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Holanda: Financiamento Estudantil

O que é preciso para conseguir uma bolsa de estudos na Holanda?

Bolsistas brasileiros e recrutadora explicam os fatores principais para conseguir uma bolsa de estudos na Holanda

O que é preciso para conseguir uma bolsa de estudos na Holanda?
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Imagem: José Maurício Moreira, 45, bolsista do Mestrado de Arte e Cultura com concentração em Indústrias Criativas da Radboud University Nijmegen.

 

As universidades da Holanda oferecem uma série de bolsas de estudo para que estudantes internacionais possam cursar graduações e pós-graduações no país sem se preocuparem com o fator financeiro da experiência – uma das principais apreensões na hora de escolher onde estudar no exterior.

 

 

Algumas opções são especificamente para estudantes brasileiros, como a Orange Tulip Scholarship (OTS), administrada pela Nuffic Neso Brazil; outras são oferecidas pelas próprias instituições para todas as nacionalidades, como a University of Twente Scholarship. Em ambos os casos, os candidatos deverão passar por um processo seletivo longo, providenciar uma série de documentos e comprovar ter os requisitos certos para a bolsa.

 

Nós conversamos com dois bolsistas brasileiros e com a responsável pela comunicação internacional da University of Twente para trazer algumas dicas essenciais sobre o que é preciso para conseguir uma bolsa de estudo na Holanda.

 

Boa sorte!

 

Workshops e feiras pelo Brasil

 

O primeiro passo ideal é compreender o processo seletivo e identificar em quais cursos e universidades você quer se inscrever. Para isso, um dos recursos mais recomendáveis são os workshops, oficinas e feiras realizadas por todo o Brasil pela Nuffic Neso e também pelas próprias universidades holandesas. Nestes eventos, você pode conversar pessoalmente com representantes, receber orientação e assistir a palestras sobre o processo seletivo para as bolsas de estudo.

 

“Eu fui a workshops em português da Nuffic, eles vieram ao Rio e explicaram como era o processo, tudo o que tinha que fazer, então isso para mim foi muito importante para entender qual era a dinâmica e quais eram os critérios”, conta José Maurício Moreira, 45, bolsista do Mestrado de Arte e Cultura com concentração em Indústrias Criativas da Radboud University Nijmegen.

 

O mesmo aconteceu com Lívia Okamura, bolsista do Mestrado de Artes em Gestão da Diversidade Cultural na Tilburg University. “Estava em uma fase de busca por um mestrado/especialização fora do Brasil, por isso frequentei várias feiras de divulgação de universidades estrangeiras e eventos parecidos. Um desses eventos foi uma palestra da Nuffic sobre as opções de bolsas oferecidas para Holanda e o processo”.

 

Processo seletivo

 

O candidato interessado em uma bolsa de estudo na Holanda precisa primeiramente passar pelo processo seletivo da graduação ou pós-graduação diretamente pela universidade que oferece o curso.

 

É o que explica Rana Gabriel Taquini, da secretaria de Comunicação Internacional da University of Twente: “Independentemente de o aluno estar concorrendo ou não a uma bolsa de estudo, ele deve realizar o procedimento de admissão na Universidade de Twente. Em outras palavras, o aluno deve se candidatar tanto para a Universidade, quanto para a instituição que oferece a bolsa de estudo, logo o processo na Universidade é basicamente o mesmo”.

 

Ela salienta também que um dos passos importantes para a seleção pela Nuffic Neso é a comprovação de que o aluno já enviou os documentos para a admissão na Universidade.

 

Portanto, você deve se atentar aos detalhes do processo seletivo específico da universidade que escolher, incluindo requisitos, documentos e prazo de inscrição.

 

Proficiência no inglês

 

“Eu sou de uma época que era impensável estudar na Holanda sem falar holandês. A informação de que eu poderia fazer um mestrado em inglês foi definitiva. Foi por isso que eu decidi me candidatar”, relata José Maurício.

 

De fato, as bolsas oferecidas pela Nuffic Neso são exclusivamente para cursos ministrados na língua inglesa. As instituições de ensino superior da Holanda oferecem mais de 2.100 opções de cursos acadêmicos totalmente em inglês.

 

Por isso, um dos documentos exigidos para a seleção é um certificado de proficiência no idioma. Como a prova tem datas específicas de aplicação dependendo da localização do centro autorizado, o candidato pode encontrar certa dificuldade em agendar o melhor dia para prestá-la a fim de receber o resultado a tempo da inscrição na bolsa.

 

“O resultado do teste de inglês foi um dos documentos que causaram certa ansiedade porque o resultado do meu teste foi informado algumas semanas depois da data prevista e era um dos pré-requisitos para me inscrever no programa que escolhi”, relembra Lívia.

 

José Maurício também enfrentou certa dificuldade com esta parte do processo. Ele optou por fazer um curso preparatório para o IELTS em uma escola de idiomas antes de prestar a prova oficial, mas não conseguiu agendar uma data no Rio de Janeiro, onde mora. “Fui fazer a prova em São Paulo, então foi com certeza o documento mais difícil que eu tive que providenciar”, diz ele.

 

Além disso, José vivenciou na prática a severidade das instituições em relação à nota mínima de corte. Segundo o mestrando, a University of Twente tinha uma bolsa ótima, mas ele não passou na seleção por causa de meio ponto no IELTS. “Não me deixaram seguir no processo. Eles realmente são muito rígidos com isso.”

 

Preparo com antecedência

 

Devido ao grande número de documentos exigidos, prazos e outros detalhes que fogem do controle do candidato, o aconselhável é dar início ao processo seletivo com bastante antecedência.

 

“Como a Universidade de Twente leva até seis semanas para julgar se o candidato está apto ou não para iniciar seus estudos, é aconselhável que o aluno inicie os procedimentos de admissão na Universidade cerca de seis semanas ANTES de candidatar-se à bolsa de estudo. Com isso, a Instituição que oferece a bolsa de estudo terá melhores condições de julgar se o aluno está apto para receber a bolsa caso a Universidade já o tenha considerado admissível para iniciar os estudos”, explica Rana.

 

No entanto, todo o procedimento, desde a escolha das universidades ao resultado da seleção, pode levar bem mais tempo do que isso. O ideal seria ter, pelo menos, um ano para dedicar-se à inscrição. “Eu fiquei mais de um ano me preparando, levantando os documentos, carimbando tudo – você tem que carimbar tudo no Ministério das Relações Exteriores -, depois fazer uma tradução e aí carimbar tudo no Consulado da Holanda”, conta José.

 

Lívia orienta a ter tempo para elaborar bem os documentos que você precisa escrever, como a carta de motivação, e ficar atento aos procedimentos que estão fora do controle do candidato, por exemplo, a tradução de documentos, a emissão de passaporte, o resultado do teste de inglês e as cartas de referência. Desta forma, nenhum imprevisto lhe atrapalhará de entregar tudo no prazo certo.

 

Carta de motivação

 

Um dos documentos mais importantes do processo seletivo é a carta de motivação, na qual os candidatos devem se apresentar e apontar as razões para serem admitidos. Ambos os bolsistas deram a mesma dica: evitar redações genéricas.

 

“Não é uma carta padrão que você faz e manda para cinco, sete [universidades] e só troca o nome lá no cabeçalho”, reforça José Maurício. “Na minha carta de motivação, eu me apresentei, escrevi a minha história tanto acadêmica quanto profissional e também destaquei a experiência de ter conhecido a Radboud aqui no [evento no] Brasil e da importância do folheto deles explicando tudo, como seria a vida lá na Universidade e toda a comunicação e informação do que é estudar naquela universidade.”

 

A redação deve ser coesa, clara e argumentativa. Com ela, os recrutadores precisam conhecer melhor o candidato e também compreender seus objetivos pessoais, educacionais e profissionais. Além disso, é de extrema importância que você revise a carta com muita atenção para evitar qualquer tipo de erro, considerando que ela deve ser escrita em inglês.

 

“Primeiramente contei sobre meu histórico acadêmico e conquistas e a razão por estar buscando me aprimorar mais em outro país. Em seguida descrevi como me identificava com o programa de mestrado me baseando em experiências acadêmicas e pessoais, por exemplo, interesse em outras culturas e facilidade em aprender outros idiomas”, descreve Lívia, admitida pela Tilburg University. “Também enfatizei que ganhos teria como profissional tendo a oportunidade de realizar uma pós na Holanda no campo que estava escolhendo. Finalizei com os possíveis impactos que como indivíduo e profissional poderia causar socialmente após essa oportunidade.”

 

O ideal é pesquisar bastante sobre a universidade antes de escrever a sua carta e certificar-se de ter motivos específicos e pessoais para se inscrever. Por exemplo: a grade curricular do curso atende aos seus objetivos acadêmicos; a experiência lhe ajudará a atingir os seus propósitos profissionais; a vida acadêmica na instituição lhe atrai pelos aspectos culturais, etc.

 

“É normal que estudantes apliquem para bolsas em diferentes universidades e diferentes países, mas é preciso ter cuidado para não se atrapalhar. Os selecionadores vão saber se você fez o seu dever de casa ao preparar sua carta de motivação ou se você só usou uma carta modelo”, aconselha Rana. “Encare essa busca como busca por emprego: é necessário saber bastante sobre a universidade, entender seu propósito, valores e ambições.”

 

Rendimento acadêmico

 

“Eu consegui comprovar excelência acadêmica através do meu histórico escolar. Eu tenho um coeficiente de rendimento (CR) alto”, diz José. Ele acredita que as médias exemplares em seu bacharelado e também na especialização em Ciências da Saúde na área cultural foram um fator definitivo para a sua seleção na Radboud.

 

O alto desempenho acadêmico é esperado dos bolsistas mesmo depois da seleção, durante os estudos na Holanda. “O aluno bolsista (Orange Tulip Scholarship ou University of Twente Scholarship) que estiver matriculado em um programa de dois anos (60 European Credits), conseguirá a renovação da bolsa para o segundo ano do curso caso consiga obter os seguintes resultados: após receber os resultados do terceiro quadrimestre do primeiro ano acadêmico, o estudante deverá ter obtido no mínimo 30 European Credits com o coeficiente igual ou acima de 7 pontos”, explica Rana, da Twente.

 

A vida de um bolsista na Holanda é maravilhosa, mas não é moleza. Cada instituição tem critérios próprios para a renovação da bolsa de estudo, no entanto, de maneira geral, todas exigem um rendimento acadêmico alto dos estudantes, comprovado com notas, trabalhos e/ou avaliação dos orientadores.

 

Durante a seleção para a bolsa, o rendimento é comprovado com a apresentação do histórico escolar/acadêmico do candidato e cartas de referência, que devem passar por tradução oficial para o inglês.

 

Determinação

 

E, por final, é preciso ser determinado. Como explica o bolsista José Maurício, não basta se inscrever para apenas “ver no que vai dar”. “Tudo isso custa trabalho, dinheiro e investimento. A pessoa tem que querer de verdade.”

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.