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Reino Unido: Destino de Estudo

Intercâmbio na University of Leeds: brasileira relata vantagens da experiência

Cintya Hayashi, mestre em Ciências, estudou por 6 meses na University of Leeds e revive a experiência em entrevista ao Hotcourses Brasil, do processo seletivo à influência na sua vida após o retorno ao Brasil

Intercâmbio na University of Leeds: brasileira relata vantagens da experiência

Cintya Hayashi, 32, é Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, na área de Neurologia e Neurociências. Durante a sua graduação na Escola de Enfermagem na Universidade de São Paulo (EEUSP), ela despertou o interesse por um intercâmbio e aproveitou do convênio da sua instituição brasileira com universidades no Reino Unido.

 

A sua escolha pelo destino de estudo, como ela explica na entrevista a seguir, se deu pela qualidade do sistema de saúde britânico, internacionalmente reconhecida. Um dos destaques da sua experiência foi a presteza e acolhimento da equipe internacional da University of Leeds, sua instituição no Reino Unido por um semestre.

 

Estudar no Reino Unido

 

Primeiramente, quais são a sua idade e formação acadêmica (universidade e área de estudo)?

 

Eu hoje tenho 32 anos, sou enfermeira formada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) tenho os títulos tanto do Bacharelado quanto da Licenciatura. Sou também Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, na área de Neurologia e Neurociências.

  

Como soube da University of Leeds e por que escolheu estudar nela? O que te atraiu no Reino Unido como destino de estudo no exterior?

 

Eu estava procurando lugares para fazer intercâmbio quando estava na graduação (em 2008) porque queria uma vivência na área de Saúde fora do país e a Inglaterra sempre foi um lugar muito interessante. Não só por conta de todos os professores falarem do exemplo de Sistema de Saúde no Reino Unido (NHS) como um modelo excelente de gestão em Saúde Pública, mas também porque a primeira enfermeira do mundo era inglesa (Florence Nightingale). Então eu sabia que teria que ser algum lugar no Reino Unido.

 

Fui procurar as universidade que tinham convênio com a USP via CCint (Comissão de Cooperação Internacional) e naquela época, como não existia o Ciências Sem Fronteiras, você tinha que ver os requisitos de seleção individualmente. Na lista das universidade do Reino Unido com as quais a USP tinha convênio, as universidades mais acessíveis em questão financeira e de critérios acadêmicos foram a University of Leeds e a University of Manchester.

 

Quando comecei a conversar com os escritórios de intercâmbio (International Office) de cada universidade, o pessoal da Uni-Leeds foi super receptivo e solícito. As respostas por email eram bem rápidas e mesmo que eles não soubessem me responder na hora, sempre diziam que buscariam a resposta e me retornariam o quanto antes.

 

Muitas das minhas dúvidas foram solucionadas nessas trocas de mensagem e, quando tive uma dúvida específica da área de Enfermagem, eles repassaram o contato de uma "mentora" da Nursing School de lá com quem consegui conversar bastante a respeito do intercâmbio e das perspectivas de estudo lá.

 

 

Como foi o seu processo de inscrição na Leeds?

 

brasileira fez intercâmbio na University of Leeds, Reino Unido

Cintya participou do evento do loveUK sobre a University of Leeds em São Paulo.

 

Como eu precisava saber os requisitos e os detalhes antes de me inscrever, muita coisa começou antes mesmo de eu me inscrever no processo seletivo da USP (porque era um edital em que todos os alunos de todas as faculdades poderiam se inscrever, independente da área, e só tinham 4 vagas para Leeds).

 

Sabendo exatamente o que Leeds ia pedir como requisito, eu já consegui me preparar por aqui. E nisso eles (International Office de Leeds) foram super legais para me responder tantas perguntas!

 

Pelo processo da USP, eu precisava escrever uma carta de intenção dizendo o porquê de eu querer fazer intercâmbio e o que isso contribuiria no meu futuro profissional retornando ao Brasil, além de mostrar o histórico escolar (notas boas). A parte da carta de intenção também era um requisito para Leeds (e daí eu precisava escrever a mesma carta em inglês).

 

Precisei fazer a prova de proficiência na língua inglesa (IELTS), pedir as cartas de recomendação para os meus professores (escritas em inglês!) e traduzir o meu histórico escolar (tradução juramentada).

 

Uma vez aprovada no processo seletivo, começou a saga para me matricular nas disciplinas de lá. Como a organização da grade curricular de lá é um pouco diferente da nossa aqui, eu precisei tirar muitas dúvidas sobre quais disciplinas eu poderia cursar (porque eu não sabia se poderia cursar disciplinas avançadas lá, algumas tinham pré-requisito, e eu já estava no sétimo semestre aqui).

 

A mentora me ajudou bastante indicando as disciplinas possíveis e também aconselhando sobre aquelas que poderiam contribuir com a minha formação (de uma forma extra) para a carreira no Brasil.

 

Você conseguiu alguma bolsa de estudo? 

 

Eu não tive bolsa de estudos. A USP tinha um convênio com a Uni-Leeds em que nós não precisaríamos pagar nenhuma taxa acadêmica ("Academic fee": biblioteca, matrícula, mensalidade, etc.).

 

Mas no edital do qual participei não tinha nenhum subsídio para moradia ou coisa do tipo. Eu tive que arcar com os gastos sozinha mesmo, pagando por visto, passagem, moradia, alimentação, transporte, etc. Ainda bem que meus pais tinham condições de me bancar lá naquele semestre (de setembro/2009 a fevereiro/2010). 

 

Como foi a sua adaptação nos primeiros dias? Os serviços de recepção da Leeds ajudaram na transição?

 

Nós quatro (alunos) que passamos no processo seletivo da USP para Leeds acabamos nos organizando aqui para ver visto, moradia, etc... e acabamos indo todos juntos no mesmo vôo para lá.

 

Durante o processo de matrícula online, você escolhe se quer ajuda do Meet&Greet na sua chegada lá no aeroporto mesmo e todos nós optamos por ter alguma orientação. Porque chegar lá sem conhecer nada nem ninguém é bem complicado, tanto que tive amigos de outros países que não quiseram a orientação e ficaram um pouco perdidos.

 

Assim que você desembarcava no aeroporto (em Leeds-Bradford), já tinha um grupo de alunos com a camiseta de Leeds, sinalizando o Meet&Greet e uma placa grande falando "welcome"! Não tinha como você se perder. Eles foram super atenciosos e receptivos! Tinha um ônibus para levar os alunos para as respectivas residências estudantis dentro do campus. Eles dividiram a gente, orientaram como seria o roteiro do dia e quando chegamos lá na residência (eu fiquei em St Mark's Residences) também havia já um outro grupo de veteranos para orientar o cadastro, retirada de chaves e tudo mais.

 

No começo eu tive a tendência de ficar mais com os brasileiros, mas acho que isso é meio normal quando você não conhece mais ninguém... (risos) Mas mesmo no ônibus vindo do aeroporto você já começa a falar com outras pessoas que estão indo para a mesma moradia que você e a conversa vai fluindo e você vai fazendo amizades.

 

Eu fiquei num apartamento compartilhado onde cada menina tinha seu quarto, mas dividíamos a cozinha e o banheiro. Estávamos eu (brasileira), uma americana e duas alemãs. No apartamento do lado tinha um francês, uma vietnamita, um tcheco e uma italiana. Era assim o condomínio todo! Cheio de estudantes internacionais de todas as partes do mundo! Conversar com o pessoal e ver que estávamos todos no mesmo barco me fez ficar mais confortável com tudo que estava acontecendo!

 

Durante o processo de matrícula você podia escolher se queria morar numa residência estudantil dentro do campus ou se você gostaria de procurar um lugar para morar por conta própria. Se a escolha era dentro do campus, você também podia escolher se queria já comprar um "pacote de refeição" (pagava uma taxa fixa por mês para ter 3 refeições no refeitórios do campus), se queria também um pacote de cama (lençol, fronha e edredom) e um pacote de cozinha (1 panela funda, 1 frigideira, 1 cassarola, 1 jarra, 2 copos, 2 pratos, 2 garfos, 2 facas, 2 colheres).

 

Essas facilidades são vendidas oficialmente pela Universidade num esquema de "pacotes" durante o processo de matrícula. E isso ajuda muuuuito quando você chega cansada de viagem e quer organizar as coisas da casa!

 

A moradia já tem na cozinha a chaleira (electric kettles), torradeira, microondas, geladeira, ferro e tábua de passar, aspirador de pó, fogão e forno (além da mesa de jantar e das cadeiras). Nos quartos tem uma cama de solteiro com colchão, um criado mudo, armário simples, uma escrivaninha e uma cadeira.

 

Por isso que digo que esses pacotes que você pode comprar online antes de ir já ajudam a se organizar, sem precisar ficar saindo para comprar coisa pesada na rua, porque eles entregam tudo no seu quarto quando você chega! Sensacional! E todas as dúvidas que eu tinha em relação a isso, o pessoal do International Office e do Accommodation Office me ajudaram muito!

 

Você também escolhe no processo de alocação de residência as suas preferências em relação a lugares mais quietos, perto do campus ou afastados, compartilhados, suítes, etc. Tudo muito fácil e simples!


Tirando o impacto do fuso horário no primeiro dia, até que não foi tão difícil me adaptar. Os alunos veteranos ajudam bastante na semana de recepção, pois sempre tem palestras em horários diferentes ao longo do dia para explicar aos novatos como funciona a universidade, o esquema das bibliotecas, cafeteria, restaurantes, bares, esportes, tutoria/mentoria, aulas de inglês para reforço, como abrir conta no banco e como se registrar com a polícia local, onde procurar casas (se você não estiver em uma residência estudantil da própria universidade), supermercado, etc.

 

Tudo era bem organizado e sempre ficava um supervisor do International Office junto com os veteranos voluntários, para dar aquele apoio na hora das perguntas mais complicadas.

 

Na semana de recepção você pode fazer um tour pelo campus, tour pela Union (centro acadêmico), walking tour no centro da cidade, havia um dia da "feira das sociedades", e também acontecem as reuniões com os mentores/tutores que geralmente são agendadas com antecedência.

 

E a própria recepção em si (Fresher's week) é super animada! O pessoal faz os pic-nics, tem comida de graça no campus, festa...

 

De quais sociedades e clubes estudantis você participou? De que maneira estas atividades extracurriculares ajudaram a melhorar a experiência de intercâmbio?

 

Brasileira na University of Leeds, Reino Unido

Cintya com amigas durante a festa de Natal da University of Leeds.

 

Eu participei da Swimming & Waterpolo Society e da LINKS St John's Ambulance (de primeiros socorros).

 

Participar de clubes e sociedades faz você ter mais contato com outros alunos de outros cursos e também entender mais a cultura. Fiz amizade com gente de diferentes partes do Reino Unido, da Europa, da Ásia, de todos os lugares!

 

Você também compartilha a experiência de morar/estudar fora do seu país com pessoas que estão na mesma situação que você, embora a percepção delas possa ser diferente da sua.

 

Além disso, você conhece mais lugares diferentes no campus, fica mais fácil de se enturmar e também, se você participa de algum esporte, acontecem alguns campeonatos!

 

Qual curso você estudou na Leeds? O que você achou dos métodos de ensino em um ambiente acadêmico no Reino Unido?

 

Eu fiz um semestre do curso de bacharelado em Enfermagem (Adult Nursing) na School of Healthcare. Os esquemas de aula lá, mesmo sendo considerado "full time student" (estudante integral), são compostos de aulas presenciais, seminários, tutoria/mentoria, trabalhos em grupo e os trabalhos escritos para conclusão de disciplina (as conhecidas "essays").

 

Aqui no Brasil estamos acostumados a ficar muito tempo em sala de aula, mas lá você estuda muito mais fora da sala! As aulas acabam sendo muitas vezes discussões sobre o assunto e, por isso, você precisa se preparar antes para chegar com o conteúdo estudado e já com os comentários e dúvidas prontos. Muitos trabalhos em grupo acabam sendo em sala de aula com discussões em grupos pequenos e mão na massa.

 

No meu curso, como era área de saúde, tinham estudos de caso clínico e discussão das propostas de tratamento possíveis para aqueles casos. Tive também aulas práticas no laboratório e foi bem interessante! Em questão de metodologias de ensino, sempre tem aqueles tradicionais slides com o professor falando, mas tem muita discussão em grupo e debates.

 

Conte-nos um pouco sobre o encontro de ex-alunos da University of Leeds que acontecem anualmente no Brasil. Como surgiu a ideia, quem o organiza e como são os encontros?

 

Então, o encontro dos ex-alunos (alumni) acontece pelo menos uma vez no ano. Quem normalmente inicia tudo é o próprio pessoal do Alumni Leeds e do International Office que manda um recado geral para todos os ex-alunos no mundo todo. Eles chamam de "BIG Get Together".

 

Eles escolhem um período (duas semanas mais ou menos) para que todos os ex-alunos consigam organizar um encontrão na cidade/região/país onde moram. O pessoal de lá sempre pede para que algum dos ex-alunos seja voluntário como organizador local do evento. Eles enviam lembrancinhas (chaveiros, canetas, pins, etc.) e cartazes para o evento.

 

O pessoal geralmente marca em um pub ou bar para a galera se integrar, conversar, comer e beber! E o mais engraçado é que tem gente de anos diferentes, mas as lembranças de Leeds sempre conectam a gente de alguma forma!

 

Esses encontros de ex-alunos acontecem no mundo todo e, onde quer que você esteja naquela época do ano, você consegue encontrar pessoas que foram também para Leeds estudar!

 

O contato geralmente é feito por email se for a primeira vez que você participa como ex-aluno. Mas se você já foi antes, além do email você também pode receber mensagem no Facebook, Twitter, Instagram, etc.

 

Essa ideia de reunir os ex-alunos é algo que acontece muito em outros países, sendo um evento organizado pela própria universidade. Aqui no Brasil eu vejo que esses encontros acontecem mais entre os grupinhos de alunos, não sendo algo "institucional". O legal de ter esses eventos oficiais da University of Leeds é que você consegue conhecer mais pessoas que tem algo em comum com você!

 

Quais foram as influências do intercâmbio na sua vida pessoal, acadêmica e profissional após o seu retorno ao Brasil?

 

Acho que morar num lugar sem a minha família, num país diferente e com pessoas diferentes me fez crescer e amadurecer. Você enfrenta uma outra realidade com a qual não está acostumado, mas isso faz você evoluir como pessoa. É uma aventura! Você volta de lá com uma outra visão de mundo e de vida.

 

Da parte acadêmica, ver como funciona uma universidade europeia me fez ver a minha universidade com olhos mais críticos e também ver minha formação com mais apreço.

 

A experiência do intercâmbio contribuiu no meu currículo profissional pela questão da fluência na língua inglesa, entender mais do sistema de saúde em outros lugares do mundo, entender do contexto de pesquisa em universidades renomadas com estruturas diferentes da minha universidade aqui e da própria maturidade pessoal.

 

Você recomendaria o Reino Unido e a University of Leeds como destino de estudo a outros brasileiros interessados em um intercâmbio? Por quê?

 

SIM, com certeza! Acho que com tudo que já falei anteriormente aqui dá para ver que eu realmente recomendo a Leeds!

 

A University of Leeds é uma instituição entre as melhores do mundo (ranking internacional), a cidade é tranquila, você tem a qualidade do ensino do Reino Unido em lugar com um custo de vida mais acessível, a estrutura da Universidade é boa e o apoio aos alunos é algo realmente muito agradável.

 

Os tutores sempre estão super dispostos a te ajudar no que você precisar! Acho que tudo que citei nas questões anteriores contribuem para justificar o porquê eu recomendo University of Leeds para todos.

 

Tem a questão da cidade ser de "clima universitário" porque existem outras universidades na cidade, o que faz com que sempre tenham muitos jovens na mesma situação que você!

 

Falando de Reino Unido, acredito que, para quem é da área da Saúde (como foi o meu caso), estudar lá faz você perceber o sistema de saúde organizado e os programas e serviços integrados. A visão de rede de atenção à saúde e de formação do profissional mais crítico são fatores que consegui desenvolver comparando o que temos no Brasil com o que eu vi lá.

 

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SOBRE O AUTOR

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Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.