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Os pontos positivos e negativos do programa de au pair nos últimos dez anos

Os pontos positivos e negativos do programa de au pair a partir das histórias de diferentes intercambistas

Os pontos positivos e negativos do programa de au pair nos últimos dez anos
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Um dos programas de intercâmbio mais tradicionais e procurados nos Estados Unidos ainda é o de au pair, criado em 1986. Neste formato, a intercambista viaja com um visto J1 após  um processo de seleção que a ajuda a encontrar uma família americana que a aceite como moradora permanente em sua residência por um ano. Uma vez no país, ela deve trabalhar como babá e cuidar de tudo que se refere ao bem-estar das crianças da família por um salário semanal estipulado por lei. O intercâmbio inclui estudos e duas semanas remuneradas de férias.

 

Por que o programa continua tão popular depois de mais de três décadas? O que mudou ao longo dos últimos anos? O Hotcourses Brasil conversou com quem foi au pair há dez anos e com quem está no país no momento para conhecer os pontos positivos e negativos deste programa de intercâmbio que continua a crescer em popularidade.

 

au pair nos Estados Unidos

 

O valor do programa de au pair

 

Talvez a maior vantagem do programa de au pair é que ele é reconhecidamente um dos mais baratos intercâmbios de longa duração e de imersão total na cultura estrangeira. Além disso, ele acaba se pagando, uma vez que as intercambistas trabalham e recebem um salário fixo ao longo da estadia.

 

O preço deste tipo de intercâmbio sofreu algumas alterações nos últimos anos, passando de US$ 495 para US$ 595, mais as taxas de consultoria da agência.

 

No entanto, a sua principal vantagem tem também um lado negativo, como aponta Fabianne Geledan, produtora carioca de 32 anos que foi au pair entre 2008 e 2010. “O preço barato acaba sendo ruim, porque atrai muitas meninas que não gostam de crianças e usam o programa para ser um modo de morar fora, queimando um pouco o nome do programa.”

 

De fato, apesar de ser possível viajar, passear e se divertir, na maior porção de tempo, a au pair estará a trabalho e para isso é essencial gostar de crianças a fim de exercer as suas funções com qualidade e responsabilidade. Os dois principais requisitos para conseguir participar do programa é ter fluência no mínimo intermediária no idioma, para passar no exame de inglês feito pela agência, e comprovar ter 2.500 horas de experiência trabalhando com crianças de zero a 11 anos.

 

Segundo Luciana Gomes, diretora de produtos da IE Intercâmbios, é interessante comprovar o máximo de experiência tomando conta de crianças ou em trabalhos voluntários e também preparar um vídeo de apresentação para ser enviado junto à aplicação. “As famílias gostam de assistir aos vídeos antes de chamar uma candidata para a entrevista.”

 

“Recomendo o programa para quem gosta de crianças. Em praticamente um mês de trabalho, você já tem o seu dinheiro de volta. Porém, acho que trabalhamos muito para ganhar pouco, apesar de não arcar com gasolina, comida e moradia”, opina Natália Dalfré, 21, paulista iniciando o seu segundo ano como au pair nos Estados Unidos, com visto renovado agora em 2019.  

 

O salário oficial atual do programa de au pair, exigido por lei, é US$ 195,75 por 45 horas semanais, totalizando aproximadamente US$ 780 por mês – apesar de algumas famílias arredondarem este valor para US$ 200 por semana. A au pair não gasta com moradia e as suas refeições, por isso este é um dois programas mais baratos de intercâmbio disponíveis. “Para candidatas do sexo feminino que tem o perfil sem dúvida é o mais barato”, confirma Luciana.

 

Os demais gastos como gasolina, caso tenha um carro para uso próprio, e celular devem ser decididos entre a intercambista e a host family. “A vida de au pair é muito fácil. Não se paga comida, casa, contas. E ainda se tem qualidade de vida. Eu tinha um carro só meu e isso foi ótimo para explorar a cidade e fazer amizade”, explica Fabianne.

 

A host family

 

A seleção das famílias participantes – as host families – é tão criteriosa quanto a das intercambistas. É uma via de mão dupla: do ponto de vista dos anfitriões, uma pessoa completamente desconhecida vai morar na sua casa e cuidará do que há de mais precioso na sua vida; do ponto de vista da intercambista, ela deixa o conforto do seu lar para morar e trabalhar em outro país na casa de desconhecidos.

 

Parece assustador (e até pode ser mesmo no começo), mas o processo é inteiramente preparado para lidar com todas as questões de segurança e confiabilidade. “O processo de seleção de famílias melhorou e os sponsors estão mais rigorosos na seleção e aprovação das famílias que recebem as candidatas”, explica Luciana.

 

A escolha da família talvez seja o principal influenciador da qualidade da experiência. Há desde aqueles que praticamente adotam a au pair como filha até os que a tratam como uma empregada da casa e a proíbe de abrir a geladeira. É de extrema importância saber quais são os deveres e direitos como intercambista para entender os limites do trabalho e também identificar situações irregulares.

 

Para isso, as agências de au pair ainda mantém uma sponsor em cada região com intuito de atender a grupos de intercambistas que moram por perto. Esta pessoa não só orientará durante todo o programa, como também organizará reuniões mensais de au pairs (chamadas de cluster meetings) e receberá as recém-chegadas para ajudar na adaptação. A sponsor deve ser o contato principal para qualquer tipo de insatisfação com a situação que a au pair possa ter.

 

Leia também: 5 coisas que toda au pair precisa considerar antes de escolher uma host family

 

Rematch

 

au pair nos Estados Unidos

As irmãs gêmeas Brenda e Natália Dalfré são au pairs e conseguiram match com famílias vizinhas perto de Boston.

 

Caso houver desacordo e au pair e/ou a sua host family não encontrarem uma forma de resolver a situação de maneira a agradar os dois lados, podem pedir pelo processo de rematch. A partir deste momento, a au pair volta para o site da agência e tem duas semanas para encontrar uma nova família.

 

Brenda Dalfré, 21, irmã gêmea de Natália e também no segundo ano de intercâmbio, levou mais de um ano para encontrar a sua host family. O seu perfil ficou online no site da agência no começo de fevereiro, mas recebeu apenas uma visita em vários meses. “Eu ligava sempre para agência e eles falavam que isso era normal nos primeiros meses”, relembra. Segundo ela, isto se deu porque a sua agência atual tinha muitas au pairs interessadas para poucas famílias.

 

Depois de trocar de agência, em uma semana, ela já estava conversando por Skype com uma host family. Após muita troca de emails e ligações, fizeram o match em outubro, e em novembro ela embarcava para os Estados Unidos.

 

Infelizmente, não deu muito certo. “Na primeira família, eles me viam mais como empregada, foi bem difícil. A minha host mother era bem mesquinha e sempre tentava tirar vantagem de todo mundo”, conta Brenda. Ela ficou nesta casa por sete meses, onde cuidava de três crianças (inclusive um bebê de três meses), e então entrou com o processo de rematch.

 

Sua irmã Natália, por outro lado, teve sorte desde o início. Apesar de cuidar de quatro crianças, encontrou uma família “educada e brincalhona”, com quem tem uma ótima relação. “Minha irmã e eu brincamos que a minha família é a melhor de todo esse programa.” Inclusive, foi a host family da Natália que ajudou a Brenda a conseguir o rematch.

 

“Na minha segunda semana aqui com a família, minha irmã veio passar o fim de semana em casa e contou as histórias horríveis que ela passou e que outras pessoas passaram com a antiga família dela. Minha host mom ficou muito perplexa e, conversando com os nossos vizinhos, ela contou do intercâmbio e falou sobre minha irmã que estava em rematch. Aí eles começaram a conversar e deram match. A família da minha irmã agora também é maravilhosa”, relata Natália.

 

Foi assim que as gêmeas se tornaram vizinhas em Quincy, Massachusetts, a apenas 15 minutos de Boston.

 

O acolhimento dos americanos

 

O total oposto do rematch foi o que aconteceu com Fabianne. Ela cuidou de dois meninos, na época com cinco e três anos. “Eles foram realmente como irmãos para mim e meus hosts como pais. Nunca tive uma briga com eles e diversas semanas eu trabalhava até menos que o combinado.” A relação construída foi tão boa que ela mantém contato com eles até hoje e os visita com regularidade.

 

programa de au pair

Fabianne Geledan e as suas host kids em 2010. “Eles foram realmente como irmãos para mim.”

 

A região onde a au pair mora, com certeza, também influencia na experiência. Fabianne morou em Manassas, na Virginia, uma cidade pequena e do interior. “Não tinha muita coisa para fazer a não ser compras e cinema. O bom era ser perto de Washington, D.C. e NY.”

 

Além disso, não havia tantos estrangeiros na área, por isso, ela era normalmente recebida com curiosidade. “Era sempre uma novidade quando eu ia a alguma loja. Por não ter muitos imigrantes como na Flórida e grandes cidades, sempre tinha a pergunta ‘sotaque bonito, de onde você é?’. Na Flórida, por exemplo, os americanos não são tão receptivos com estrangeiros”, explica a carioca.

 

Já Natália e Brenda, graças à proximidade à Boston, moram em uma região mais jovem e movimentada. “Boston tem muitas universidades então tem muita gente nova por aqui. Em South Boston, tem vários barzinhos legais e mais coisas pra fazer. E a cidade que eu moro é linda!”, diz Brenda.

 

Leia também: Por que as universidades de Boston são as mais desejadas pelos estudantes?

 

A idade legal nos Estados Unidos é 21 anos. Por isso, as irmãs esperaram até estarem prestes a completar essa idade para dar início ao processo, mesmo que o programa aceite inscrições a partir dos 18 anos. Saiba mais sobre isso aqui.

 

Os estudos

 

O visto J1 permite tanto estudar quanto trabalhar nos Estados Unidos. A fim de permanecer legalmente no país e conseguir renovar o visto para o segundo ano de intercâmbio, caso desejado, a au pair deve se matricular em cursos valendo crédito.

 

A host family, por lei, deve ajudar a au pair a bancar os estudos. O valor continua o mesmo durante todo esse tempo – US$ 500 por ano. As au pairs percebem rapidamente que esta quantia não é suficiente para a grande maioria dos cursos de longa duração ou acadêmicos. É por este motivo que quase todas acabam matriculadas em um curso de inglês como língua estrangeira ou inglês como segunda língua (respectivamente, EFL e ESL) em faculdades comunitárias, enquanto outras investem do seu próprio dinheiro nos estudos.

 

“Eu fiz curso de inglês como segunda língua e depois fiz um curso de história na Universidade de Richmond”, conta Fabianne, que se formou em Cinema no Rio de Janeiro antes do intercâmbio. “Queria uma experiência estudando dentro de uma grande universidade americana e foi incrível. Minha host family pagou somente o acordado pelo programa e eu paguei o resto.”

 

Acontece também de intercambistas se interessarem por um curso acadêmico no país, passarem pelo processo seletivo - que, por já estar nos Estados Unidos, pode ser menos trabalhoso – e solicitarem a alteração do visto J1 para o F1, de ensino superior. Para quem procura por uma opção além das aulas de inglês, as universidades americanas oferecem diferentes opções de curta duração, como extensões, cursos técnicos e educação continuada.

 

No entanto, quem viaja ainda com um inglês intermediário, estudar o idioma é, sim, uma opção adequada. “Estou estudando inglês porque é um dos cursos mais baratos a preço de au pair. Por mais que a família arque com US$ 500, a au pair ainda tem que desembolsar mais um quantia”, explica Brenda. “E estou estudando inglês porque, mesmo falando todos os dias, me perco muito no idioma, fora que falo todos os dias em português também, por causa da família, namorado e minha irmã que mora aqui.”

 

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Existe au pair masculino?

 

O programa de au pair é predominantemente feminino. No entanto, existe au pairs masculinos, apesar de serem exceção.

 

“Temos procura de homens interessados. Enviamos um homem no programa este ano, na verdade”, conta Luciana Gomes, a diretora de produtos da IE. “Ele conseguiu uma família, por conta do contato da irmã dele que já tinha trabalhado na mesma família como au pair, então foi exceção. Noventa e nove por cento das candidatas realmente são do sexo feminino.”

 

O retorno ao Brasil

 

A au pair tem a opção de renovar a sua estadia por mais seis, nove ou 12 meses, de acordo com as regras do programa. Fabianne, Brenda e Natália escolheram permanecer mais tempo do que o período inicial de um ano.

 

Ao completar nove meses do primeiro ano, a decisão de renovação deve ser feita a tempo de receber um novo visto antes que o anterior vença. Há quem escolha estender o visto, mas tentar encontrar outra família em outro estado. Ou então quem prefira voltar para casa sem extensão.

 

Depois do intercâmbio, o retorno ao Brasil tem um efeito diferente em cada pessoa. “As primeiras semanas no Brasil foram ótimas, apesar do medo da violência. Mas logo que a rotina voltou e a ficha caiu, comecei a entrar em depressão. Era muito difícil não ter mais aquela vida e rotina”, relembra Fabianne.

 

Mesmo com a síndrome do regresso, ela voltou ao Brasil com uma entrevista de trabalho já agendada e foi contratada. Segundo a carioca, o programa a ajudou a ser uma pessoa mais responsável, proativa, flexível e tolerante, e também a liar com pessoas e culturas diferentes.

 

“Foi a melhor experiência da minha vida e eu não mudaria nem as coisas ruins. Eu sou, sem dúvidas, uma pessoa mais feliz e realizada por ter feito esse programa há dez anos”, conclui.

 

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SOBRE O AUTOR

Os pontos positivos e negativos do programa de au pair nos últimos dez anos

Brenda Bellani é editora de conteúdo e tradutora do Hotcourses Brasil. É formada em Jornalismo e especializada em Língua Inglesa e Tradução pela UNIMEP. Já morou 18 meses nos Estados Unidos como au pair e é apaixonada por viagens. Como hobby, ela mantém um blog sobre livros e tradução e é dona de uma lista infinita de livros-que-quer-ler.

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