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Entrevista: bacharelado duplo na Syracuse University

João, 21 anos, está no terceiro ano da sua double major em Administração Esportiva e Economia nos EUA, e é copresidente da organização BRASA na Syracuse.

Entrevista: bacharelado duplo na Syracuse University, EUA

João Paulo Murray é de São Paulo e tem 21 anos. Hoje, ele é aluno senior na Syracuse University, no estado de Nova York. Isso significa que ele está no terceiro ano da sua graduação. No seu caso específico, ele cursa uma double major em Administração Esportiva e em Economia.

 

João também é copresidente da BRASA na Syracuse, a associação de estudantes brasileiros no exterior. Em entrevista para o Hotcourses Brasil, ele compartilhou sobre esses e outros aspectos da sua experiência de estudos nos Estados Unidos.

 

Conheça a Syracuse University, nos Estados Unidos

 

O que significa ter um double major e como funciona essa escolha de áreas de estudo nos Estados Unidos?

 

O double major é, basicamente, você fazer duas graduações. Eu vou me formar com um Bahelor of Science (B.S.) in Sport Management e um Bachelor of Arts (B.A.) in Economics. Então tem essas duas graduações e eu faço aulas e requisitos das duas matérias. Muitos deles são os mesmos requisitos, isso ajuda bastante também.

 

E é como um professor meu me disse uma vez e eu achei superbacana, são dois diplomas pelo preço de um.

 

O double major leva mais tempo do que um bacharelado normal?

 

No meu caso não, porque muitas dos core requirements, as aulas que não são exatamente de economia ou sport management e que as duas majors precisam, são comuns.

 

Por exemplo, meu major de sport management tem um requisito de uma aula de ECO 101 (princípios da Economia) e essa aula também conta para a minha major de economics. As duas têm um requisito de Accounting (Contabilidade) que conta para os dois. Então você acaba abatendo essas aulas.

 

Mas depende de cada caso. Se você, por exemplo, fizer um triple major, é capaz de ter que ficar um semestre a mais ou algo assim. O que eu diria é que eu faço mais aulas por semestre na maioria das vezes do que as pessoas que só têm uma major.

 

E também, só para deixar claro, é super comum ter um double major. Vários dos meus amigos fazem o mesmo número de aulas que eu e não é nenhum monstro de sete cabeças.

 

E qual é a diferente de fazer um Bacharelado de Artes e de Ciências?

 

Se não me engano, é uma coisa mais técnica. No de Ciências, você faz algumas aulas a mais e, no de artes, você faz algumas aulas diferentes. Não sei exatamente detalhes, mas do que me lembro foi que, quando fui adicionar o major de Economia, que para mim era mais secundário, não era muito o que eu queria trabalhar na área, eu achei que um major de ciências, que aliás eu teria que fazer mais aulas e mais técnicas, não era necessário. Então eu escolhi só fazer o de Artes mesmo e também encaixar melhor com o meu plano de aulas dos quatro anos.

 

Essa é uma escolha que a universidade dá para o aluno?

 

Sim, mas aí tem uma série de requerimentos. Você tem que aplicar também, porque depende das suas notas e da sua disponibilidade de aulas. Mas é bem comum.

 

Como surgiu a ideia de fazer o bacharelado no exterior? Por que exatamente nos Estados Unidos e na Syracuse University?

 

Eu sempre gostei muito de viajar e eu fazia esgrima, então eu viajava bastante [por causa disso]. E sempre tive vontade de morar fora, mas era só uma ideia. Quando começou a chegar ensino médio, eu não fazia ideia do que eu queria fazer; começam a falar de Vestibular. Aí um amigo um dia me falou que queria trabalhar com esportes. “Bacana isso aí”, pensei, “eu não sabia que dava para fazer isso, acho que eu quero também”.

 

Aí eu comecei a olhar e vi que se eu quisesse o melhor lugar para fazer, onde eu teria as melhores oportunidades, a meu ver, a melhor educação seria nos Estados Unidos. Juntou a fome com a vontade de comer. E eu comecei a buscar isso, a me preparar. A minha vinda inicial foi por uma vontade de estudar Administração Esportiva mesmo.

 

Entrevista: bacharelado duplo na Syracuse University, Estados Unidos

 

Como você encontrou a Syracuse University?

 

Eu apliquei para várias [universidades]. Eu tive uma pessoa que me ajudou, que me aconselhou no processo todo; explicou tanto para mim quanto para os meus pais, porque os pais têm um papel importante nessa parte também, eles querem entender tudo e como funciona. Então eu tive uma pessoa que ajudou a gente e explicou todo o processo de aplicação.

 

Nisso, também explicou que quanto mais universidades você aplicar, maior é a chance de você entrar em uma e mais opções você tem no final. Então eu apliquei para várias. Para mim, como eu disse, eu fazia esgrima, então procurava uma universidade que tivesse ou um time de esgrima que eu pudesse tentar fazer parte; ou tivesse o major que eu quisesse; ou fosse muito boa.

 

Por exemplo, eu apliquei para a Notre Dame, que tinha um baita time de esgrima, não tinha sport management, mas é uma universidade com baita prestígio. Apliquei também para a University of Oregon que tem um programa de sport management bacana, mas não tem esgrima. Foi por aí o meu caminho.

 

No final, eu acabei escolhendo a Syracuse porque eu vim visitar aqui, falei com professores, com advisers do programa de sport management e me senti muito acolhido. E senti o programa uma coisa muito séria e preparada. Eu me senti em casa desde o primeiro momento que eu pisei no campus.

 

Assim que eu visitei, não tive dúvida que eu queria vir para cá.

 

Você chegou a tentar bolsa de estudo como atleta? É possível com a esgrima?

 

É possível, mas é muito difícil. Eu tenho alguns amigos que competem no time de esgrima e são brasileiros, mas é complicado. Para mim, no final era mais importante eu estudar o que eu quisesse do que eu ir para um lugar onde eu conseguisse continuar a esgrima.

 

Foi uma decisão que uma hora eu sabia que ia ter que chegar e eu já tinha isso na cabeça, então tive que escolher. E escolhi pelo estudo.

 

O processo de application foi tranquilo para você? O que você precisou providenciar para todas essas universidades?

 

Como falei, eu tinha uma pessoa para me auxiliar, então toda pergunta que eu tinha, eu mandava para ela. Mas realmente é um processo de achar documentação, imprimir e mandar, perguntar, fazer upload, escanear, escrever redação, se inscrever para prova. É chatinho até.

 

Mas o que facilita bastante é o Common App, que lá você tem, sei lá, 80% das universidades que eu me apliquei. As outras que não usavam tinham o próprio portal também e aí era bem intuitivo. Mas é isso, não tem como escapar disso.

 

Como tem sido fazer o bacharelado nos Estados Unidos, tanto a experiência geral quanto a de adaptação a um sistema de ensino diferente, em uma língua diferente?

 

Para mim, foi bem tranquilo. E eu digo isso no meu caso, porque eu sei que para muita gente não é. Eu sempre tive essa ideia na cabeça, então eu sinto que eu estava muito preparado para chegar aqui e encarar o que é que fosse, me abrir para a experiência.

 

Eu estava pronto também para, enfim, começar uma nova fase. Então para mim foi bem tranquilo, porque eu estava bem aberto e com a cabeça muito boa para realmente enfrentar tudo.

 

O que você diria para a pessoa já ir preparada para os Estados Unidos, para evitar o choque cultural ou algum tipo de dificuldade na adaptação, que ajudaria a ter uma experiência parecida com a sua?

 

Choque cultural é inevitável, você vai ter. Então, primeiro, eu diria para não se preocupar com isso porque vai ter. Algumas coisas vão ser diferentes e você vai ter que sobreviver e se adaptar ou não vai dar certo. Então você não tem muita opção, sabe?

 

Mas eu diria que a maior coisa é essa: vir aberto à adaptação. Vou dar um exemplo bem bobo: banheiro de dorm é compartilhado. É um saco? É, mas o que você vai fazer? Não vai tomar banho o semestre inteiro? Não tem muita opção.

 

Então você tem que vir com a cabeça aberta, preparado para viver coisas novas que nem sempre são boas, como até se ferrar em alguma aula ou alguma coisa assim, por que você precisa falar em uma língua diferente em um sistema diferente. Vir aberto e com tudo isso em mente sabendo que vão ter altos e baixos, mas que é normal e eu acho que vale muito a pena.

 

Já que você mencionou o dorm, como funciona o esquema de acomodações da Universidade? Você também compartilha um quarto? Tem alimentação inclusa?

 

Aqui em Syracuse, a universidade requer que os alunos fiquem em dorms da universidade nos dois primeiros anos. Eu acho que na maioria das universidades é só o primeiro, só o freshman year. Mas aqui eles fazem questão que seja o primeiro e o segundo.

 

Eu tive uma experiência muito boa porque eu fiquei em um dorm que tinha sido renovado acho que há menos de cinco anos. Meu quarto era basicamente dividido no meio, então tinha meu lado e o do meu roommate. A gente tinha certa privacidade, mas, ao mesmo tempo, o clima de morar com outra pessoa.

 

A gente [Syracuse University] particularmente tem bastante dorm exclusivo para freshmen, por isso acaba virando uma comunidade bem legal no primeiro ano. No segundo, a universidade oferece mais opção de moradia; tem uns apartamentos, que ainda são da universidade, mas já tem uma cama maior, o seu próprio banheiro, tem mais espaço.

 

Depois disso, você pode morar fora do campus. Tem complexos de apartamento, tem casa que você pode alugar e é bem comum. Eu diria até que a maioria dos alunos do terceiro ano faz isso, assim como eu fiz semestre passado.

 

E a questão da alimentação, a universidade tem alguns muitos refeitórios e você pode comer sempre que quiser lá. Uma hora cansa, não vou mentir, mas não ter que cozinhar também é uma baita ajuda.

 

Tem bastante gente de bastante nacionalidade na Syracuse University?

 

Sim, aqui, se não me engano, são por volta de 16.000 alunos de graduação, 20.000 de pós-graduação e, desses 20.000, 4.000 são internacionais. É um número bastante alto e você acaba encontrando e ficando amigo de bastante deles.

 

Você é copresidente do BRASA. O que é essa associação de estudantes brasileiros?

 

Entrevista: bacharelado duplo na Syracuse University, nos Estados Unidos

 

A BRASA é uma organização global. Nós somos um braço da BRASA no campus de Syracuse. A gente faz parte dessa rede de BRASAs locais, como eles chamam, que vai dos Estados Unidos inteiro até a Europa e a Ásia, onde eles estão começando agora.

 

Ela é uma rede enorme de estudantes brasileiros estudando fora e eles fazem um trabalho muito legal. Eles têm conferências, programa de bolsas, mentoria. E a gente é um braço disso, a representação da BRASA no campus de Syracuse.

 

Até um ano atrás, eu diria, a gente era bem pequeno. Quando veio a pandemia, vários dos alunos brasileiros se encontraram com um tempo extra no verão. A gente se juntou e decidiu começar a crescer. Então começamos a fazer planos e eventos online. E, a coisa mais importante, começamos a falar com os alunos freshmen brasileiros que tinham entrado em Syracuse, conversar, tentar ajudar para ter esse primeiro contato.

 

Eu acho que essa foi a coisa mais importante que a gente fez porque começou a conquistar a confiança deles de uma maneira que a gente conseguiu crescer mais esse semestre. Eu e o outro João, copresidente também, dizemos que a missão da nossa organização é ajudar e apoiar os alunos brasileiros no campus de Syracuse.

 

E é isso que a gente faz, tem sido algo muito bacana.

 

Você sabe dizer quantos brasileiros estão na Syracuse University?

 

O número oficial eu não sei, mas entre undergrad e grad são por volta de uns 40 ou 50.

 

Se tiver brasileiros interessados em estudar na Syracuse University, eles podem entrar em contato com vocês para tirar dúvidas? Vocês fazem essa ajuda também de esclarecer para quem está interessado e não só para quem já está matriculado?

 

Podem e devem. A gente ajuda no que a gente pode. O nosso Instagram é bem ativo, @brasa_cuse, e quem tiver dúvida pode mandar lá. Se não soubermos a resposta, tentamos direcionar para os canais da universidade também. A gente tenta ajudar no máximo que pode.

 

Conheça a Syracuse University

 

Conheça a Syracuse University

 

A Syracuse University é uma instituição do estado de Nova York mundialmente renomada pela sua excelência. Localizada a quatro horas e meia de Nova York, ela possui um campus de tirar o fôlego, como você pode ver pela foto, famoso pela sua mistura de arquitetura tradicional e moderna e belos espaços verdes.

 

A Syracuse é uma das 300 melhores universidades do mundo e 54ª nos Estados Unidos, de acordo com o Times Higher Education Rankings de 2020. A sua comunidade unida de estudantes americanos e internacionais pode escolher entre mais de 200 programas de graduação e 100 disciplinas diferentes.

 

Além disso, todos os estudantes internacionais que forem admitidos pela Syracuse serão automaticamente considerados a bolsas de estudo de mérito. Bastante se inscrever na sua graduação ou pós-graduação de interesse.

 

Entre em contato direto com a Syracuse University para saber mais.

 

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