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Reino Unido: Inscrevendo-se em uma universidade

Como se preparar para o ensino superior do Reino Unido?

Aprenda detalhes sobre o ensino médio, preparatórios acadêmicos e processo seletivo do Reino Unido para aumentar as suas chances de admissão

Como se preparar para o ensino superior do Reino Unido?
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Quem escolhe cursar a sua graduação no Reino Unido, deve se atentar às diferenças entre ensino médio, preparação para a vida universitária e processo seletivo entre os dois países.

 

No Brasil, o estudante começa a se preparar para o vestibular e o ENEM desde o primeiro ano do colegial. Várias universidades oferecem simulados e incentivam os seus estudantes a prestarem as provas como treineiros. Aqueles que não conseguem a admissão na universidade desejada ou que ainda não se sentem preparados, procuram um cursinho para um ou mais anos de estudos adicionais.

 

 

O nosso sistema de ensino tem toda a sua terminologia (“treineiro” e “cursinho”, por exemplo), detalhes e passos a serem seguidos. O mesmo acontece com a educação em todo e qualquer país.

 

Entender como funciona o sistema britânico é essencial para garantir a sua vaga no país!

 

Ensino médio no Reino Unido

 

No Reino Unido, o ensino médio é formado por quatro anos de estudos. O estudante começa a ser avaliado com provas desde o primeiro ano.

 

1. GCSE

 

Os dois primeiros anos são chamados de GCSE, geralmente cursados doa 14 aos 16 anos.

 

Os GCSEs (General Certificates od Secondary Education), como o próprio nome indica, são certificados gerais de ensino médio. Basicamente, são uma série de exames resultantes em certificados que os alunos prestam ao final do ano para avaliar seus conhecimentos, habilidades, competências e preparo nas matérias estudadas.

 

Na maioria das escolas do Reino Unido, o método é o mesmo. Todos os estudantes devem cursar três GCSEs obrigatórios:

 

  • Inglês;
  • Matemática;
  • Ciências (com as disciplinas de Biologia, Química e Física combinadas ou separadas).

 

O próprio estudante pode selecionar também mais quatro ou cinco matérias adicionais, geralmente de acordo com a área de estudo que pretendem cursar no ensino superior. As possibilidades são bem diversas e abrangentes: música, francês, alemão, estudos empresariais, design e tecnologia, ciências dos esportes, geografia, história, tecnologia dos alimentos e várias outras disciplinas.

 

Dependendo da capacidade e disposição do estudante, ele pode cursar até dez GCSEs em escolas estaduais e até 11 e 12 em escolas independentes.

 

Durante os estudos, as escolas costumam aplicar simulados dos testes e no final do ano os estudantes prestarão um exame oficial de GCSE receberão um certificado para cada uma das disciplinas cursadas. Isto acontece tanto no final do primeiro quanto do segundo ano, chamados de Year 10 – GCSE 1 e Year 11 – GCSE 2.

 

A importância dos GCSEs

 

Cada GCSE recebe uma nota que antigamente ia de A* a G, mas passou recentemente a ser numérica atualmente:

 

Sistema de notas de GCSE

9

8

7

A*

A

6

5

4

B

C

3

2

1

D

E

F

G

U

U

 

Normalmente, para ser considerado aceitável, o GCSE do estudante deve ser de pelo menos C, ou, no novo sistema, 4 ou 5.

 

Estas notas são extremamente importantes para os estudantes britânicos porque influenciarão as chances de serem admitidos em universidades e também constarão em seus currículos profissionais.

 

2. A-levels

 

Uma vez concluídos os anos 10 e 11, o estudante tem três opções:

 

  • Cursar dois anos de A-levels;
  • Cursar uma qualificação vocacional do BTEC (Business and Technology Education Council), NVC (National Vocational Qualification) ou outro;
  • Deixar a escola e procurar um trabalho.

 

Basicamente, os A-levels possuem um modelo similar aos GCSEs: os estudantes escolhem quais matérias cursar, prestam um exame para cada uma delas no final do ano letivo e recebem um certificado com uma nota.

 

Nós temos um artigo sobre A-levels aqui.

 

Os dois anos de A-levels (Advanced Levels) são chamados de sixth form (Year 12 - Lower Sixth e Year 13 – Upper Sixth), geralmente cursados entre os 16 e 18 anos e oferecidos por escolas chamadas de sixth form colleges.

 

O objetivo principal deste período dos estudantes no Reino Unido é prepará-los para o ensino superior. Atualmente, o Bacharelado Internacional tem sido oferecido como uma alternativa aos A-levels.

 

3. Educação vocacional

 

Outra opção após os GCSEs é cursar um programa de estudo técnico e vocacional, mais voltados a carreiras e setores específicos.

 

As qualificações vocacionais mais populares são as seguintes:

 

  • BTEC;
  • NVQ;
  • City and Guilds Qualifications;
  • Apprenticenships.

 

Estes estudos tem caráter de educação continuada. Apesar de terem o objetivo de preparar os estudantes profissionalmente, com a conclusão de uma educação vocacional nos dois últimos anos de ensino médio, também é possível passar pelo processo seletivo das universidades.

 

Foundation Year

 

Como podem perceber, o ensino superior do Reino Unido e do Brasil tem suas semelhanças, mas também várias diferenças.

 

Por isso, na hora de preencher a sua inscrição em graduações no Reino Unido, diretamente pela universidade ou pelo UCAS, você terá de providenciar documentos, históricos escolares e diplomas que comprovem a conclusão do colegial com boas médias.

 

Mas, mesmo com os documentos e notas adequadas, os estudantes internacionais admitidos quase sempre devem começar os estudos no Reino Unido por um programa chamado foundation year.

 

“O estudante sendo aprovado na instituição de ensino passa a fazer seu primeiro ano lá: foundation year /course. Pode ter de seis meses a um ano de duração, e são abordados módulos de  metodologia de pesquisa, redação para monografias e estudo dirigido na área de graduação que optou”, explica Maura Leão, Presidente da Belta, Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais.

 

“Ou seja, é um curso que prepara o estudante para os outros anos de graduação na área escolhida. Isso supre o que não foi ensinado aqui no Brasil e prepara o aluno para ser bem-sucedido no ensino superior britânico.”

 

O que é?

 

Pode-se dizer que o foundation year é o “ano zero” de uma graduação, existente para ajudar os estudantes estrangeiros que não conseguiriam admissão padrão do Reino Unido, que inclui A-levels, Bacharelado Internacional ou equivalente.

 

Ele funciona como um preparatório acadêmico para estudantes internacionais, fortalecendo conhecimentos e competências que serão importantes durante a graduação, inclusive a proficiência na língua inglesa.

 

Muitas universidades oferecem aos estudantes mais aptos a opção de cursar algumas disciplinas da graduação valendo crédito juntamente com o programa de foundation.

 

Vantagens do foundation year

 

  • Quase sempre é a única maneira de ser admitido em uma graduação no Reino Unido;
  • Durante o curso, você irá se adaptando ao novo ambiente, sistema de ensino e vida no país;
  • Quando começar a graduação, você se sentirá mais preparado e confiante;
  • Mesmo como estudante do foundation year, você terá acesso a todas as instalações da universidade, como biblioteca, academia, associações estudantis, União do Estudante, etc.;
  • Você adquirirá a proficiência adequada na língua inglesa antes de começar definitivamente a sua graduação.

 

Access Courses

 

Uma segunda opção, os cursos de Access to Higher Education (Acesso à Educação Superior) também são oferecidos no Reino Unido.

 

O access pode ser tanto para estudantes internacionais quanto para nativos que pararam de estudar há algum tempo e querem se preparar para a admissão universitária. É necessário ter no mínimo 21 anos para cursá-los.

 

Estes cursos fornecem uma boa base educacional, preparando seus alunos com o conhecimento e habilidades necessárias para os estudos acadêmicos.

 

Os access courses também estão disponíveis em diferentes áreas de estudo como negócios, mídia digital, hospitalidade, humanas, direito, farmácia, engenharia, enfermagem, ensino, turismo, etc.

 

Com a conclusão bem-sucedida deste curso, o estudante recebe um diploma chamado de Access to HE Diploma”.

 

Todos os cursos reconhecidos e aprovados de access no Reino Unido são listados pela QAA (Quality Assurance Agency).

 

Diferenças entre foundation year e access courses

 

  • Normalmente, os cursos de foundation são oferecidos por universidades, enquanto os de access são ministrados em faculdades;
  • Os cursos de access estão disponíveis apenas em instituições da Inglaterra e do País de Gales;
  • O foundation year é um ano de estudo integrado a uma graduação. Isto significa que ao terminá-lo, você já pode progredir automaticamente ao primeiro ou segundo de estudos acadêmicos tradicionais sem precisar passar pelo processo seletivo novamente;
  • Já o access é cursado antes do processo seletivo universitário no Reino Unido.

 

IELTS x GCSE English

 

O IELTS é o exame de proficiência na língua inglesa oficial no Reino Unido. Cada instituição estipula um resultado mínimo obrigatório para a admissão de estudantes internacionais, que varia de acordo com o nível e área de estudo.

 

No geral, o candidato precisa de uma nota mínima de 5.5 em cada uma das sessões da prova – Compreensão Oral, Conversação, Leitura e Escrita. Este resultado pode ser mais exigente dependendo da instituição, portanto, é sempre importante verificar esta informação antes de prestar o exame.

 

Os estrangeiros que tiverem cursado o ensino médio no Reino Unido podem usar o GCSE de inglês para comprovar a fluência no idioma.

 

Normalmente, a equivalência funciona da seguinte forma:

 

IELTS

GCSE English Language

6.0

C

6.5

C

7.0

B

7.5

B

 

A nota do ENEM ou do Vestibular vale no processo seletivo do Reino Unido?

 

Esta resposta deve ser verificada caso a caso, uma vez que cada universidade possui diferentes exigências para a seleção de candidatos internacionais.

 

Nós separamos alguns casos reais a seguir:

 

Exemplos:

 

1. A University of Bristol admite estudantes candidatos brasileiros ao primeiro ano de uma graduação com as seguintes condições:

 

  • Boas notas no Certificado de Ensino Médio, uma nota de aprovação no ENEM/Vestibular/PAS e também a conclusão com sucesso de um programa de foundation adequado;
  • Candidatos que já tiverem concluído o primeiro ano de uma graduação (licenciatura/bacharel) em uma universidade brasileira com boas notas.

 

2.  A University of Glasgow, na Escócia, considera a nota do ENEM/Vestibular/PAS para a admissão no programa de foundation oferecido pela Glasgow International College. Com a conclusão bem-sucedida do foudation, o estudante progride automaticamente para o segundo ano da graduação escolhida.

 

3.  A Kingston University considera para a admissão em graduações as seguintes notas mínimas:

 

  • Superior (MS) ou acima (SS) no Certificado de Conclusão do Segundo Grau;
  • 7/A ou B/Bom, Muito Bom ou Excelente no Certificado de Ensino Médio;
  • 55% ou mais no ENEM;
  • 5 ou mais no Vestibular.

 

Cada caso é um caso: encontre o caminho mais adequado para você

 

A seleção universitária de estudantes internacionais, por ser holística, depende de diversos detalhes. Cada caso é um caso e deve ser estudado com cuidado a fim de encontrar a melhor alternativa.

 

  • Compensa começar os seus estudos no Reino Unido pelo ensino médio?
  • Seria mais viável fazer um foundation year no Reino Unido ou cursar o primeiro ano de uma licenciatura/bacharel no Brasil e depois tentar a minha admissão no exterior?
  • Para mim, seria mais interessante um curso de access ou de foundation?
  • Qual resultado no IELTS devo tirar para conseguir a admissão no Reino Unido?

 

A resposta para cada uma destas perguntas será essencial para formar o seu caminho educacional no Reino Unido. Peça orientação da sua universidade britânica que com certeza poderá orientá-lo sobre as opções disponíveis.

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SOBRE O AUTOR

Como se preparar para o ensino superior do Reino Unido?

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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