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Estados Unidos: Antes de partir

Cultura fast food: como é a alimentação nos Estados Unidos?

Como a culinária e a alimentação americana é dominada pelas redes de fast food e a praticidade na hora de se alimentar. Quais são as redes de fast food mais conhecidas nos EUA? Existem redes de fast food saudáveis?

Cultura fast food: como é a alimentação nos Estados Unidos?
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“Os filmes hoje precisam ser fast. Os livros, fast. A cultura tem que ser facilmente deglutível e descartável”, disse bem o jornalista brasileiro Renato Essenfelder em um post do seu blog no Estadão. A cultura fast food não se limitou apenas à comida e hoje já se infiltrou em todos os aspectos da nossa vida. Tudo tem de ser rápido, prático e indolor. Os livros viraram audiobooks e a comunicação se condensatam em mensagens de Whatsapp e 280 caracteres no Twitter, abusando das abreviações e emojis. E estes são apenas dois exemplos...

 

Nos Estados Unidos, esta cultura reina. Os americanos estão acostumados com serviços a jato, como o Same Day Delivery, que entrega os produtos no mesmo dia da compra. Quando o assunto é alimentação, então, nem se fala. Os produtos são comprados praticamente prontos em supermercados, como comida congelada, e as opções de fast food são tantas que já fazem parte integral da vida dos norte-americanos.

 

 

A popularização da fast food

 

O termo fast food significa literalmente “comida rápida”. Esta modalidade de alimentação – em especial, a combinação hambúrguer, fritas e refrigerante – se popularizou nos anos 50 quando os Estados Unidos desfrutavam de uma situação econômica favorável e a alimentação passou a ser uma parte secundária de um cotidiano em que tempo era dinheiro.

 

Os pioneiros da “comida rápida” foram Richard e Maurice McDonald ao desenvolver um método revolucionário de linha de produção que permitia atender aos clientes em apenas 30 segundos – e assim surgia a mais famosa rede de fast food do mundo até hoje. Tudo era pensado minuciosamente, desde o layout da cozinha ao número de picles no lanche. A ideia substituiu o famoso estilo drive-in das lanchonetes da época, em que os clientes eram atendidos e consumiam os produtos dentro de seus veículos.

 

Basicamente, os irmãos McDonald aplicaram à alimentação o estilo de linha de montagem fordista, mecânico e ágil, a fim de aumentar a produtividade. Os dois eram bem abertos em relação ao seu método e costumavam receber outros empreendedores em seus estabelecimentos para mostrar a produção de seus hambúrgueres. Assim, inspiraram os fundadores de outras redes famosas, como Burguer King e Taco Bell.

 

Dica de filme: Fome de Poder (The Founder, 2016), com Michael Keaton, conta a história da fundação e ascensão da rede MC Donald’s nos Estados Unidos.

 

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As redes de fast food americanas

 

É claro que os americanos também têm opções saudáveis (abaixo listaremos algumas), mas elas costumam ser um pouco mais caras do que restaurantes de redes fast food.

 

Nos Estados Unidos, o McDonald’s, por exemplo, tem além dos combos comuns, o chamado Dollar Menu com diferentes opções – cheeseburguer, fritas pequenas, refrigerante pequeno, porção de nuggets, torta de maçã, entre outras – por apenas um dólar cada um. Desta forma, você pode montar um combo completo mais uma sobremesa por menos de US$ 5.

 

Além disso, as fast foods estão em todos os lugares. Os combos sanduíche-fritas-refrigerante são os mais encontrados, desde o McDonald’s ao monte-o-seu-próprio-lanche Subway, o Burguer King, o Wendy’s, etc. Se você quiser pizza, também têm muitas opções: Domino’s, Papa Johns, Quiznos, Pizza Hut, CiCi’s Pizzas e muito mais.

 

A verdade é que, atualmente, tem uma rede para todos os gostos. O Dunkin Donuts, por exemplo, faz brilhar os olhos de quem é apaixonado por doces. Os donuts são rosquinhas de massa macia – conhecidos como os preferidos dos policiais americanos e do personagem do desenho animado Homer Simpson.

 

Elas podem ter as mais diversas coberturas e os mais diversos recheios. Mas o melhor do Dunkin Donuts é o preço: um donut custa pouco mais de um dólar. A franquia desta rede no Brasil recebe o nome de Café Donut e vende donuts nada variados como nos Estados Unidos por mais de R$ 5 cada. O Dunkin Donuts voltou para o Brasil em seu formato original em 2015, mas apenas em Brasília.

 

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Tem também o Taco Bell, de comida mexicana; o famoso café do Starbucks; ou ainda os baldes gigantes com coxinhas de frango do KFC. Em cada um dos centros comerciais das cidades americanas, você encontra restaurantes destas redes e muitas outras. E em metrópoles, como Nova York e Washington D.C., é possível encontrá-los, literalmente, a cada esquina.

 

Algumas franquias são mais populares ou só existem em certos estados, assim, as opções podem variar de acordo com a sua localização. No entanto, de maneira geral, além do preço, tem também os fatores rapidez, disponibilidade e facilidade, fazendo com que os americanos não levem em consideração os fatores saúde e boa forma.  

 

Uma boa constatação (ou não, se você precisa manter a dieta) é que atualmente a grande maioria dessas redes mencionadas acima já marca sua presença no Brasil em algumas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. A má notícia é que os preços não são tão camaradas quanto os originais.

 

Alimentação nos EUA

 

supermercado nos eua

 

Agora você deve estar pensando que alimentar-se em redes de fast food pela rapidez e facilidade é coisa de quem tem rotina agitada e não tem tempo livre para as refeições – muito menos para preparar sua própria comida. E você tem razão.

 

Mas e nas casas norte-americanas? Pois a praticidade é, sim, uma exigência nacional. Os abridores de lata são elétricos; os pães de hambúrguer e cachorro quente já vêm cortados ao meio, no pacote; suco feito na hora é praticamente inexistente, até mesmo em restaurantes (mas as opções industrializadas são inúmeras); todo tipo de massa de bolo, pão, salgado e doce são compradas pré-prontas, para moldá-las da forma que quiser e colocar no forno.

 

E compra-se muita – mas muita mesmo – comida congelada. De simples batatas fritas e tacos mexicanos a refeições completas, os supermercados nos Estados Unidos possuem vários corredores de refrigeradores para que caibam todas as ofertas de comidas congeladas. Normalmente, basta colocá-las no forno ou no micro-ondas por alguns minutos e sua refeição está pronta.

 

Não é tão comum encontrar quem saiba e goste de cozinhar. É por isso que a comida homemade, a feita em casa, é tão valorizada e quem as faz é tido como extremamente prendado pelos americanos.

 

Os malefícios do fast food e da comida congelada

 

A oferta das redes de fast food só são rápidas porque seus produtos são pré-preparados e estocados. Devido à essa necessidade, os alimentos oferecidos por elas não contém os nutrientes básicos da nossa dieta diária e exageram na gordura, inclusive a trans, no sódio e no açúcar, além de conservantes para mantê-los “frescos”.

 

O consumo excessivo destes produtos acarreta em uma série de problemas de saúde, como:

 

  • Obesidade;
  • Aumento do nível de colesterol e triglicérides no sangue, o que pode causar doenças no coração;
  • Desregulamento da flora intestinal;
  • O consumo excessivo de gordura trans pode causar entupimento das veias e infarto;
  • Desnutrição;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Indigestão e digestão lenta.

 

Já em relação à comida congelada, o primeiro contra é bem óbvio: os alimentos não são nada frescos. Além disso, contêm grandes quantias de sódio, óleo de palma parcialmente hidrogenados, calorias, gorduras saturadas, entre outros ingredientes.

 

Vale ressaltar que, quando falamos de comidas congeladas, nos referimos a refeições prontas, como pizza, lasanha, massas, batatas fritas, tortas, coxinhas de frango empanadas, etc., principalmente as que possuem molhos ou caldas. Frutas, legumes e carnes congelados não são tão prejudiciais à saúde. O único conselho principal é verificar as embalagens para saber se outros ingredientes foram acrescentados a estes produtos. Se a resposta for sim, evite-os – isto pode significar que há conservantes na fruta, legume ou carne.

 

Dica de filme: No documentário “Super Size Me: A Dieta do palhaço” (Super Size Me, 2004), o cineasta americano Morgan Spurlock decide se alimentar apenas de produtos do McDonald’s por 30 dias, consumindo três refeições diárias na rede de fast food. Ele documentou todos os efeitos físicos e psicológicos da experiência no filme, intercalando com outros dados e histórias reais sobre o consumo de fast food e obesidade.

 

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Alimentação dos estudantes universitários

 

Com tantas opções práticas e rápidas, é provável e até mesmo compreensível que você acabe recorrendo rotineiramente às redes de fast food e às comidas congeladas durante os estudos. A vida agitada de um universitário, com aulas, prazos de entrega e tanta coisa para ler e estudar, acaba forçando-o a buscar alternativas que economizem tempo e dinheiro.

 

A sua alimentação, na verdade, será imensamente influenciada pelo tipo de acomodação que você escolher.

 

  • Acomodações no campus

 

Geralmente, quem opta por morar dentro do campus, em dormitórios mantidos pela própria Universidade, tem duas opções:

 

Catered: acomodação que inclui um plano de alimentação nos refeitórios da Universidade;

 

Self-Catered: o estudante tem acesso a uma cozinha, geralmente equipada com fogão, micro-ondas, geladeira e diferentes utensílios, para que possa preparar suas próprias refeições.

 

Em ambas as opções, é possível manter uma alimentação saudável. Os refeitórios universitários estão, cada vez mais, aprimorando o cardápio para atender a todo tipo de dieta, até mesmo vegana e kosher (que obedece à lei judaica), e também para quem tem alergias, intolerância à lactose, diabetes, etc. Assim, cabe a você resistir às delícias calóricas que estiverem disponíveis todos os dias e optar por comidas saudáveis que formem uma dieta mais balanceada, pelo menos em alguns dias da semana.

 

Agora, se você preferir preparar as suas próprias refeições, terá controle muito maior sobre o que come. Você terá de fazer suas compras regularmente em mercados locais e poderá selecionar itens não só mais saudáveis como também mais baratos. O lado negativo é que esta opção dá mais trabalho do que apenas aparecer no refeitório universitário na hora das refeições e já encontrá-las prontas.

 

  • Acomodações fora do campus

 

A opção self-catered vale também para quem escolhe alugar uma casa ou apartamento privado fora do campus. Neste caso, a sua alimentação depende totalmente de você. Se morar com outras pessoas, podem combinar de fazer compras e refeições compartilhadas. Senão, você terá um espaço seu na geladeira e dispensa, para manter a sua comida, e preparará suas próprias refeições no tempo livre.

 

Esta alternativa proporciona a oportunidade de explorar a região em que você mora nos Estados Unidos à procura de restaurantes, lanchonetes e mercados que atendam aos seus gostos e ao seu orçamento e também de se tornar um cliente regular como um morador local. Com certeza, é uma forma mais completa e autêntica de vivenciar a experiência de morar em outro país. Sem contar que você terá de colocar em prática – ou desenvolver – os seus dotes de chef e aprender novas técnicas na cozinha para não repetir tantas vezes os mesmos pratos.

 

  • Homestay

 

Na homestay – quando você mora na casa de uma família americana –, a situação pode variar bastante. Na maioria dos casos, o pacote da acomodação inclui pelo menos duas refeições diárias providenciada pelos hosts. Na maioria dos casos, há uma comunicação aberta entre host e estudante para combinar o tipo de comida que ele gosta ou não. Esta talvez seja a melhor oportunidade de conhecer os costumes dos nativos em relação às refeições e os prátos típicos da região e do país.

 

Se a família for atarefada com horários apertados, pode acontecer de recorrerem aos alimentos congelados – como já dissemos, algo muito comum nos Estados Unidos.

 

Na hora de escolher a sua host family, a alimentação deve ser um dos fatores a serem levados em consideração. E nada o impede também de comprar sua própria comida e usar a cozinha da homestay para preparar suas refeições, caso preferir não incluir o valor da alimentação no pacote da acomodação.

 

A alimentação ideal para os estudos

 

Afinal de contas, não posso comer fast food? Não precisa ser tão radical. A alimentação também é uma parte essencial da experiência de intercâmbio e, como a fast food já é tão intrínseca à cultura americana, você vai acabar provando muitas delas. No entanto, é importante saber se impor um limite no consumo de fast food e comida congelada, e balancear a sua alimentação com uma dieta mais saudável e rica em nutrientes.

 

O consumo esporádico, em pequena quantia, não é tão prejudicial, principalmente se você conseguir manter uma rotina de atividade física. O problema é trocar a sua alimentação básica por fast food.

 

Existem alguns alimentos específicos que devem conter na alimentação do estudante:

 

  • Grãos e cereais: granola, farelo de trigo, linhaça, chia, flocos de arroz, quinoa, centeio, gergelim, etc., são uma ótima fonte de energia, contendo nutrientes, vitaminas, fibras e minerais.
  • Frutas e vegetais: as opções ricas em pigmento têm antioxidante, como uva, ameixa, morango, espinafre, couve e brócolis. Nos Estados Unidos, dependendo da região e época do ano, você pode facilmente encontrar também cereja, mirtilo, amora, framboesa e oxicoco. A maçã tem quercetina que protege as células do cérebro contra radicais livres; a banana melhora o nível de serotonina; e a laranja tem vitamina C em abundância.
  • Peixes: salmão, sardinha, atum, anchova e cavala, conhecidos como peixes gordos, são ricos em gorduras naturais poli-insaturadas, ómega 3, vitamina, cálcio, ferro, etc.
  • Carnes magras e grelhadas: se você não for vegetariano, prefira preparar carnes sem gordura e evite fritura.
  • Chocolate amargo: os chocolates com quantias maiores de cacau ajudam a aumentar o fluxo sanguíneo e a reduzir a pressão arterial.

 

Todos os itens citados acima te ajudarão a manter-se saudável, com uma dieta balanceada, e também aumentarão o seu nível de concentração e disposição, o que será fundamental para os estudos. Lembre-se também de se manter hidratado e, se possível, diminuir o consumo de cafeína. (Sim, sabemos que isso é bem difícil!) O excesso de café, chá verde ou preto, energéticos e outras bebidas cafeinadas eleva o açúcar no sangue, o que pode piorar a ansiedade, a falta de foco e de energia.

 

Uma excelente dica é aderir às marmitas. Você faz as suas compras aos finais de semana, prepara uma quantia grande de comida para durar a semana toda e separa porções pequenas em vasilhames diferentes. Depois é só manter bem conservado na geladeira ou congelador e esquentar na hora das suas refeições durante a semana. Não serão alimentos exatamente frescos, mas serão caseiros, com itens pessoalmente selecionados por você, e preparados com tempero e sal de acordo com o seu gosto.

 

Opções de redes mais saudáveis:

 

  • Panera Bread;
  • Pret a Manger;
  • Leon;
  • Salad and Go;
  • LYFE Kitchen;
  • Veggie Grill;
  • Dig Inn;
  • Freshii;
  • Jason’s Deli;
  • Au Bom Pain;
  • Chipotle.

 

Estas franquias não estão em todos os estados dos EUA e o preço delas varia bastante, mas vale a pena procurar estas e outras opções locais mais saudáveis durante o seu intercâmbio.

 

A sua saúde em primeiro lugar

 

Um corpo e uma mente saudáveis são essenciais para o seu desempenho na universidade. O fast food pode ser a opção mais prática e barata (além de gostosa, não podemos negar), mas não podemos brincar com a saúde. Você sabia que é tão comum engordar até aproximadamente sete quilos (15 libras) durante o primeiro ano de faculdade que, nos Estados Unidos, tem até um nome para isso? São os “freshman 15”!

 

Aproveite essa oportunidade no exterior para aprender a cozinhar novos pratos! Hoje em dia, há diversas formas de aprender receitas práticas, rápidas, saudáveis e, o melhor, deliciosas.

 

Conheça estes canais e páginas de receitas e dicas de alimentação:

 

 

Pronto! Agora você tem todas as informações básicas para tomar decisões mais conscientes e saudáveis em relação à sua alimentação enquanto estuda nos Estados Unidos! Aproveite, prove novos sabores, amplie o seu horizonte gastronômico, mas respeite o seu corpo e a sua saúde sempre.

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SOBRE O AUTOR

Cultura fast food: como é a alimentação nos Estados Unidos?

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.