Essenciais
Estados Unidos: Quando chegar lá

A vida de uma brasileira de 18 anos em uma Communiy College nos EUA

Flávia Cavicchioli fez parte do seu colegial nos Estados Unidos e agora está cursando biologia na Hagerstown Community College a fim de se preparar para um curso de medicina nos EUA

Flávia fala sobre a vida estudante internacional em uma Communiy College nos EUA
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Flávia Cavicchioli tem 18 anos e é do interior de São Paulo. Ela estudou o ensino médio por seis meses nos Estados Unidos e – e contou sobre a experiência aqui. Ao retornar ao Brasil, percebeu que gostaria de cursar o ensino superior na América do Norte, mais especificamente se preparar para a área de medicina, que nos Estados Unidos é oferecida apenas como pós-graduação.

 

Há três meses matriculada no associate degree de Biologia da Hagerstown Community College, no estado de Maryland, na costa leste, Flávia está cursando matérias de pre-med e tem intenção de conseguir transferência a uma universidade quando concluir o diploma na faculdade comunitária.

 

Em entrevista ao Hotcourses Brasil, a intercambista contou sobre a escolha da sua instituição americana, o processo seletivo, os serviços de suporte disponíveis pela faculdade e a sua percepção geral sobre a experiência de ser uma estudante universitária internacional nos Estados Unidos.

 

 

Como foi o processo seletivo na Community College?

 

O processo seletivo da Community College foi o seguinte: você tem que fazer o TOEFL, encomenda online a prova, e depois que você já a fez, eles mandam a sua pontuação para a faculdade. Você tem que mandar as suas notas do ensino médio transcritas e para isso você tem que fazer a tradução, e depois da tradução, você tem que validá-las. Ou seja, precisa achar uma instituição que faça a validação. Tem vários sites que instruem sobre isso.

 

Você tem que mandar cópia do seu passaporte; eu fiz uma entrevista com um conselheiro e, normalmente, Community College tem 100% de aceitação. Então eles vão te aceitar. E você também tem que mandar um comprovante financeiro de que você tem o suficiente para pagar pelo primeiro semestre. Todas as faculdades têm na página de “Admissão” (Admissions) informações sobre quanto você vai precisar para o semestre, geralmente com todas as despesas. Você tem que mandar um comprovante que cubra a quantia em dólares. Algumas faculdades pedem uma conta americana, que é meio trabalhoso, mas a maioria é de boa, apesar de ter que ser em dólares.

 

Flávia fez parte do time de lacrosse no ensino médio, nos Estados Unidos, na Spring Mills High School.

 

Aí você se inscreve online – e tudo funciona online. A única coisa que você tem que mandar que não é pelo site são as suas notas transcritas, que aí você manda por correio mesmo.

 

Por ter escolhido medicina, que é considerada uma área de pós-graduação nos EUA, como será o seu caminho acadêmico nos próximos anos?

 

O curso de medicina nos Estados Unidos é uma pós-graduação e eu resolvi começar em uma Community College, que é como a maioria dos estudantes internacionais começa. E eu escolhi aqui no estado de Maryland, por proximidade com pessoas que eu já conheço do meu intercâmbio anterior. Mas existem muitos estados que têm escolaridade mais barata. Maryland é um estado caro, mas foi o mais próximo que eu conseguiu deles com um preço menor, então eu fui para essa.

 

Mas existem sim faculdades que o preço por semestre é menor que U$ 3 mil, apesar de não muitas. Você precisa procurar, se você não tiver nenhuma preferência por lugar, o país é enorme.

 

Em quais instituições você estudará? Precisará fazer um curso de pre-med?

 

Hagerstown Community College (Acervo pessoal da Flávia).

 

Eu pretendo me transferir para uma universidade que ainda estou procurando, não sei qual vai ser. Talvez seja a Universidade de Maryland. Eu queria muito me transferir para uma universidade em Washington, D.C., porque eu queria ir para Georgetown, ou para alguma coisa assim, só que são universidades caríssimas e não têm muitas bolsas. Então, eu estou tendo que ralar aqui, vamos ver no que vai dar.

 

Se eu pretender ficar mais local, eu vou fazer uma faculdade que se chama Shepherd University, que fica em uma cidade chamada Shepherdstown, na Virginia Ocidental, em outro estado. Ela é muito boa, está ficando tão grande, que eles estão transformando a cidade, que já é universitária, em uma universidade. Porque ela realmente está ficando muito grande. E alunos da Community College em que eu estudo têm 15 % de desconto na mensalidade total do curso. Então talvez tenha uma grande chance de eu ir para lá.

 

Mas eu ainda não decidi. Vou decidir tudo no semestre que vem, porque eu ainda estou no meu primeiro semestre e eu vou ter que fazer no mínimo quatro ou cinco. Então eu ainda tenho tempo para pensar.

 

E eu tenho que fazer o curso que se chama pre-med, porque, se você não fizer, é muito difícil entrar em uma faculdade de medicina, que é pós-graduação. Então tem que seguir esse caminho mesmo. Eu não sei qual Med School (Escola Médica) eu quero, mas eu realmente gostaria de ir para Georgetown, que fica aqui em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos, e é maravilhosa, parece um castelo. Ela é sensacional!

 

Mas quanto mais bolsa de estudo melhor. Eu vou provavelmente para o lugar que eu tiver mais bolsa. Eles realmente fazem empréstimos se você tiver o Social Security Number (SSN), que é como se fosse um CPF, uma identidade aqui no país – e que eu vou ter porque se você trabalha no país (e como estudante internacional você só pode trabalhar na faculdade, tipo secretária, gerente do time, qualquer coisa assim), tem acesso a esse documento. Se você consegue o SSN, você pode ter acesso ao financial aid, que eles chamam, que é “ajuda financeira” que o governo dá, você tem acesso a bolsas e empréstimos. Mesmo que eu tenha que fazer empréstimo, que é o que todo mundo faz para a faculdade de medicina, eles não cobram juros de estudantes, o que é muito bom.

 

Então eu vou deixar para a vida resolver como vai ser, eu ainda não sei, mas eu tenho algumas em mente. Aqui as faculdades vão atrás dos alunos dependendo da média e de quão bom aluno você é. E eu estou fazendo muito bem, na verdade. E eu espero que alguma universidade me reconheça e me ofereça bolsa, aí eu vou para onde eu tiver mais bolsas.

 

Onde você está morando? Como encontrou a acomodação?

 

Eu estou morando em uma casa com uma mulher e a filha dela. Geralmente os estudantes internacionais alugam a própria casa no estado de Maryland. Se eu quiser um apartamento bom para mim, vai sair em torno de U$ 600 a U$ 750 por mês. Se eu quiser um apartamento perto do faculdade, vai sair no mínimo U$ 700 e alguma coisa, e não inclui energia – inclui água, esgoto, lixo –, então sairia um pouco mais.

 

Como isso agora não está dando para mim e para meus pais, a agente resolveu alugar um quarto de uma mulher. Tem vários anúncios no Facebook, você vai encontrar milhões de anúncios na rede, principalmente no começo do semestre. Eu sugiro entrar em grupos de venda de garagem (geralmente chamam o nome da cidade, mais yard sale). No Facebook, eles postam muitas coisas interessantes nestes grupos, e foi assim que eu achei o quarto que eu estou.

 

Eu mudei primeiramente para uma casa, só que ela me impossibilitava de trabalhar, porque não tinha transporte. Algumas cidades aqui não têm transporte público, então você tem que ver o que vai ser melhor para você, porque na cidade que eu estou tem transporte, mas não muito. O último ônibus passava às 17h45 e os trabalhos iam até às 18h e alguma coisa. Ou seja, não dava para eu trabalhar se eu estivesse naquela casa.

 

Eu tive que mudar, eu encontrei outra casa e agora essa mulher me leva de carona. Eu encontrei uma pessoa muito legal, ela não cobra por gasolina extra. Às vezes, eu ajudo com algumas coisas, por exemplo, eu compro água, porque aqui não tem água potável na torneira; ás vezes eu paro e abasteço meio tanque para ela, alguma coisa assim.

 

Mas é bem tranquilo, eu estou gostando bastante de morar aqui. É como se eu estivesse no intercâmbio de novo e não só alugando um quarto. Mas na outra primeira casa que eu estava, era só alugando um quarto, não tinha muito relacionamento com a outra moça, não. Era bem frio. E foi sorte ou, como eu gosto de dizer, foi Deus.

 

E ela me leva de carona porque é quase caminho para o trabalho dela, então ela não se importa. Mas você tem que ver se tem ônibus ou não, algum transporte ou não, e ver quais são as suas possibilidades. Eu tenho um amigo que mora em um condomínio super perto da faculdade, comprou uma bicicleta e ia de bicicleta, na Flórida, então é calor e não tem muito problema. Agora ele comprou um carro, mas passou muito tempo indo de bicicleta e, apesar de ter ônibus, ele resolveu alugar um lugar mais perto.

 

O que está achando da nova experiência em uma universidade nos Estados Unidos até agora?

 

No começo, eu estava me sentindo muito pior do que quando eu fui para o intercâmbio [de ensino médio], apesar de eu já ter meu namorado e conhecer algumas pessoas aqui, por causa do transporte, porque a faculdade que eu escolhi fica em uma cidade a mais ou menos meia hora do meu namorado e da minha host family. Eles tinham que me levar no começo e isso tudo era meio difícil, até eu me mudar pra cá.

 

Quando me mudei para a primeira casa que eu fui, não era aquela melhor coisa do mundo, mas aguentei firme e encontrei a segunda casa, e agora estou muito de boa.

 

Eu gosto bastante da Faculdade, acho as matérias relativamente fáceis, porque eu sempre estudei em uma escola particular muito forte. E é semestre básico – e aqui é básico mesmo. Mas, apesar disso, os professores são muito legais, nenhum deles é aquela coisa chata que às vezes eu escuto minhas amigas reclamarem, tipo, que não estão nem aí para você. Os professores da faculdade que eu escolhi são muito bons.

 

A Faculdade tem um negócio que eu vou lá todos os dias e passo grande parte do meu dia lá, que eles chamam de Learning Support Center (Centro de Suporte ao Aprendizado), é um prédio todo só para tutores. Você entra lá, pega a sua carteirinha, faz log in no Centro, e aí tem várias áreas, como inglês, matemática e ciências da natureza. Dentro disso, tem vários tutores. Dependendo da área que você sentou para estudar no computador ou em uma mesa qualquer, eles vão lá te ajudar.

 

Eu uso muito para estatísticas, porque estatísticas não fazem sentido para mim, eu não entendo nada, apesar de ser básico, e eu uso bastante o tutor, que é sempre o mesmo, ele já me conhece porque todos os dias estou lá. Então eles são muito legais e realmente querem te ajudar. Eu estou adorando isso, o suporte que a faculdade está dando para mim.

 

O que eu estou sentindo falta é de amigos. Porque como eu não divido o dormitório com uma pessoa, como eu dividiria em uma universidade, aqui eu não tenho muitos amigos com quem eu possa sair. Eu converso com algumas pessoas nas aulas, eventualmente acontece. A minha universidade tem uma sala dos alunos, que é tipo uma sala de descanso, com mesas de ping pong e de bilhar. Eu conheci algumas pessoas lá, mas a gente não sai. Eu não me sinto próxima delas. Então eu estou sentindo muita falta disso. No começo eu estava me preocupando bastante, mas agora eu percebi que agora eu sou uma adulta, e eu tenho que parar de ficar me preocupando com outras pessoas.

 

Agora eu estou muito mais tranquila em relação a isso, porque eu percebi que também não é a coisa mais importante do mundo. Meu foco é totalmente outro. Inclusive, eu fui convidada para entrar na Sociedade de Honras da Faculdade, que para mim é maravilhoso. Eu tive as notas mais altas nos exames da minha sala inteira de inglês, de dança e de estatísticas, apesar de não entender nada, com toda a ajuda dos tutores, consegui a nota mais alta. E eles estão reconhecendo isso e parabenizando, então estou achando uma experiência muito boa. Eu realmente estou adorando.

 

Você tem que ter coragem, porque realmente o estudo é diferente – é tudo diferente do meu intercâmbio e de tudo. Eu sei que mudar para a faculdade vai ser um choque de qualquer jeito, mas mudar para uma faculdade em outro país é mais choque ainda. Mas, se é o que você quer, se é o que você sonhou, então vai valer a pena do jeito que está valendo para mim.

 

Vale a pena! Apesar de estar aqui há só três meses, eu cheguei em uma posição que eu estou confortável com a minha vida agora e eu realmente estou adorando esta experiência.

 

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SOBRE O AUTOR

Flávia fala sobre a vida estudante internacional em uma Communiy College nos EUA

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.