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Entrevista: Engenharia da Computação na Washington State University

João Victor fez quatro anos da graduação de Engenharia da Computação com minor em Neurociência nos EUA com bolsa antes voltar para o Brasil por causa da pandemia.

Entrevista: Engenharia da Computação na Washington State University

João Victor Martins, 23 anos, teve uma experiência completa de estudo de Engenharia da Computação nos Estados Unidos, na Washington State University (WSU), de 2016 a 2020, antes de resolver se transferir para o Brasil por causa da pandemia.

 

Estudar Engenharia nos EUA

 

Agora concluindo o bacharelado na Facamp, em Campinas, sua cidade Natal, João conversou com o Hotcourses Brasil sobre as suas bolsas de estudo, os trabalhos nos laboratórios avançados da WSU e a decisão de terminar o curso no Brasil.

 

Estudar nos Estados Unidos: Washington State University

 

Como você escolheu a Washington State University em 2016? Como foi esse processo de escolha de universidade e de inscrição?

 

Foi algo inusitado, na verdade. Eu sempre soube que eu queria ir para fora do país naquela época. Quando eu entrei no colegial, já era um objetivo meu, tanto que eu entrei num colegial específico, o Etapa de Valinhos, que tem uma preparação um pouquinho melhor para a galera internacional.

 

E no segundo ano de colegial, teve uma feira de faculdades internacionais no Etapa de São Paulo, chamaram a gente de Valinhos para ir e eu fui. E, claro, sempre tem os nomes grandes, tinha a Harvard, o MIT, as UCs, sempre com uns estandes maravilhoso, com cinco ou seis pessoas atendendo a todo mundo. Só que a WSU tinha um estandizinho minúsculo, que era tipo uma mesinha com uma pessoa só entregando uns panfletos e falando um pouco da faculdade.

 

Eu peguei o panfleto super despretensioso e comecei a pesquisar a faculdade na época, porque eu nunca fui o melhor aluno do mundo, nunca fui o pior também, então acabou que a WSU me aceitava bem. Eu acabei dando uma pesquisada e gostei muito da faculdade, do lugar, o preço e a bolsa que eles me deram foi algo bem acessível para mim também.

 

E eu acabei indo para lá, com a maior paixão, aliás. Eu adorei a faculdade, foram ótimos quatro anos que eu passei lá. E esse processo todo foi mais ou menos isso. Era o menor estande do evento com a melhor faculdade que eu poderia ter escolhido.

 

Isso é interessante, primeiro porque mostra a importância de participar de uma feira de intercâmbios como essa e ter o contato direto que abre um leque de opções. E, segundo, você comentou que não era o melhor estudante, mas para ser admitido nos EUA tem que ter um nível acadêmico. Mas também saber que existe esse leque de opções para cada requisito de admissão.

 

O bacana disso tudo, primeiro falando da feira, é que a primeira vez que você vai, você nota que tem faculdades diferentes para perfis diferentes de pessoas, pelo menos na minha opinião, eu acho. Porque tem um negócio que não tem tanto aqui no Brasil, as faculdades lá têm a sua própria personalidade, elas têm a sua própria alma, quase. Não é “uma” faculdade. Ela tem o seu estilo de aula, de cultura, são coisas muito diferentes que variam de estado para estado, de campus para campus.

 

Então acaba que para você escolher uma faculdade bem, você tem que pesquisar bastante. Eu acho que é muito importante ir a essas feiras com certeza. Eu acho que te dá um insight muito maior de onde você está pisando ao invés de só olhar para a faculdade online e mandar alguns e-mails para cá e para lá. Isso te dá uma experiência muito maior.

 

Acabou que, tipo, a WSU fui ótima para mim porque é uma faculdade mais fechadinha. É um campus grande, mas numa cidadezinha pequena, que é uma vibe que eu gosto. A maioria das aulas que eu fiz, fora as aulas que eram de ciclo básico geral, são sempre aulas muito “pequenas”, são 30, 20 pessoas. Então, os professores são bem próximos de você. É uma cultura diferente às vezes de algumas faculdades que são muito maiores.

 

E o processo seletivo, como foi? Você achou tranquilo?

 

Eu acho que tranquilo nunca é, porque sempre tem expectativa. Eu acho que o processo seletivo dela foi mais ou menos o mesmo processo que é para todo mundo: são os SATs; TOEFL; as cartas de recomendações; falar com os professores; mandar email para o pessoal da administração da faculdade, tentar conversar com alguém e ver como é que é; fazer os essays que eles pedem.

 

Eu sofri bastante, porque antes de aplicar para isso, na verdade, eu tinha muita experiência em falar em inglês, eu fiz aula de inglês desde pequeno, mas eu nunca tive muita experiência em escrever em inglês e em geral, na verdade, sempre foi algo que eu tive muita dificuldade. Então eu bati bastante. Tanto que eu comecei a aplicar no dia que abriu para aplicações do meu ano, eu já comecei a escrever meu tópico e tudo mais. Eu levei, acho, uns quatro, três meses para escrever tudo com a ajuda de professores. Eu fiquei enchendo o saco dos meus professores de inglês e português do Etapa para me ajudarem.

 

É uma correria atrás, não tem jeito. Acho que para qualquer faculdade que você for aplicar lá fora, você não tem como fugir disso. Mas é um processo que faz parte. Eu acho que ele não é difícil, ele é cansativo. Você precisa pôr bastante esforço nele só, eu acho. Mas se você puser o esforço, todo mundo consegue fazer.

 

Washington State University

 

E você é da área de exatas, Engenharia da Computação com minor em Neurociência. Como você chegou a essas áreas de estudo? Porque nos EUA tem uma liberdade maior em escolher no que focar o seu curso. E como foi estudar engenharia nos Estados Unidos?

 

 Eu sempre fui da programação desde que criança. No fundamental, eu já era o moleque nerd que ficava desmontando o computador e fazendo peça de eletrônica e tudo o mais. Eu sempre gostei disso, então eu fui com uma experiência um pouco diferente do que o resto das pessoas, eu já fui focado num curso só.

 

Muita gente tem uma ideia mais ampla porque é o que você falou, por ser nos Estados Unidos, tem essa vantagem de não ser fechado em um curso só. Você fazendo as coisas no ciclo básico, dá aquela primeira expandida, aí eu quero fazer Engenharia, mas eu posso fazer Computação, eu poso fazer Engenharia Civil, você pode expandir e depois dar aquela afunilada um pouquinho mais para frente.

 

Eu fui um pouquinho diferente, eu fui certeiro já. E não me arrependo nem um pouco, na verdade, porque, nossa, que lugar maravilhoso para estudar Engenharia! Isso, infelizmente, o Brasil está milhas atrás, o que dói um pouquinho o coração por ser meu país amado, mas foi porque eu tive muita experiência em laboratório lá, principalmente. Tive ótimos professores, porque lá tem o negócio dos professores trabalharem bastante com pesquisa normalmente, né? Então eu acabei me envolvendo muito com os professores na área de pesquisa, dando uns biquinhos nos laboratórios aqui e acolá.

 

A vantagem também da WSU é que tem muito laboratório de pesquisa na área de exatas, especificamente. É algo assim que eu nunca vou esquecer, porque eu lembro que eu fui fazendo as coisas online porque eu não tinha dinheiro para ir para lá antes para conhecer e tudo o mais, então eu fiz aquele tour de conhecer a faculdade uma semana antes de ir para lá. Porque assim, eles fazem os tours específicos para cada área, então eles mostraram os laboratórios de pesquisa, o laboratório de propulsão da NASA, sobre os computadores que eles têm. Foi uma coisa assim, nossa, brilhinho nos olhos, sabe?

 

São coisas que você não tem acesso aqui e isso acaba que ajuda muito no conteúdo das aulas. Porque quem se envolve, principalmente nas aulas do seu curso, acaba que tem um leque de opções muito grande para fazer de extracurricular, principalmente se você gosta.

 

Eles dão muita ênfase na experiência prática e têm laboratórios bem equipados com o que há de mais recente. E esse foco em pesquisa também, que é interessante porque começa já na graduação, né? Em quais pesquisas você participou na WSU?

 

Por ser da graduação e não ser de um mestrado, de uma pós, eu tinha um acesso mais limitado às coisas. Não tenho uma experiência tão grande. Mas acho que começa aí, sabe? O único laboratório que eu trabalhei bastante foi o de Smart Home na WSU, com um dos meus professores. Nossa, um dos melhores professores que eu já tive até hoje na minha vida.

 

E, assim, como eu posso dizer? No começo, você acaba fazendo muito trabalho manual, como diriam, que é arrumar código aqui, ajudar professor com banco de dados, esse tipo de coisa. Mas em todo esse processo, você acha tendo um hands on em todo o equipamento, em todo o processo científico que você está envolvido. E acabar que o seu nome pode estar em um creditozinho num paper que, também não vou mentir não, é muito legal.

 

É uma experiência que é para dar o primeiro gás para você, se quiser entrar em pesquisa, sabe? É algo assim que você já começa aí. Já começa a fazer um networking com os professores, você já vai conhecendo a galera que também está envolvida em pesquisa. Então, sabe quando você já começa a dar uma mirada para as coisas do seu TCC? Até já no comecinho assim, porque é como se fosse um precursor para talvez o que você faça de TCC ou de pós lá para frente. Para ter uns contatos para um mestrado depois, já começa ali, sabe?

 

E você acabou não fazendo o Trabalho de Conclusão na WSU?

 

Eu acabei não fazendo porque a pandemia me afetou muito. O ensino a distância não é para mim nem um pouco. E assim, tem muitas coisas boas que acontecem lá, mas para mim o que pesou muito foi a distância de família e amigos que eu tinha daqui, sabe?

 

Eu sou uma pessoa muito ligada à família, muito ligada aos amigos que eu tenho. E estar fechado em casa a dez mil quilômetros de todo mundo que eu conheço próximo é algo que me pesou bastante.

 

Você teve bastante tempo de estudar presencialmente antes dessa adaptação correndo para o online por causa da pandemia. Como foi esse período de adaptação?

 

Os professores, por terem certos recursos online já, para alguns foi muito fácil, para alguns foi muito difícil. Muitos professores, principalmente das aulas que têm bastante gente, acaba que muito conteúdo a gente entrega e faz online. Então para eles, só virou gravar aula e subir para a gente.

 

Só que para outros professores mais específicos da área de Computação que eu fiz, que eram salas de 20, 30 pessoas, fica muito mais difícil, porque, claro, o conteúdo é digital, por causa da minha área, mas não é a mesma coisa você ter 30 pessoas sentadas na sua frente e 30 pessoas numa sala do Zoom sem câmera aberta falando para o nada para os professores.

 

Então meio que a motivação some, o conteúdo parece que fica mais travado. Não rende tanto, sabe? Você não consegue também conversar tanto com os professores que nem você conversaria numa sala de aula. Isso para mim pesou muito. Por mais que minha área seja Computação, eu tenho muita dificuldade de me sentar na frente de um computador para ter aula. Isso para mim é um problema muito grande.

 

Então não ter essa experiência de sala de aula, de ter o livro na minha frente, de ter o professor para depois da aula conversar, assim “Ai, professor, estou com dificuldade nisso”. E ir num office hour para resolver alguma coisa. Isso para mim pesa muito.

 

E você conseguiu transferir todos os seus créditos aqui para o Brasil?

 

Uma parte sim, não todos. Claro, por causa do Ministério da Educação aqui e equivalência e tudo mais, acaba que tem algumas coisas que ficam para trás. É claro que bastante coisa transferiu, e isso já me ajudou bastante, tanto que eu já termino, provavelmente ano que vem, já estou com meu diploma. Atrasou um aninho, mas eu acho que faz parte.

 

Mas eu admito que, por causa da pandemia, pesou muito financeiramente para mim e para a minha família. Porque mesmo eu trabalhando minhas 20 horas no campus e ganhando minha graninha para pagar aluguel e tudo o mais, e com bolsa, por mais de ser um valor em dólar, ainda é muito pesado. Então a decisão melhor para mim foi voltar e ficar com a minha família e me transferir para cá mesmo.

 

Como você conseguiu a sua bolsa de estudo e o que você acha que te ajudou a consegui-la?

 

As minha bolsas foram o seguinte: não era uma simples bolsa só. O próprio site da faculdade disponibiliza uma lista de milhares... Milhares não, mas centenas de bolsas que você pode se aplicar. Bolsas pequenas de US$ 500, US$ 1.000. E eu sempre ia aplicando.

 

A faculdade em si me deu um desconto bom que acabou ajudando bastante porque eu não ia ter condições financeiras de pagar na íntegra nem um pouquinho. E aí todo semestre eu fazia redação, eu aplicava para umas dez, 15 bolsas. Umas quatro, ou cinco sempre acabavam retornando, porque tem muita bolsa que a galera nem sabe. Então a concorrência é muito baixa e os requisitos dela também são muito baixos.

 

E, claro, também não é o maior valor do mundo, mas cada US$ 500 ou US$ 1.000 vai ajudando no final das contas.

 

Essa que você disse que a universidade já te concedeu foi a automática durante a seleção? Tem alguma coisa específica no processo que ajuda a ganhar essa bolsa?

 

Eles não falam, mas eu imagino que seja muito pelos meus extracurriculares, sabe? Eu fazia trabalho voluntário aqui em Campinas; eu sou faixa preta em karatê, então sempre fiz bastante esporte; eu tenho os meus projetos por fora. Principalmente para quem é da área da computação, eu acho que, claro, é mais difícil quando você está no colegial, mas, ter um GitHub ou uma página de projetos sempre atualizada é sempre bom, porque mostra que você está ativo, você está interessado no que você está fazendo.

 

Então mostrar que você está fazendo projetos por sua conta mesmo, nem que seja projetos pequenos, sabe? Na época eu não sabia codar muito bem, não tinha um know-how muito grande. São projetinhos pequenos, já fazer um robozinho com instrução que tem no site de aprendizado; ou brincar um pouquinho com eletrônica, com os leds, ele liga se isso acontece, ele desliga se isso acontece.

 

São pequenos projetos para mostrar que você está interessado e ativo na sua área.

 

Conheça a Washington State University

 

Conheça a Washington State University

 

A Washington State University (WSU) acolhe calorosamente os estudantes internacionais na família WSU Cougar. Ela oferece cursos que incentivam os aprendizes a tornar o mundo um lugar melhor, além de liderar pesquisas em quase 200 áreas.

 

Há um programa de mais de US$ 400 milhões em bolsas de estudo e assistência financeira estudantil e mais de 98 áreas de estudo de graduação disponíveis, além de 78 de mestrado e 65 de doutorado.

 

No outono de 2021, a WSU voltará a oferecer aulas presenciais e acomodações no campus. Baixe gratuitamente o catálogo da Washington State University para saber mais!

 

Leia também:

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