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Entrevista: PhD em Estudos Culturais na Washington State University

O baiano Marco está no último ano do seu doutorado em Estudos Culturais e Pensamento Social em Educação na Washington State University com bolsa de estudo.

Entrevista: PhD em Estudos Culturais na Washington State University

Marco Cerqueira é um jornalista de Salvador, Bahia, no quarto e último ano do seu doutorado em Estudos Culturais e Pensamento Social em Educação na Washington State University (WSU), onde, inclusive, foi eleito presidente da Associação dos Estudantes de Pós-Graduação e Profissionais. “Resolvi voltar para a academia aos 40 anos”, conta.

 

Mas a sua carreira acadêmica nos Estados Unidos começou antes. Em 2014, ele viajou para a Ohio University para fazer o seu mestrado em Estudos Latino-Americanos.

 

Em entrevista ao Hotcourses Brasil, conversamos sobre toda a sua experiência: a escolha da WSU, os trabalhos e bolsas na universidade, como foi a adaptação da rotina durante a pandemia, dicas para quem gostaria de fazer um doutorado nos Estados Unidos e muito mais!

 

Conheça a Washington State University, nos Estados Unidos

 

Quando surgiu a ideia de fazer um curso no exterior e por que especificamente nos Estados Unidos?

 

Desde menino, meu sonho era ser professor de inglês. Sempre gostei da língua inglesa. Quando eu comecei a fazer minha graduação em Comunicação, eu comecei a estudar inglês pela Associação Cultural Brasil-Estados Unidos. Então foi uma relação que foi crescendo organicamente, o meu interesse pela cultura norte-americana.

 

E também foi pelas oportunidades de ter meus estudos cobertos e trabalho aqui. Quando eu vim fazer o mestrado, eu ensinei por português, por exemplo. Fui um teaching assistantship. Então eu tive tudo coberto, toda a tuition, plano de saúde e stipend, que era um salário quinzenal.

 

E é da mesma forma aqui, na Washington State University.

 

Então você também tem a bolsa de estudo de assistantship na WSU? Você já conseguiu essa vaga antes mesmo de viajar para os Estados Unidos?

 

Eu tenho, sou um graduate assistantship. Eu me inscrevi no doutorado, mandei a minha proposta de pesquisa e passei na entrevista. E ainda no Brasil, eu comecei a fazer as articulações. Os professores te ajudam, todo mundo ajuda. No primeiro momento, eu já tive uma professora, que é a minha orientadora provisória.

 

E é no boca a boca também. Eu soube por uma professora do programa de Estudos Culturais, na época, que tinha uma vaga para trabalhar com estudantes com necessidades especiais. Foi meu primeiro trabalho aqui como professor nesse programa piloto na cidade.

 

Depois, eu trabalhei dois anos no Centro LGBT daqui. E agora tenho minha posição de graduate assistantship, de assistente de pós-graduação, e fui eleito presidente da Associação dos Estudantes de Pós-Graduação e Profissionais.

 

Marco Cerqueira, estudante brasileiro de doutorado na Washington State University

O escritório do Marco na Graduate and Professional Student Association – GPSA. (Foto por Richard Miller.)

 

O que significa ser presidente da Associação e como foi o processo para chegar a essa função?

 

Eles têm uma eleição anual e postaram sobre isso nas redes sociais. Eu já vinha acompanhando o trabalho da Associação como estudante de pós-graduação. Eles promovem vários eventos, ajudam com viagens, pagam a taxa de inscrição em conferências. É uma Associação muito ativa na nossa vida de estudante.

 

Aí eu decidi me inscrever para concorrer à vaga, mas, na verdade, estava concorrendo a vice-presidente. A votação foi online por conta da pandemia e eu fui eleito pelo senado formado por 70 senadores de todos os colégios da Universidade. Aí fui eleito [presidente] e fico um ano.

 

Com essa posição, eu tenho a tuition waiver, aí não pago para estudar, que no caso é semestral; tenho plano de saúde e um salário quinzenal.

 

Como é o trabalho como presidente da Associação dos Estudantes de Pós-Graduação e Profissionais na WSU?

 

É um trabalho de meio período. Os estudantes internacionais aqui nos Estados Unidos podem trabalhar 20 horas semanais. Então agora eu tenho um contrato separado durante o verão da segunda metade de maio até a segunda metade de agosto. Eles me pagam por hora, mas ainda assim com o limite de 20 horas.

 

Mas como curiosidade, durante o verão nos Estados Unidos, nós, estudantes internacionais, podemos trabalhar até 40 horas [semanais] no campus. Você só pode trabalhar no campus de onde você está cursando os seus estudos – mestrado, doutorado ou graduação também.

 

Como você chegou à escolha da Washington State University para o seu PhD?

 

Eu fui jornalista minha carreira inteira e eu estava cansado do tipo de escrita, muito mecânica, repetitiva. E aí eu comecei a pesquisar. Eu escrevo poesia e comecei a procurar um doutorado em que eu pudesse conciliar minha escrita criativa, poética, com a escrita acadêmica. Juntar as duas interseções.

 

E encontrei esse programa de Estudos Culturais e Pensamento Social, em que eles aceitaram a minha proposta de escrever a minha tese usando poesia, mas, claro, também a escrita acadêmica. Seguindo todo o formato, com citações, mas ainda assim é um trabalho criativo, onde eu escrevo sobre a minha própria trajetória como homem latino, gay e estudante internacional. E todas as dificuldades que eu tive que sobrepor para conseguir chegar aonde estou agora. Usar esse tipo de estratégia em que você escreve sobre você mesmo usando uma linguagem criativa e replicar isso na sala de aula, entre outras comunidades marginalizadas que eu possa estar refletido.

 

Leia também: O que é PhD?

 

Como foi esse processo de realizar esse tipo de trabalho no exterior? Além da adaptação à cultura, também se adaptar a um sistema de ensino diferente e escrever a tese em uma língua estrangeira.

 

As dificuldades são enormes. [Precisa de] muito estudo, mas ao mesmo tempo aceitando a diferença. Por exemplo, na minha tese, eu uso muito português e espanhol, misturo as línguas, admitindo nessa escrita que às vezes eu vou estar “perdido na tradução”. E aceitando quem eu sou, minha própria individualidade, minha subjetividade enquanto estudante internacional, em que o inglês é a minha segunda língua.

 

Então existe a dificuldade, mas ao mesmo tempo aceitando que nós somos diferentes e a minha pesquisa vai refletir quem eu sou.

 

Marco Cerqueira, estudante brasileiro de doutorado na Washington State University

Marco no campus em Pullman. (Foto por Richard Miller.)

 

E a adaptação cultural foi tranquila para você?

 

O mais difícil é ficar longe da família, meus pais são bem idosos. Eu sempre ia para o Brasil em dezembro visitar a família em Salvador e passar o Natal. Não pude ir em 2020 por conta da pandemia. Estava planejando ir agora nas férias de verão aqui, que para mim não são férias mais porque vou trabalhar. Por essa razão eu decidi não ir para o Brasil. Mas também por conta da pandemia.

 

Aqui, a coordenação do International Program, que lida com os estudantes internacionais, está nos aconselhando a não viajar, a não sair do país, pelas dificuldades de retornar na imigração. Apesar de já estar vacinado, no dia 17 de abril eu tomei a segunda dose da Pfizer.

 

Como ficou a sua rotina quando começou a pandemia e se instalou o isolamento? Como foi a resposta da universidade?

 

Na primavera de 2020, eu estava terminando as minhas últimas aulas, os cursos obrigatórios do doutorado. Então foi uma transição. Até março, a aulas eram presenciais e aí, boom! Tudo no Zoom. [Foi] muito difícil, eu imagino que para o mundo inteiro. Todos os estudantes estão reclamando muito dessa falta de contato.

 

Mas a universidade, imediatamente, quando começou o primeiro lockdown imposto pelo governo do estado de Washington, adotou as aulas online pelo Zoom. E era muito chato! A primavera foi um semestre difícil de terminar.

 

No segundo semestre, eu já não precisava mais ter as aulas e aí me preparei para defender os meus exames preliminares. O segundo semestre para mim, durante a pandemia, foi para estudar e eu passei no final do ano.

 

Quando você apresenta a sua tese?

 

A previsão agora é que a universidade tenha um formato híbrido, com aulas presenciais e ainda no Zoom. Então a minha previsão de defender a minha tese é em maio do ano que vem. Eu acho que até lá a defesa vai ser presencial, a julgar pela tendência de como está sendo aqui.

 

Ainda hoje eu encontro com os meus orientadores online. Tenho um encontro com um dos meus professores na sexta. Ou seja, ainda tudo muito online.

 

Então para o novo ano letivo que começa em agosto/setembro, a WSU vai continuar nesse estilo híbrido?

 

Essa é a projeção do presidente da universidade, de que as aulas, eventos e quase tudo sejam presenciais, dando as opções para os que não querem ou que tenham algum tipo de reserva, de plano de saúde ou o sistema imuno comprometido. Então eu acho que ainda vai ter essa transição, eles estão usando esse termo, formato híbrido, para o semestre de fall, que começa em agosto.

 

Antes da pandemia, como era a vida social na universidade?

 

Você sempre acaba encontrando a sua turma. Foi o que aconteceu, eu fiz novos amigos no doutorado e amigos dos amigos. A gente se frequentava muito antes da pandemia. Jantávamos na um do outro, preparar jantar juntos; íamos muito a um clube ótimo aqui, o Etsi Bravo, que depois da pandemia a gente nunca mais voltou, mas é ótimo para dançar.

 

Tem um outro clube aqui perto também que tem a noite latina. Então é um lugar em que a gente encontrava as pessoas com ascendência hispânico-latina também. Era muito divertido.

 

Eu frequentava muito a academia [da universidade], que é muito boa. A gente paga uma taxa semestral para usá-la. A estrutura norte-americana é muito boa nesse sentido. É uma academia imensa e há várias atividades extracurriculares para todas as idades, gerações e cursos. Tem muita coisa para fazer.

 

Com a pandemia, as coisas se tornaram online, então tem muitas palestras. Eu gostava de frequentar também um teatro que tem na universidade e trazia espetáculos de dança. Eu ia muito a essas atividades.

 

Vamos esperar agora a abertura gradual, mas tem muita coisa para fazer!

 

A sua turma é de brasileiros ou de pessoas de diferentes nacionalidades?

 

Marco Cerqueira, estudante brasileiro de doutorado na Washington State University

Marco no campus em Pullman. (Foto por Richard Miller.)

 

É um grupo de amigos do mundo inteiro. Meu melhor amigo é americano, tem um outro grande amigo que é mexicano. Tenho amigos chineses e brasileiros também. Conheço um grupo de brasileiros aqui, a gente se frequentava antes da pandemia.

 

Então é muito misturado. Tem realmente gente do mundo inteiro em todos os campi americanos. A solidão não rola, se tornam a segunda família de fato.

 

Para quem tem interesse em também fazer um doutorado nos Estados Unidos, o que você diria que seriam os primeiros passos? Por onde começar?

 

Eu comecei pelo Google, pesquisando por universidades onde eu poderia fazer meu doutorado que refletisse meus interesses. Depois, comecei a pesquisar não só o IELTS, o teste de proficiência de inglês, mas tem o GRE (Graduate Record Examination) também. Tem que ver quais são os cursos que pedem [essa prova]. Eu lembro de quando eu fiz o GRE, eu contratei uma professora especificamente para, por exemplo, estudar matemática em inglês. Ou seja, você tem que começar a se preparar.

 

O GRE é um teste mais específico para medir o seu conhecimento em provas de matemática; você tem que escrever uma redação. No meu caso, eu fiz o GRE para o meu mestrado, mas aqui [na WSU], para o curso que eu fiz, eles não pediram o GRE. Mas de uma forma geral, os cursos de pós-graduação aqui pedem.

 

A primeira coisa, você tem que estar preparado para fazer [o teste]. Tem vários lugares para fazer no Brasil; eu fiz o meu em São Paulo dez anos atrás.

 

Você precisou viajar para fazer o GRE?

 

Precisei viajar, só tinha na época em São Paulo e em outros lugares, mas São Paulo para mim era mais conveniente.

 

E é isso: cara de pau. Mandei email para os professores perguntando se eles achavam que o tipo de pesquisa que eu queria desenvolver tinha a ver com a linha de pesquisa que o curso oferecia. Eles gostaram da minha ideia.

 

Aí tem todo o processo da inscrição, proficiência no inglês. No caso, eu tinha o TOEFL. Depois o processo de seleção, três meses depois eles mandaram a proposta. Eu aceitei e aí tem o processo de conseguir o visto. Em Salvador, a gente não tem o consulado americano, o mais próximo é em Recife, mas eu acabei indo para São Paulo. Fiz a entrevista; dez meses depois, eu estava aqui.

 

Conheça a Washington State University

 

Conheça a Washington State University, nos Estados Unidos

 

A Washington State University (WSU) acolhe calorosamente os estudantes internacionais na família WSU Cougar. Ela oferece cursos que incentivam os aprendizes a tornar o mundo um lugar melhor.

 

Há um programa de mais de US$ 400 milhões em bolsas de estudo e assistência financeira estudantil e mais de 98 áreas de estudo de graduação disponíveis, além de 78 de mestrado e 65 de doutorado.

 

Baixe gratuitamente o catálogo da Washington State University para saber mais!

 

Leia também:

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