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Mestrado em Ciência da Computação nos Estados Unidos

Mariana, do blog Hello Mari World, relata sua experiência desde a sua decisão de fazer um mestrado nos Estados Unidos até o seu recente estágio de verão na sede global de tecnologia da FedEx

Mestrado em Ciência da Computação nos Estados Unidos
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Meu nome é Mariana Carvalho, tenho 25 anos, sou formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM-SP, com um MBA em Inteligência Competitiva pela ESPM-Rio. Sou de Campinas, interior de São Paulo, e me mudei para capital com 17 anos.

 

Sempre gostei muito de conhecer culturas diferentes da minha, viver em lugares novos e me aventurar. Em 2014, morei dois meses na Índia, voltei, fiquei mais dois anos no Rio de Janeiro e, finalmente em 2016, tomei coragem de seguir o sonho de estudar Ciência da Computação nos Estados Unidos. Você deve estar imaginando como foi difícil tomar essa decisão, já que toda a minha educação, até então, estava voltada para a área de Marketing, Comunicação, Design.

 

 

Com muito apoio da minha família, eu vim para a capital do Mississippi, Jackson, estudar na Jackson State University, uma faculdade HBCU (Historically Black Colleges and Universitiesneste post, contei um pouco sobre como é estudar em uma). A experiência de estudar no sul dos Estados Unidos é única, pois há não muito tempo (meados de 1960) ainda havia muito conflito racial, preconceito e a região do sul do país foi a mais afetada e também a que mais guarda resquícios dessa época.

 

As HBCUs são muito inclusivas e apoiam a diversidade. Na JSU há vários chineses, indianos, latinos, e afro-americanos. A cultura acadêmica da JSU reflete a cultura acadêmica do estado como um todo. Por ser brasileira/latina e mulher, em uma área de baixo interesse entre as mulheres, recebi uma bolsa para estudar na universidade. Com o passar do tempo, consegui um assistantship (ou bolsa de estudos) para ser assistente de uma professora (aqui, os chamados Teaching Assistants).

 

PREPARATIVOS PARA VIAGEM E VISTO

 

 

Todo o processo começou no final de 2015, para iniciar as aulas em agosto de 2016. Comecei a me preparar estudando para a prova do TOEFL (prova de inglês exigida pelas universidades americanas). Fiz a prova no inicio do ano de 2016. A faculdade americana me pediu três cartas de recomendação, uma carta de interesse feita por mim (com a justificativa do porquê eu gostaria de participar do programa de Mestrado em Ciência da Computação), comprovantes de renda dos responsáveis brasileiros pelo pagamento das mensalidades (aqui, as chamadas tuitions).

 

 Algumas universidades pedem, ainda, o GMAT ou o GRE, uma prova de proficiência em Exatas ou Business, dependendo do tipo de Mestrado ou Doutorado a ser feito. No meu caso, não foi necessário.

 

Minha dica é: entre no site da universidade que você quer se candidatar pelo menos uns pito meses antes do início do semestre, veja todos os prazos e documentos necessários. Com todos os documentos em mãos, você precisa enviar as cópias requeridas pela a universidade em que você estiver se candidatando.

 

Após aprovado, a faculdade irá te enviar, por correio, o seu I-20. O I-20 é o documento que a faculdade emite para que você possa tirar o seu visto de estudante (F1) no Brasil. Apenas com o I-20 em mãos (original) você poderá tirar o visto F1. O meu I-20 demorou cerca de sete dias após a postagem pela Universidade, mas esse tempo pode variar, então considere também esse prazo, para que dê tempo de você ir até o consulado, solicitar o visto, emiti-lo, e ter tempo de iniciar o semestre.

 

Digo isso pois eu perdi duas semanas de aula por conta de envios atrasados de documentos. Você deve agendar a visita ao CASV (Centro de Atendimento aos Solicitantes de Visto) e sua entrevista no Consulado. Após o visto aprovado, você está tranquilo para poder embarcar.

 

ESTUDANDO CÊNCIA DA COMPUTAÇÃO NOS EUA

 

Com o baixo interesse de mulheres em estudar nas áreas de engenharia, tecnologia e ciência, há muita procura por talentos assim. Minha rotina de estudos é intensa e diária, muitas vezes até aos finais de semana. Trabalho 20 horas na semana como teaching assistant (assistente de professora), e vou a algumas aulas, no período da manhã, tarde, e outras online.

 

Na faculdade, há uma biblioteca gigantesca, de três andares, com ambientes calmos para estudar, sozinho ou em grupo. A faculdade oferece também um enorme ginásio, com diversas aulas funcionais e aeróbicas, além da piscina. Passo meu tempo estudando, lendo livros, indo em alguns parques no Mississippi, viajando para estados próximos, como Tennessee, Louisiana e Arkansas.

 

Em um ano e meio morando aqui, participei de inúmeras conferências voltadas somente para mulheres em tecnologia – todas elas, com bolsas de estudos que pagaram minhas passagens, hospedagem e alimentação. Para participar dessas conferências, você deve procurar por aqueles temas que se interessa, em sites como ACM-W, IEEE e Anita Borg Institute. Muitas empresas como Google, Facebook, Microsoft e Dell possuem fellowships/scholarships no apoio a mulheres na área de Ciência da Computação.

 

 

ESTÁGIO DE VERÃO NOS ESTADOS UNIDOS

 

Na primeira feira de carreira na JSU, coloquei uma roupa social, preparei meu currículo e foquei em me candidatar às vagas e garantir um estágio de verão para 2017.  Apliquei para diversas empresas, diversas áreas, fiz inúmeras entrevistas e finalmente consegui minha vaga dos sonhos: trabalhar na sede global de tecnologia da FedEx, em Collierville, Tenneessee, EUA.

 

Os meses de junho, julho e agosto deste ano foram um dos melhores e mais surpreendentes da minha vida. Conheci o maior centro de distribuição de encomendas do mundo (!), viajei em um jato particular da FedEx para conhecer um dos maiores centros de dados (também do mundo!), conheci diversos Vice-Presidentes da FedEx, descobri como é trabalhar em uma das empresas que tem o maior controle logístico da Terra, que fornece serviços para o governo americano e é a primeira empresa mundial a conseguir oferecer ajuda e suporte aos incidentes de catástrofes naturais, em qualquer lugar do planeta.

 

Sentir que você faz parte de uma grande célula e que impacta milhões de pessoas ao redor do mundo, todos os dias, é indescritível. Passados os três meses, voltei para a escola para continuar estudando e finalizar meus estudos – vou me graduar em dezembro de 2017.

 

 

O FUTURO

 

Meu plano pós formatura é continuar no país, trabalhar e exercer o que aprendi nesse um ano e meio de Mestrado, na área de tecnologia. Utilizar também minhas qualificações em marketing e comunicação e me tornar uma profissional dinâmica, com diferentes habilidades, tanto na área de Exatas, quanto de Humanas.

 

Após se formar, o estudante internacional tem a possibilidade de permanecer no país através do OPT (Optional Program Training) por um ano. Nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics – ou Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o estudante internacional pode aplicar para uma extensão de 24 meses além do primeiro um ano – totalizando três anos de OPT.

 

Após o prazo do OPT, a empresa poderá patrocinar esse estudante de internacional. Caso o estudante internacional possua uma empresa patrocinadora logo após se formar, melhor ainda! – ele poderá sair do status de F1 e ir direto para o visto de trabalho (H1B).

 

Voltar para o Brasil, por enquanto, não está nos meus planos. Morar nos Estados Unidos está abrindo muitas portas profissionais, e me oferecendo uma excelente base para iniciar minha carreira e me ajudar a construir e a seguir meus sonhos na área, por aqui.

 

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Mariana Carvalho é de Campinas, interior de SP. Foi para a capital em 2010 com a cara, coragem e seu sotaque caipira pra estudar Publicidade e Propaganda na ESPM-SP. Morou 2 meses na Índia fazendo trabalho voluntário, 2 anos no Rio de Janeiro, onde completou seu MBA em Inteligência Competitiva pela ESPM Rio, e hoje faz Ciência da Computação na Jackson State University, em Jackson, Mississippi. Apaixonada por viagens, livros, marketing e tecnologia, ela escreve sobre sua experiência no exterior no blog Hello Mari World. Mariana também é colaboradora da plataforma Brasileiras pelo Mundo.

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