respeitar, ter muita paciência e na maioria dos casos admirar a versatilidade dos brasileiros.

 

Na minha cidade, 99% dos brasileiros estão empregados como:

 

Área de TI (Informática)

Cleaner (Limpando casas ou bares)

Garçom

Kitchen porter (lavando louca em bares e restaurantes)

Vendendo curso de inglês

Atendente (loja, hotéis e restaurantes)

Cabeleireiro

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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