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Estados Unidos: Destino de Estudo

Entrevista: da graduação ao doutorado nos EUA

Leticia, recifense de 25 anos, começou sua jornada acadêmica nos EUA com uma graduação na Kansas University em 2014; hoje, está na metade do PhD na WSU.

Entrevista: da graduação ao doutorado nos EUA

Leticia Couto é do Recife e tem 25 anos. Ela está nos Estados Unidos desde 2014 para fazer o bacharelado de Jornalismo na Universidade do Kansas, onde se formou em 2018. Em agosto do mesmo ano, já começou o mestrado na área de Comunicação na Washington State University (WSU) e nela permanece até agora como estudante de doutorado e Teaching Assistant.

 

Sua pesquisa no PhD é focada na saúde da mulher, com questões sobre violência sexual, imagens em relação ao próprio corpo, saúde mental, mídias sociais, entre outras.

 

A Leticia concedeu uma entrevista ao Hotcourses Brasil. Nós conversamos sobre todo o processo de inscrição, a sua bolsa de estudo integral na Kansas University, todas as considerações na hora de escolher a sua universidade no exterior e muito, muito mais.

 

Estude na Washington State University, nos Estados Unidos

 

Como surgiu a ideia de fazer o bacharelado nos Estados Unidos em 2014?

 

No Brasil ainda, eu me formei em 2013 no ensino médio. Em 2012, eu fiz inglês durante um mês na Inglaterra. Por quatro semanas tive um curso intenso de inglês, cinco horas por dia, todos os dias da semana. Foi como eu completei meu ensino de inglês, mas o cursinho que eu fiz no Brasil ensinava inglês americano, então eu sempre tive essa exposição muito grande na minha vida toda, porque comecei o curso aos nove anos. Então eu fiz em torno de oito anos de curso de inglês.

 

Onde eu fiz o meu curso eles têm um departamento que também ajuda as pessoas que querem fazer o curso no exterior e como achar ferramentas para facilitar esse processo. E tinha uma amiga minha que queria muito fazer o curso dela nos Estados Unidos. Ela não fazia inglês no mesmo lugar que eu e eu disse “Posso te levar lá no meu curso e a gente pode conversar com alguém que tem mais experiência”. E quando eu a levei para o curso, sentei-me na reunião com ela porque eu conhecia o pessoal, eu que decidi que queria fazer um curso no exterior porque parecia um negócio fantástico e ela acabou [decidindo] que queria ficar no Brasil.

 

Mas porque eu a levei lá e escutei o que eles tinham para explicar em relação a como estudar no exterior, acabei me apaixonando e decidi que ia fazer. Mas também fui muito realista e queria fazer com uma bolsa. Não queria vir para os Estados Unidos sem uma bolsa. Essa foi a parte que eu tive que procurar mais informações eu mesma comparado à ajuda do curso, porque o processo é muito diferente.

 

O motivo para escolher os Estados Unidos meio que aconteceu naturalmente. Eu já tinha visitado o país antes e gostei daqui. Eu apliquei para sete universidades nos Estados Unidos, fui aceita em todas e a University of Kansas me deu uma bolsa que foi muito boa e por isso eu decidi ir para lá.

 

E eu sou apaixonada e recomendo a todos.

 

Quando você se inscreveu nessas sete universidades, você fez pelo Common App, o processo centralizado, ou por cada uma dessas instituições com base na bolsa de estudo que elas tinham a oferecer a estudantes internacionais?

 

Entrevista: da graduação ao doutorado nos EUA

Leticia em passeio em Sandpoint, Idaho. (Acervo pessoal.)

 

Foi em partes. Eu consegui fazer parte de um processo do Institute of International Education (IIE) em Nova York. Eles têm um processo que contata escolas de língua no mundo todo para facilitar que alunos daqueles países apliquem para escolas nos Estados Unidos. Embora o lugar onde eu fiz o meu curso de inglês não tivesse esse contato com o IIE, eles me colocaram em contato com uma escola de línguas no Rio de Janeiro que tinha.

 

Eu tive que fazer essa aplicação pela aquela escola do Rio para me colocar em contato com o IIE em Nova York que estava fazendo a minha frente com essas escolas para onde eu estava aplicando. Então esse processo foi provavelmente a parte mais complexa porque eu tive que fazer o Common Application. A grande vantagem dele é que você pode usá-lo para várias universidades.

 

Eu fiz [no Common App] porque foi pelo IIE, mas vendo as universidades individualmente, se você tem uma escola que é o seu sonho, eu acho que vale a pena você olhar quais são os materiais obrigatórios daquela faculdade especificamente, porque pode ser muito diferente do Common App e pode ser mais rápido. Se esse for seu intuito e você tiver uma escola que for o seu sonho.

 

Mas se o seu sonho for vir para os Estados Unidos para estudar, então o Common App é algo que com certeza eu recomendo dar uma olhada.

 

Na Universidade do Kansas, eles têm uma parceria com o IIE, que é o IIE Scholar, que você recebe uma tuition waiver se receber essa oferta. E foi o que aconteceu comigo. Foi um dos motivos para eu escolher a K.U. Eu recebi uma bolsa parecida em na Hofstra University, no Brooklyn, mas eu escolhi a Kansas porque era maior e tinha mais cara de universidade. A Hofstra é private, então tinha mais a vibe que eu estava procurando na K.U. As duas são ótimas universidades, mas eu amei minha experiência no Kansas.

 

Esse foi meu processo e ele pode ser muito diferente dependendo de como você chega lá e dessa questão da bolsa de estudo. Mas eu super recomendo dar uma olhada nos sites individuais das universidades que você está interessado e saber como as habilidades que você tem atualmente podem te ajudar a conseguir uma bolsa.

 

Por exemplo, tinha uma universidade que eu estava super interessada na época. E essa universidade não tinha tantos programas de bolsas quanto outras nas quais eu tinha me aplicado, então o que eu fiz foi dizer à universidade que queria muito ir, mas que estava procurando bolsa e que eu joguei futebol durante o ensino médio. Eu recebi uma bolsa para jogar futebol lá. Não foi uma bolsa integral como na University of Kansas, mas eu recebi uma bolsa por ter feito esse contato, expressar que eu estava interessada na universidade e que eu queria uma bolsa porque fiz futebol durante o ensino médio – nem lembro como foi, acho que eles pediram um vídeo ou algo do tipo.

 

A questão é “quem tem boca vai à Roma”. Saber que você não vai achar no site da Universidade “Diga à gente que você fez futebol no ensino médio e a gente vai te oferecer uma bolsa”. Isso não vai estar escrito em canto nenhum. A pior coisa que pode acontecer é dizer não.

 

Como foi fazer Jornalismo nos Estados Unidos?

 

Entrevista: da graduação ao doutorado nos EUA

Formatura da Leticia na Kansas University. (Acervo pessoal.)

 

Foi bem interessante. Primeiramente, eu não cursei Comunicação no Brasil, então a minha base é comparada a amigos que fizeram. O curso de Jornalismo nos Estados Unidos é muito diferente, eu acho, primeiro pela questão de ser mais mão na massa.

 

É interessante quantas coisas são consideradas Jornalismo nos Estados Unidos, o que eu acho diferente também da maneira em que o curso é visto no Brasil. Quando eu digo às pessoas que eu cursei Jornalismo, a maioria das pessoas acha que eu escrevi notícias e era repórter. Eu até fiz como algumas atividades extracurriculares, mas o meu curso foi focado na área de Comunicação Estratégica. Então foi mais naquela área de Relações Públicas e Propaganda, que ainda são considerados Jornalismo aqui nos Estados Unidos.

 

É uma experiência fenomenal. Uma coisa maravilhosa de estudar nos Estados Unidos é a questão do network. A gente com certeza vê isso aqui. Vou dar um exemplo da WSU, em Pullman, no leste de Washington, porque acho que são marcas que as pessoas conhecem mais: aqui na faculdade já veio gente da Boeing falar sobre a experiência de trabalhar nela; a Microsoft tem um escritório em Seattle; o headquarter da Nike é em Oregon, o estado vizinho de Washington ao sul.

 

Então só a questão de estar fisicamente próximo desses lugares é uma coisa de outro mundo, que a gente não pensa muito. Estudar comunicação aqui, se você quer trabalhar na indústria, tem essa parte de estar fisicamente perto e poder ter esse contato é muito importante.

 

Uma lembrança, talvez, de que nos Estados Unidos tem uma série de regulamentações sobre você conseguir trabalho fora do campus. Então também não vá achando que é uma garantia que você pode ir falar com essas pessoas de primeira. Você tem que passar por todo um processo para poder fazer isso de uma maneira legal, senão é de fato uma confusão muito grande. Por favor, mantenha em mente que existe todo um processo, não é simplesmente se tornar um estudante nos Estados Unidos e poder ser contratado por todas essas empresas. Não é assim que funciona.

 

Mas existem os caminhos para fazer isso, você só precisa ter certeza de que você está fazendo de uma maneira apropriada para o seu visto.

 

Você chegou a ter experiências profissionais ao longo do bacharelado, por exemplo, um estágio como parte do currículo da universidade?

 

No meu curso especificamente de Comunicação Estratégica, eles tinham o que a gente chama de capstone course, que é equivalente a um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Por exemplo, em um curso de Humanas, você provavelmente tem que escrever um TCC que eles chamam aqui de senior thesis ou undergraduate thesis. E Jornalismo aqui é considerado Ciências Sociais e existe essa separação um pouco rígida em relação às Ciências Sociais e as Humanas.

 

Então o meu TCC foi um capstone course em que cada professor que oferece aquela aula tem que fazer um contato com uma empresa da região. Eu não sei se vocês conhecem a Hallmark, que tem a Hallmark Channel, que faz cartões de aniversário, de Natal, essas coisas. O headquarter deles fica em Kansas City, a 45 minutos de Lawrence da K.U.

 

A minha professora fez um contato com uma organização deles chamada Kaleidoscope, que usam materiais que seriam lixo para fazer cartões de aniversário. Eles também fazem giz de cera – digamos que um giz de cera venha quebrado, eles dão para a Kaleidoscope e é um espaço para crianças se expressarem em termos de criatividade.

 

O meu TCC foi que a gente teve que fazer uma campanha para trazer mais pessoas para essa organização Kaleidoscope, da Hallmark. Foi uma experiência profissional que a gente teve e, por ser parte do curso, não teve problema nenhum.

 

E também tem a chance de você trabalhar no campus. Eu tive a oportunidade de trabalhar no campus em coisas que foram da minha área. Mas, por ser no campus, é muito mais maleável essa questão do visto, porque você pode trabalhar por até 20 horas por semana sem problema nenhum. Uma dessas experiência profissionais também que eu tive foi isso, eu trabalhei no departamento de esportes da minha faculdade como uma estagiária de comunicação.

 

Eu nunca quis passar pelo processo de trabalhar fora do campus, mas existe a opção. É possível, conheço gente que fez. Não acho que isso é um motivo para você não vir para cá. Às vezes, eu acho que as pessoas ficam com um pé atrás em relação a isso. Tem gente no campus que vai te ajudar a fazer o processo.

 

A sua bolsa de estudo integral na University of Kansas incluía outros gastos, como acomodação e passagens aéreas?

 

No meu caso foi apenas o curso. “Apenas” entre aspas, né? Eu imagino que em torno de 75% do dinheiro que você investe para estudar nos Estados Unidos é com a tuition, que se paga por semestre. Então cobriu esse valor, baseado na minha experiência. Pode ter mudado, pode ser um pouco mais ou menos. Mas é com certeza mais do que a metade. Acho que é mesmo cerca de 75% do valor que você paga para estudar no exterior.

 

Eu ainda tive que pagar seguro. Como estudante internacional, você é obrigado a ter seguro. A maioria das faculdades obriga você a ter o seguro do estudante que ela própria oferece a todos. A diferença é que, se a pessoa é americana, muitas vezes tem o seguro da família, então eles não precisam ter o seguro do estudante. Mas o estudante internacional tem que ter, que é em torno de US$ 1.000 por semestre.

 

E tem a questão da moradia, que, depois da tuition, é provavelmente a parte mais cara. Eu morei no campus minha vida toda. Você pode morar ­on-campus e off-campus. [As acomodações] off-campus tendem a ser um pouco mais baratas, mas você tem uma série de responsabilidades. Você tem que comprar e fazer a sua própria comida e arrumar a sua casa.

 

Enquanto, on-campus, geralmente você tem o seu quarto, você pode dividir um banheiro ou você pode ter um banheiro comunal, que, nesse caso, alguém vai organizar isso para você. A comida geralmente é em uma cantina, você pode pagar um plano [de alimentação]. Então é mais cômodo.

 

Isso é muito específico da Kansas University, não é algo que é comum nos Estados Unidos: nela, existe algo chamado Scholarship Hall. E como o nome dá a ideia, tem um scholarship (bolsa de estudo) envolvido, mas não é bem um desconto. É uma casa onde eu morei com 50 mulheres; a gente tinha um banheiro por andar que a gente tinha que dividir e uma cozinha com comida 24 horas por dia. Mas o que acontecia: a gente pagava menos pelo plano de alimentação e pelo quarto nessa casa, mas a gente tinha que [realizar tarefas]. Por exemplo, nos primeiros dois anos, eu tinha que lavar os pratos de 50 pessoas depois do jantar uma vez por semana. E é aquela ideia de que, porque não tem alguém que está fazendo a manutenção da moradia, a gente paga menos para morar lá.

 

Novamente, eu quero muito especificar que isso não é comum nos Estados Unidos, é um programa que a K.U. oferece. Eu recomendo se você estiver interessado; também não vou dizer que é super barato, ainda é um preço considerável, mas é mais barato do que morar off-campus muitas vezes. A gente tinha todo tipo de coisa que precisava lá; cozinha, lavanderia. Eu ficava em um quarto que tinha beliche, então eu não sei se isso é para todo mundo. Tem muita gente que não gosta de beliche, eu fiquei de boa quatro anos lá.

 

Foi uma experiência bem legal e recomendo.

 

Você disse que é específico da K.U., mas é interessante dizer, porque cada universidade vai ter essas especificidades que podem ajudar no preço da experiência. Então é legal saber que a pesquisa é importante, né?

 

Entrevista: da graduação ao doutorado nos EUA

Leticia com o marido em um jogo de futebol americano na Washington State University. (Acervo pessoal.)

 

Com certeza. E vão ter outras coisas também que você não pensa de primeira. Porque eu lembro quando eu estava procurando, o meu objetivo era “eu quero ir para os Estados Unidos com uma bolsa de estudo”. E graças a Deus eu consegui uma bolsa maravilhosa, conheci pessoas maravilhosas enquanto estava lá. Tive experiências maravilhosas.

 

Mas teve coisas que eu não achei que fosse algo que eu iria notar, que eu acabei sentindo falta ou que eu gostei mais do que esperava. Então eu acho que é importante ter esse tipo de reflexão também do que é importante para você quando está estudando no exterior.

 

Por exemplo, a Kansas University é a 45 minutos de Kansas City, que é uma metrópole de 500.00 mil pessoas, 600.000 talvez. Recife tem 3,5 milhões de pessoas. Eu achei estranho e diferente, então se a galera for de áreas metropolitanas do Sudeste é ainda pior do que Recife, porque são ainda maiores.

 

Nos Estados Unidos tem muito disso: “é uma cidade enorme” e tem 500.000 pessoas. Isso não é enorme se você estiver em uma área metropolitana do Brasil. E é diferente, algo que foi um choque cultural quando eu cheguei aqui. Eu lembro que estava no avião pousando no Kansas, eu pensei “Meu Deus do céu, cheguei numa fazenda”. (Risos)

 

Foi um negócio bem diferente porque eu cresci em Recife, sou bem urbana. Se você não for de uma área que não seja tão urbana, isso talvez não seja um problema tão grande, mas ter isso em mente.

 

A Washington State University fica em Pullman, que tem 30.000 pessoas, fica a uma hora e meia de distância de Spokane, que tem 300.000 pessoas. A maior cidade mais perto é, de fato, Seattle, com milhões de pessoas – não lembro quantas, mas são muitas. Mas são cinco horas de carro. Isso é um problema para você? Se for, é bom fazer esse tipo de pesquisa também. Você acha que não será algo que você vai notar, mas pode ser algo que você sinta falta.

 

Então essas considerações sobre a sua qualidade de vida são muito importantes. Por exemplo, você ama praia? Eu cresci em Recife, senti e sinto falta de praia. A gente acha que é besteira, mas faz falta.

 

Talvez não sejam as considerações mais importantes, mas quando você está em dúvida, se você tiver mais de uma opção, são essas coisas que são importantes levar em consideração para você poder fazer uma decisão que vai levar você a ter uma vida melhor aqui nos Estados Unidos enquanto você está estudando.

 

Conheça a Washington State University

 

Conheça a Washington State University, nos Estados Unidos

 

A Washington State University (WSU) acolhe calorosamente os estudantes internacionais na família WSU Cougar. Ela oferece cursos que incentivam os aprendizes a tornar o mundo um lugar melhor.

 

Há um programa de mais de US$ 400 milhões em bolsas de estudo e assistência financeira estudantil e mais de 98 áreas de estudo de graduação disponíveis, além de 78 de mestrado e 65 de doutorado.

 

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