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Depoimento: a experiência do músico Ramon como bolsista da Azusa Pacific University

Conheça a história de Ramon Thiago, que conseguiu uma bolsa integral na Azusa Pacific University para estudar música; hoje é doutorando na West Virginia University

A experiência do músico brasileiro como bolsista da Azusa Pacific University
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Por Ramon Thiago Mendes de Oliveira

 

Meu nome é Ramon Thiago Mendes de Oliveira, eu sou natural de Schroeder, Santa Catarina; nasci em 9 de julho de 1984. Eu tenho formação técnica em eletromecânica pelo Centro federal de Educação Tecnológica (CEFET-SC), técnica em mecatrônica pela Escola da WEG/SENAI e cursei dois anos de engenharia na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Porém aos 21 larguei a engenharia e passei para música.

 

Eu me formei em Licenciatura em Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná em 2010. Em 2011, eu estava participando de um festival de música (FEMUSC) e um professor americano de violino comentou em uma reunião sobre a possibilidade de bolsas de estudos para os programas de pós-graduação na Azusa Pacific University.

 

 

Bolsas de estudo

 

Eu fiz o processo seletivo, entrei em contato com os professores da universidade, enviei gravações e passei na audição. Algumas semanas depois eu recebi a notícia de que havia ganhado uma bolsa de estudo completa para fazer o Artist Certificate (AC), de dois anos.

 

Quando terminei o AC, apliquei para o mestrado (mais dois anos). Mais uma vez ganhei a bolsa completa e continuei meus estudos na mesma universidade com a mesma professora (Marion Kuszk, primeiro oboé na filarmônica de Los Angeles - LAPhil). 

 

Em música, para pós-graduação normalmente as bolsas de estudos são full-tuition (integrais); moradia e alimentação são a parte. Porém dentro da universidade te oferecem oportunidades de trabalho onde você pode cobrir essas despesas. Uma parte boa desses trabalhos, é que durante as férias se pode trabalhar dobrado (até 40 horas por semana) e guardar dinheiro.

 

Essas bolsas não têm um nome em específico. Elas são destinadas a estudantes de música que, em alguma forma, irão reforçar os grupos musicais da universidade. É como se fosse pagar a mensalidade com seu trabalho musical. Ao longo prazo, esses bolsistas todos juntos fazem o nível dos grupos subir. Dessa forma mais estudantes se interessarão pelo programa e ingressarão nos curso de música.

 

Outra coisa interessante é que na área musical normalmente os estudantes recebem bolsas de estudos por participar de grupos. Então se a pessoa faz medicina, mas toca muito bem um instrumento, essa pessoa pode participar da orquestra e receber um bom desconto que é abatido na mensalidade.

 

O processo seletivo

 

O processo de seleção na Azusa Pacific University é muito organizado. Mas tem muitos passos para que toda a documentação seja emitida. Por isso é bom manter-se organizado desde o começo do processo. Também existem alguns problemas de padrão nas notas do histórico escolar entre o sistema brasileiro e o americano. No Brasil as notas são de 0 a 10, ou 0 a 100 (percentual) e nos Estados Unidos tem um sistema de letra de A a D. Porém esses sistemas não são proporcionais e não existe uma tabela padrão de conversão. Cada universidade tem seu próprio sistema e em cada classe as letras podem variar.

 

Por exemplo, eu tive aulas em que A era de 93 a 100%; em outras classes, A era entre 90 a 100%. Também, em aulas práticas como orquestra, uma falta representa a queda de uma letra. Ou seja: se você toca super bem, mas faltar um dia, vai receber B e não A. Então esse sistema de notas é muito diferente do Brasil.

 

A única coisa que é integrada entre todas as universidades americanas é o GPA. Um valor entre 0 a 4 que é calculado utilizando suas notas e o número de créditos por matéria para obter uma média. No geral, entre 90 e 100% no Brasil é considerado A nos EUA (GPA 4.0); entre 80 e 90% é B (GPA 3.0), entre 70 e 80% é C (GPA 2.0) entre 60 e 70% é D (GPA 1.0) e abaixo de 60% é F de fail (reprovado).

 

Trabalhos durante os estudos

 

Durante os quatro anos em Azusa, eu trabalhei dentro da universidade. No primeiro ano, eu ajudei na cafeteria e depois encontrei um posto para trabalhar na biblioteca. Isso me ajudou muito durante o mestrado, pois eu podia estudar e fazer os papers durante meu horário de trabalho, que era atender e ajudar pessoas na recepção (maindesk) da biblioteca. As vagas de trabalho eram remuneradas. Começam com um valor base e conforme se ganha experiência se recebe aumentos.

 

Como eu estava a 26 milhas de Los Angeles downtown/Hollywood e eu toco oboé, tive muitas oportunidades profissionais fora da universidade. Eu toquei em concertos com várias orquestras locais e fui convidado a ser primeiro oboé na Santa Monica Symphony na temporada 2014/2015. Eu também pude participar de audições em orquestras profissionais muito importantes no cenário americano, como a LA Chamber Orchestra e a San Diego Symphony. Essas vagas são muito disputadas e não cheguei às finais, porém passar pelo processo prático de audições é muito importante na formação de um músico profissional.  Também em Los Angeles, além do inglês eu tive a oportunidade de aprender espanhol por conta da proximidade com México e toda a população latina.

 

Ramon com o inglês Gordon Hunt, um dos melhores oboístas do mundo.

 

Turnê Caribenha

 

Em 2014, eu participei de uma audição para a Youth Orchestra of Americas (YOA) e, entre músicos de 27 países, fui selecionado para participar da turnê caribenha. Durante um mês viajamos e tocamos em República Dominicana, Haiti e Jamaica. Essa experiência mudou minha vida e tudo isso só foi possível pelas oportunidades que tive de estudar e me preparar em Los Angeles, com profissionais do mais alto calibre no ramo musical.

 

Depois da turnê eu me inscrevi no YOA - Global Leaders Program e durante um ano estudei liderança e empreendedorismo social relacionado à música. Depois desse ano, eu fiz uma missão ao Peru (2015). A missão foi muito legal. Durante duas semanas eu compartilhei meus conhecimentos musicais com jovens do projeto Arpegio Peru. Também visitei sítios históricos importantíssimos para humanidade e pouco conhecidos mundialmente com a cidade de barro de Chanchan e las huacas de sol y de la luna em Trujillo.

 

Em 2016, fui convidado a participar da coordenação acadêmica do programa. Hoje eu sou responsável pelo controle do fluxo de tarefas e feedback dos professores e também sou mentor no programa. 

 

Doutorado

 

No ano passado eu fiz a audição para o Doutorado em Music Performance - Oboé, na West Virginia University. Passei na audição e recebi o convite para ser assistente da professora de oboé. Essa vaga de assistantship cobre a bolsa completa (full-tuition waiver) e por cima recebo ajuda de custo mensal. Ou seja, além da bolsa completa, recebo para estudar. Com a assistantship aqui em WV eu só recebo os meses que tem aula e durante o verão tenho que buscar outra fonte de renda.

 

No momento estou terminando meu primeiro ano de doutorado como assistente da professora, ajudo na coordenação do Global Leaders Program e estou me preparando para mais uma missão no Haiti em julho deste ano.

 

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SOBRE O AUTOR

A experiência do músico brasileiro como bolsista da Azusa Pacific University

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.